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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Sondagem do solo aprova linha subterrânea do metrô até a Savassi

Sinal verde para a Linha 3 do metrô de Belo Horizonte, que irá ligar a região da Savassi ao bairro Lagoinha, na região Noroeste. As intervenções no solo para receber o transporte de passageiros ao longo de 4,5 km de extensão são viáveis, conforme mostra sondagem finalizada em março e divulgada na última terça-feira (2) pela Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop).

A Linha 3 será totalmente subterrânea, com cinco estações. Iniciadas em setembro, as perfurações foram realizadas em 180 pontos, a uma profundidade média de 35 metros. O perfil geológico observado é composto por terra e rochas. A metodologia para abertura de túneis, tipos de fundação e formas de contenção serão definidas no projeto executivo, porém, sem data prevista.

Uma licitação por meio de parceira público-privada será aberta para a execução das obras da Linha 3. A empresa vencedora irá operar e manter o sistema, em um prazo de concessão de 30 anos. Em breve, o governo do Estado vai assinar um contrato no valor de R$ 60 milhões com a Caixa Econômica Federal para elaboração dos projetos de engenharia.

Os recursos serão aplicados na elaboração de estudos para obras de expansão da atual Linha 1 (trecho Eldorado ao Novo Eldorado, em Contagem) e construção da Linha 2 (do Barreiro ao Nova Suíça, na região Oeste) e da Linha 3. Os projetos das três linhas têm prazo contratual de execução de um ano.

Morosidade
O imbróglio em torno do metrô de Belo Horizonte se arrasta há mais de duas décadas. Em 2011, a presidente Dilma Rousseff visitou Belo Horizonte e garantiu a ampliação do transporte de massa, mas o total de recursos não está assegurado. A previsão é de que sejam necessários R$ 3,1 bilhões. A União participará com R$ 1 bilhão, o Estado com R$ 750 milhões e o restante será dividido entre o governo de Minas, prefeituras e iniciativa privada.

Atualmente, o metrô da capital mineira opera apenas a linha Eldorado-Vilarinho, com 28,1 km de extensão e 19 estações. O ramal atende cerca de 217 mil usuários diariamente.

quinta-feira, 14 de março de 2013

BH terá metrô na Av. Nossa Senhora do Carmo

Avenida, uma das mais movimentadas de BH, será pátio de manobra do trem. Obra no subsolo é considerada 'ousada'
Flávia Ayer -
A Avenida Nossa Senhora do Carmo, uma das mais movimentadas da cidade e importante eixo de ligação da Região Centro-Sul, vai receber o metrô em suas profundezas, embora não esteja prevista estação de embarque e desembarque de passageiros no local. A Trem Metropolitano de Belo Horizonte S.A. (Metrominas), que gerencia a expansão do sistema de transporte, está fazendo sondagens em vários pontos da via e prevê construir no subsolo o pátio de manobra da tão aguardada Linha 3. Situada em área nobre, a avenida fica próxima da Savassi, um dos destinos do ramal que também levará os passageiros até a Lagoinha, na Região Noroeste.
A construção do pátio de manobra no subsolo na Nossa Senhora do Carmo, na altura do shopping Pátio Savassi, por onde passam diariamente cerca de 95 mil veículos, é considerada ousada por especialistas, por se tratar de uma opção de alto custo. “Fazer um pátio subterrâneo é um luxo, porque é muito caro. A obra na Nossa Senhora do Carmo, uma área extremamente adensada, será um ‘deus nos acuda’”, afirma o coordenador do Núcleo de Transportes da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (Nucletrans/UFMG), Ronaldo Guimarães Gouvêa.
O professor explica que há duas formas para construir o pátio. “Uma é usar o ‘tatuzão’, uma máquina que vai abrindo o buraco debaixo do solo e é a opção mais cara. A outra é fazer através da superfície, o que causa mais transtornos, mas é bem mais barata. Na Nossa Senhora do Carmo, provavelmente, será sem o ‘tatuzão’”, deduz, por uma questão de custos. Com 4,5 quilômetros de extensão, a Linha 3 do metrô está orçada em R$ 1,4 bilhão e compreende um percurso da Lagoinha, próximo à rodoviária, passando pela Avenida Afonso Pena, Rua Pernambuco e terminando perto do Shopping Pátio Savassi.
Do outro lado da Linha 3, na Lagoinha, o pátio de manobra já havia se mostrado uma questão delicada, por causa do encurtamento do único trecho subterrâneo do metrô de BH. O projeto inicial previa a ligação da Savassi à Pampulha e, por isso, o pátio de manobra e manutenção havia sido projetado para ocupar a área onde hoje está sendo construída a Estação Pampulha do BRT (sigla em inglês para transporte rápido por ônibus). Mas, para encaixar na verba de R$ 3,16 bilhões liberados pela União para a expansão do metrô de BH, o ramal passou a ir somente até a Lagoinha. Apesar de mais cara, a solução foi a construção de pátio subterrâneo debaixo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, na Avenida Antônio Carlos.
De acordo com a Metrominas, na semana que vem serão concluídos os trabalhos de sondagem na Linha 3. Apenas na Savassi e entorno da Nossa Senhora do Carmo, até a altura da Avenida Uruguai, no Sion, foram cerca de 20 furos de 35 metros de profundidade. Ao longo dos 4,5 quilômetros do ramal, foram 180 sondagens. Apesar de não haver análise conclusiva, estudos preliminares indicam que o solo de BH tem boas características mecânicas e não representará impedimento ao trem subterrâneo. Os resultados definitivos sairão ainda no primeiro semestre.
REFLEXO DAS OBRAS
É bom lembrar que a movimentação de sondagem está atualmente bem próxima da Praça Diogo de Vasconcelos, a conhecida Praça da Savassi, que passou há um ano por obras de revitalização. Os comerciantes da região observam ressabiados as sondagens para a próxima intervenção. “Tem que ter um metrô aqui, pois o trânsito na região está horrível. O problema é que temos muito medo do reflexo das obras. Com a reforma da Savassi, 60 lojas fecharam”, afirma a presidente da Associação de Lojistas da Savassi, Maria Auxiliadora Teixeira.
O projeto do metrô prevê também a expansão da Linha 1 até o Bairro Novo Eldorado, em Contagem, que vai atualmente da Estação Vilarinho, em Venda Nova, até a Eldorado, em Contagem. Já a Linha 2 fará o entroncamento com a Linha 1 na Estação Nova Suíssa e chegará até o Barreiro. A Metrominas ainda está em fase de contratação e elaboração dos projetos básicos de engenharia das três linhas. Todos os projetos têm prazo de elaboração de 12 meses. Assim que a ordem de serviço for dada, as empreiteiras têm de quatro a cinco anos para concluir a obra. A prefeitura promete também enviar “em breve”, segundo a assessoria de imprensa, projeto de lei com pedido de autorização para contratar R$ 400 milhões em financiamento para investimentos no metrô.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sondagem para novas linhas do metrô de BH ocorre há dois meses

Há dois meses, em diferentes pontos da capital, homens e máquinas fazem sondagens para saber das condições do subsolo por onde devem passar duas novas linhas do metrô de BH

Publicação: 22/11/2012 06:41 Atualização: 22/11/2012 06:45

O solo de alguns dos pontos mais movimentados de Belo Horizonte vem sendo sondado desde setembro. Para descobrir por onde podem passar as duas novas linhas do metrô da capital, cujas obras devem começar em 2014, operários usam grandes máquinas para perfurar a terra para saber a estrutura do subsolo. Essas sondagens iniciam o longo caminho a ser percorrido até que os novos trilhos passem a funcionar. As perfurações podem ser mecanizadas ou manuais. Os furos são pequenos, têm aproximadamente 10 centímetros de diâmetro, mas a profundidade varia de 30m a 50m, dependendo do túnel a ser escavado. O objetivo do trabalho é obter amostras do solos, rochas e outras informações geofísicas, como a presença de água e a resistência das camadas do terreno. É possível observar se há obstáculos à passagem do metrô.

No Barreiro, as sondagens estão sendo realizadas em dois pontos: nas avenidas Olinto Meireles, próximo à Avenida Tereza Cristina, e Afonso Vaz de Melo, perto do Shopping Barreiro. Essas sondagens integram o projeto de instalação da linha 2, que será totalmente subterrânea. Ela prevê a criação de sete estações e, ao longo de 10,5 quilômetros, ligará o Barreiro ao Bairro Nova Suíça, na Região Oeste da capital. O trabalho é desenvolvido na Região Centro-Sul, onde a Linha 3 terá 4,5 quilômetros, se estendendo por cinco estações e ligando a Savassi ao Complexo Viário da Lagoinha. Há sondagens sendo feitas na Rua Pernambuco – nas esquinas com a Rua Bernardo Guimarães e as avenidas Brasil e Cristóvão Colombo – e na região da rodoviária – próximo à Avenida Antônio Carlos e às ruas Além Paraíba e Itapecerica. Entre os locais onde já foram realizadas sondagens estão o pátio inferior da rodoviária e a Praça Sete, no Centro. A linha 1, que conta com 18 estações, será ampliada em 1,7 quilômetro e ganhará outra estação, a de Novo Eldorado, em Contagem, região metropolitana da capital. Porém, as sondagens para essa linha ainda não começaram.

As perfurações foram iniciaradas em 3 de setembro, após negociações com concessionária de energia, água e telecomunicações, fosse aberto o chão em locais indevidos. As investigações do subsolo devem ser concluídas em março de 2013, de acordo com a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop). No total, as perfurações vão custar R$ 6,4 milhões e buscam dar subsídios ao projeto de engenharia, que vai desenhar o trajeto exato dos novos trilhos do metrô.

O processo de licitação para contratação da empresa responsável pelo projeto foi aberto em 31 de outubro. A empresa vencedora será anunciada ainda neste mês, segundo a Setop, e terá 12 meses para terminar o projeto. Em seguida, abre-se nova licitação, dessa vez para contratar a construtora responsável para executar as obras, que, na melhor das hipóteses, só começam em 2014. “O início das obras depende da liberação de recursos do governo federal”, informa nota oficial da secretaria, que evita fixar datas para as novas estações entrarem em atividade.

CRÍTICAS
Em audiência pública realizada na Câmara Municipal em julho, os itinerários das novas linhas apresentados pela Trem Metropolitano S.A. (Metrominas), sobretudo o da Linha 2, foram criticados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e pelo Sindicato dos Metroviários (Sindimetro). O representante da operadora federal dos trens da capital, Adão Guimarães Silva, afirma que os passageiros do Barreiro, embora tenha o Centro como principal destino, terão que descer na estação Nova Suíca e ingressar nos já abarrotados vagões da Linha 1 (Eldorado/Vilarinho). “O estudo da CBTU concluiu que o melhor itinerário seria Barreiro–Santa Tereza (na Região Leste, perto da área hospitalar, passando pela Praça Sete)”, diz. O Sindimetro concorda: “O certo é ir direto do Barreiro à Praça Sete e Santa Tereza. Nem que seja preciso deixar a Linha 3 (Savassi–Lagoinha) para depois”, disse o vice-presidente do sindicato, Romeu José Machado Neto.

O coordenador do projeto do metrô pela Prefeitura de Belo Horizonte, Márcio Duarte, admitiu que o planta, como está, cria um gargalo na Estação Calafate. “Será uma questão operacional. Estamos fazendo estudos e simulações, em busca de soluções. Uma das respostas pode ser o trem da Linha 2 ingressar nos trilhos da Linha 1 e cumprir o restante de seu itinerário até o Centro”, afirma. Especialista em transportes e trânsito, Frederico Rodrigues concorda que “o ideal seria a linha 2 sair do Barreiro direto para o Centro”. Se isso não for feito e o usuário dessa linha tiver que tomar outro trem na Linha 1, “será preciso ampliar a capacidade de funcionamento” da linha 2, constata Rodrigues, doutor em engenharia de transportes. Mas ele considera que o projeto atual “já representa um ganho significativo” e elogia o traçado da Linha 3 (Savassi/Lagoinha). “Atualmente, o trem metropolitano não passa exatamente nos centros de demanda, os locais mais movimentados da cidade, como Praça Sete e Savassi. A Linha 3 corrige esse problema”, analisa. De acordo com a Setop, a capacidade do metrô será ampliada de 200 mil passageiros por dia para 980 mil, após a abertura das novas estações, enquanto o número de vagões aumentará de 100 para 240.