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quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Perdas bilionárias nos trens e metrôs

 


01/12/2021 Valor Econômico Notícias da Imprensa

Valor Econômico (Coluna) – As operadoras de metrôs e trens urbanos alcançaram em outubro o maior índice de recuperação de passageiros perdidos ao longo da pandemia. O número de usuários transportados em dias úteis representou 74% da quantidade registrada antes das medidas de distanciamento social. Há seis meses, ainda durante a segunda onda de covid-19 no Brasil, esse indicador estava em 52%.

Essa é a notícia boa no setor. Agora a ruim: as operadoras acumulam perdas tarifárias (diferença entre bilhetagem esperada e efetivamente verificada) de R$ 15 bilhões desde o início da pandemia, de acordo com a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). Algumas empresas não conseguem reequilibrar seus contatos e veem a recuperação total da demanda cada vez mais longe no calendário, por causa do trabalho remoto e da crise econômica. O projeto de lei que prevê um novo marco legal para o transporte público, do senador Antonio Anastasia (PSD-MG), pode ajudar. Mas está sem sinais de avanço.

Prejuízo se acumula e passageiros voltam aos poucos

“Temos vários fatores que contribuem para a recuperação dos passageiros: aumento da vacinação, volta do trabalho presencial e alta dos combustíveis, que faz muita gente optar pelo transporte coletivo”, diz o presidente do conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores. Para ele, no entanto, a recuperação plena da demanda ainda deve demorar um pouco e talvez nem chegue. “Há especialistas que acreditam em perda permanente, de 15% a 20%, na comparação com o pré-pandemia.”

Outro aspecto que complica o cenário: as seguidas altas da energia elétrica, segundo maior custo operacional das operadoras, atrás apenas da folha de pagamento. Quase todas as empresas do setor estão no mercado livre de energia, com contratos de fornecimento de três a cinco anos, o que ameniza variações abruptas com bandeiras tarifárias e acionamento das térmicas. Mas, para renovar esses contratos em meio à escassez hídrica, vem outra paulada.

Flores explica que as operadoras vivem três situações distintas. Perdas de companhias estatais, como o Metrô de São Paulo e a CPTM, são cobertas – pelo menos parcialmente – pelo orçamento público. A conta vai para o contribuinte. Contratos de concessão ou PPPs mais recentes, como operações de mobilidade do grupo CCR (casos da Linha 4-Amarela em São Paulo ou do metrô de Salvador), têm cláusulas pelas quais o Estado paga a operadora privada quando o número de passageiros fica abaixo de certo patamar. O maior drama é é vivido por quem administra malhas concedidas na década de 1990, como a SuperVia (RJ) e o Metrô do Rio, sem compartilhamento do risco de demanda.

A SuperVia, que administra 270 quilômetros de trilhos e 104 estações, recebia 600 mil passageiros por dia antes da pandemia. Com a chegada do coronavírus, esse número caiu para 180 mil. Atualmente está em 370 mil usuários diários – 62% do que havia no começo do ano passado – no Rio e em outros 11 municípios da Baixada Fluminense. A empresa, hoje controlada pela japonesa Mitsui, imaginava recuperar os índices pré-pandêmicos no fim do ano que vem. Agora passou a previsão para os últimos meses de 2023 ou primeiros meses de 2024. Reflexo do desemprego elevado, consolidação do modelo híbrido de trabalho nos escritórios, muitas lojas e serviços fechados no centro carioca.

Em um pleito de revisão extraordinária do contrato, apresentado pela SuperVia, a agência reguladora estadual aprovou reequilíbrio econômico no valor de R$ 216 milhões. Como não caberia aumento de tarifa (que oneraria ainda mais o usuário) ou extensão contratual (porque a concessão já vai até 2048), ficou decidido um aporte do Estado. Não houve pagamento até agora. “O governo indica que está em regime de recuperação fiscal, que não permite esse tipo de aporte, mas estamos negociando”, afirma o presidente da companhia, Antônio Carlos Sanches.

O índice de reajuste no contrato é o IGP-M, que explodiu na pandemia. A tarifa teve um aumento homologado de R$ 4,70 para R$ 5,90 em fevereiro de 2021. Por ação do Estado e do Ministério Público, foi “só” para R$ 5. Nos próximos dias, a empresa de trens protocola um pedido no qual estima o direito de elevar a tarifa para mais de R$ 7 a partir de fevereiro do ano que vem. “Isso pode ser negociado? Claro que pode, mas precisamos de agilidade. De um lado, temos o investidor com insegurança jurídica. Do outro, o gestor público com medo de tomar decisões. É o apagão das canetas”, diz Sanches.

A cereja desse bolo indigesto: com o aumento da pobreza e a disparada do preço do cobre, o furto de cabos triplicou neste ano. Cabos de energia, de sinalização, tampas de bueiro, postes metálicos, relés de controle da ferrovia com bobinas que valem R$ 100 em ferros-velhos. Cada vez que isso coloca em risco a segurança dos passageiros, os trens param ou ficam mais devagar.

*Daniel Rittner
Iniciou sua carreira no Valor como trainee em 2000. Foi correspondente na Argentina e atualmente é repórter especial e trabalha na sucursal de Brasília

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/coluna/perdas-bilionarias-nos-trens-e-metros.ghtml

 

terça-feira, 30 de junho de 2020

Déficit nos sistemas de passageiros chega a R$ 2,6 bilhões


O déficit dos sistemas metroferroviários com a pandemia do novo coronavírus chega a R$ 2,6 bilhões, segundo informações da ANPTrilhos. Somente na segunda quinzena de março, a redução de receita foi de R$ 500 milhões, enquanto em abril o déficit registrado foi de R$ 1,1 bilhão e em maio em torno de R$ 1 bilhão, informa a associação que representa as operadoras de passageiros. Desde o início do isolamento social, há 80 dias, a demanda nos sistemas sobre trilhos oscila em torno de 30% em relação ao volume de passageiros normalmente transportados pelos sistemas.
A ANPTrilhos tem mantido contato com os órgãos governamentais federais e estaduais para discutir a implementação de medidas de socorro ao setor, mas nenhuma até agora foi efetivada. Entre elas, linha de crédito para fazer frente ao capital de giro das empresas do setor; aprovação de projetos de investimento para fins do financiamento por meio de debêntures incentivadas (Lei nº12.431 e Portaria MC nº 532/17); redução dos encargos setoriais devido ao status de calamidade; isenção de ICMS sobre energia elétrica para o setor; diferimento no pagamento de tributos federais; redução de custos previdenciários; e reabertura do prazo para a opção pelo regime da contribuição substitutiva à contribuição previdenciária sobre folha de salários.
10/06/2020 – Revista Ferroviária


terça-feira, 17 de abril de 2018

Rede metroferroviária brasileira cresce 30 km em 2017



Metrô de Salvador foi responsável por quase 50% do crescimento da rede

A rede de transporte de passageiros sobre trilhos do Brasil cresceu 30,2 km em 2017, superando a expectativa projetada pelos operadores metroferroviários de 29 km. Esse crescimento foi possível com a inauguração de duas novas linhas e a extensão de outras três, ampliando 24 estações de atendimento à população. Os números fazem parte do Balanço do Setor Metroferroviário 2017/2018, divulgado nesta 2ª feira (16/04) pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), em Brasília (DF).

Cerca de 50% desse crescimento se deu com a inauguração da Linha 2 do Metrô de Salvador, com incremento de 14,4 km em apenas 1 ano. O VLT Carioca adicionou mais 5,8km à rede; o VLT da Baixada Santista outros 4,7 km; o Metrô de São Paulo mais 3 km com a ampliação da Linha 5-Lilás e a linha de VLT da CBTU Maceió acrescentou mais 2,3 km de trilhos à malha urbana.

O aumento da capilaridade dos sistemas, com a expansão da rede e as novas estações, possibilitou a estabilidade no volume de passageiros transportados em 2017, totalizando 2,93 bilhões de passageiros. Se a rede não contasse com essa ampliação, o País teria registrado uma queda de 1,2% na demanda de passageiros. O arrefecimento da economia e a queda dos empregos formais são fatores que impactam diretamente na quantidade de passageiros dos sistemas metroferroviários.

O transporte também foi qualificado. A frota trens do Brasil teve renovação recorde em 2017, com a entrada em operação de 719 novos carros de passageiros, que representam um aumento de 15,5% relação ao ano anterior.  Com layout moderno, ar condicionado, sistema multimídia e acessibilidade, a nova frota proporcionará mais conforto às viagens dos cidadãos. 

“O transporte sobre trilhos é um serviço público e de cunho social, com importante papel nos deslocamentos das pessoas nas cidades onde estão instalados, seja para ir ao trabalho, estudar ou para o lazer. A continuidade da expansão da rede e qualificação da malha existente são essenciais para o atendimento adequado à população. É importante e necessário que os novos governantes que se anunciam incluam o transporte entre as suas prioridades de gestão, proporcionando mais qualidade de vida para os cidadãos, que se deslocarão de forma mais eficiente nas cidades, assim como contribuindo para a qualidade ambiental das cidades”, enfatiza Joubert Flores, Presidente da ANPTrilhos.

O documento completo do Balanço do Setor Metroferroviário 2017/2018 pode ser acessado através do link: www.anptrilhos.org.br/o-setor/balancos

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Veja os principais casos da atuação do cartel em metrôs pelo país revelados pela Camargo Corrêa


18/12/2017 - G1

Camargo Correa revelou, em acordo de leniência firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), operações em 21 licitações para obras em metrôs de diferentes estados.Veja os principais detalhes citados no relatório:

- SÃO PAULO: No caso do metrô de São Paulo, por exemplo, são duas obras em que o acordo foi concluído. Elas se referem ao lote 2 e aos lotes 3 e 7 da linha 5 do metrô de São Paulo.

No caso da linha 2, a Camargo cita a existência de "débitos" com a Andrade Gutierrez e com a OAS.

Isso porque as duas empresas teriam concordado em oferecer cobertura (ou seja, fazer ofertas mais caras para permitir a vitória da Camargo) nesta linha. Os débitos seriam referente a isto, chegando a R$ 50 milhões no caso da Andrade.

Segundo a empresa, chegaram a ocorrer cobranças pela Andrade Gutierrez do pagamento deste valor.

Já em relação a linha 5, as empresas concordaram em dividir dois lotes específicos- 3 e 7- por serem os mais caros e que apresentavam maior demanda técnica.

Sobre a participação do governo, há a seguinte referência: "Alguns dos presentes, como Anuar Benedito Caram (Superintendente Comercial e de Obras da Andrade Gutierrez) mencionavam ter interlocução com a CMSP (Câmara Municipal de SP) no sentido de tentar garantir que o Edital restringisse a participação de empresas estrangeiras, dentre outras disposições."

- BRASÍLIA: No caso do metrô de Brasília, fez parte de um acordo concluído mas nunca implementados. No caso do Distrito Federal, diz o relatório, era necessário forte alinhamento com o governo do Distrito Federal [...] para garantir que a licitação seria feita conforme os preços unitários. [...] O intuito do grupo era efetivamente "montar a licitação" para o governo do Distrito Federal, o que compreendia desde a elaboração dos estudos técnicos e projeto base até o próprio edital de licitação".

Dois problemas ocorreram e inviabilizaram o sucesso da empreitada. O primeiro foi a dificuldade do GDF em internalizar os documentos produzidos pelo grupo, porque isto envolveriam o corpo técnico do Metrô. O segundo foi o fato da obra nunca ter ido pra frente.

- CURITIBA E PORTO ALEGRE: Os metrôs de Curitiba e Porto Alegre também fazem parte de acordos que andaram para o grupo - mas as obras não.

No relatório, a Camargo conta que empresas financiariam, juntas, uma estrutura para que técnicos elaborassem estudos de viabilidade que permitissem as empreitadas. As reuniões sobre o tema eram disfarçadas, nos temas de e-mails, como “aulas” ou “grupos de estudo”.

Outro destaque é para o fato de que, ao repassar as planilhas com os custos dos grupos para as empreiteiras, o responsável por isso – executivo da Odebrecht – elaborava planilhas diferentes para cada empresa, com formatação e até cores diferentes.

Segundo a Camargo, o objetivo era saber o responsável por eventuais vazamentos, já que a iniciativa era ilícita.

- FORTALEZA (linha leste do metrô): Há uma extensa troca de e-mails entre o representante da Queiroz Galvão e o da CCCC sobre quem deveria fazer a interlocução com o governo – mas a informação sobre quem era o contato político não consta do relatório (ou está restrita).

Camargo Correa e Queiroz Galvão teriam relatado que pagavam à empresa MWH – contratada pelo governo cearense para dar consultoria na elaboração da licitação – por fora para tentar influenciar o edital.

Segundo a CCCC, um contrato fictício foi elaborado neste sentido, em que a MWH atuaria como consultora para uma licitação que a CCCC disputava em São Paulo. Mas o objetivo era mesmo influenciar a licitação.

Há ainda uma nota de rodapé com a informação de que o governo do Ceará estava ciente do procedimento acima.


Entre os documentos estão projetos de engenharia elaborados pela MWH. Segundo a CCCC, eram parte do material produzido para o governo cearense – mas a CCCC teve acesso a eles em 2010. A licitação só teria saído em 2013.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O Balanço do Setor Metroferroviário foi divulgado nesta 2ª feira (03/04), em Brasília


Malha metroferroviária brasileira deve crescer 216 km nos próximos 5 anos

O Brasil deve ganhar mais 216 quilômetros de trilhos urbanos para o transporte de passageiros nos próximos cinco anos. Esse incremento será possível com a conclusão de 19 projetos já contratados e/ou em execução. A projeção de expansão da rede de transporte de passageiros sobre trilhos faz parte do Balanço do Setor Metroferroviário 2016/2017, divulgado pelo presidente da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), Joubert Flores, nesta 2ª feira (03/04), em Brasília.

No último ano, a rede metroferroviária brasileira expandiu 21,7 quilômetros, totalizando 1.034,4 quilômetros de extensão. Embora abaixo do esperado, a ampliação é positiva e representa um incremento de 2,1%, que foi possível com as inaugurações de trechos da Linha 2 do metrô da Bahia, do VLT Carioca e da Linha 4 do Rio de Janeiro. A projeção de expansão para 2016 era de 50 km.

“A ampliação da rede brasileira de trilhos urbanos foi impactada pela crise econômica do País, mas, mesmo assim, o balanço foi positivo e o setor pôde ampliar a oferta de mobilidade nas cidades onde essas expansões se concretizaram”, explicou o presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores, durante a coletiva de imprensa.

Para 2017, a ANPTrilhos projeta a adição de 29 quilômetros de linhas. Esse benefício será possível através da continuidade das obras da Linha 2 da Bahia e as extensões do VLT Carioca, do VLT da Baixada Santista e do VLT de Maceió. Desses 29 km, já foram inaugurados 6,7 quilômetros, nos meses de janeiro e fevereiro, e o restante está previsto para até o final do ano.

Transporte no Jogos Olímpicos

O transporte foi o grande legado dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, realizados em agosto, na cidade do Rio de Janeiro. Os investimentos realizados na rede de trilhos urbanos garantiram a estruturação da mobilidade na capital fluminense, possibilitando o transporte de 24,5 milhões de pessoas nas linhas de metrô, trem urbano e VLT, que atendem a cidade e a região metropolitana.

A rede de transporte do Rio de Janeiro movimentou no período dos Jogos cerca de 38 milhões de passageiros, sendo os sistemas sobre trilhos responsáveis por 65% do transporte de passageiros na cidade do Rio de Janeiro.

O Balanço completo do Setor Metroferroviário está disponível no link: http://anptrilhos.org.br/o-setor/balancos/  .

A coletiva de imprensa contou ainda com a participação do diretor executivo da ANPTrilhos, João Gouveia; do diretor de planejamento, Conrado Grava de Souza; diretor de novos mercados, Rodrigo Otaviano Vilaça; e da superintendente da ANPTrilhos, Roberta Marchesi.

Setor Metroferroviário amplia quadro de funcionários próprios

Na contramão dos índices de desemprego no Brasil, o setor de transporte de passageiros sobre trilhos registrou um aumento nas contratações de funcionários próprios em 2016, totalizando cerca de 32 mil empregados diretos.  As informações sobre a geração de empregos no País estão contempladas no Balanço do Setor Metroferroviário 2016/2017, divulgado pela ANPTrilhos, nesta 2ª feira (03/04), em Brasília.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores, ressaltou que a entidade é otimista em relação à retomada dos investimentos no setor. “Mantemos a estimativa de expansão do quadro de colaboradores, com a projeção de chegar a 60 mil empregados até 2020”, explicou o executivo.

Passageiros Transportados

O principal motivo de viagens dos passageiros dos sistemas urbanos de trilhos é o deslocamento para o trabalho. O aumento da taxa média de desemprego no Brasil em 2016 refletiu de forma discreta na quantidade de passageiros transportados, que apresentou uma redução de 0,2% em relação à 2015.  Os sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos transportaram 2,91 bilhão de passageiros no ano passado.

“Esse impacto foi atenuado pelo início de operação de novos trechos e a realização do Jogos Rio 2016”, explicou Joubert Flores.

O Balanço completo do Setor Metroferroviário 2016 / 2017 está disponível no link: http://anptrilhos.org.br/o-setor/balancos/  .


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CNT lança estudo metroferroviário inédito

12/12/2016Releases ANPTrilhos

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou nesta 2ª feira (12/12) o estudo “Transporte & Desenvolvimento: Transporte Metroferroviário de Passageiros”, uma publicação inédita sobre o transporte de passageiros sobre trilhos no Brasil. O lançamento foi realizado na sede da CNT, em Brasília, pelo diretor executivo da CNT, Bruno Batista, e contou com a participação do presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores, e da superintendente da ANPTrilhos, Roberta Marchesi. A ANPTrilhos colaborou com indicadores do estudo.
O levantamento apresenta as características dos sistemas metroferroviários brasileiros, assim como análises do contexto que eles estão inseridos, os entraves para o desenvolvimento e propostas de soluções para essas barreiras. “As cidades têm que crescer de uma forma planejada e estruturada”, explicou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, ao apresentar os dados.
RESUMO DO ESTUDO:

SISTEMAS TRANSPORTAM 2,5 BILHÕES DE PASSAGEIROS/ANO

Os sistemas metroferroviários do Brasil transportam cerca de 2,5 bilhões de passageiros por ano. A Região Metropolitana de São Paulo representa 71,1% dessas viagens, o que corresponde a 1,8 bilhão de passageiros/ano somente nessa área.

Os maiores percentuais de entrada de passageiros concentram-se na região Sudeste, com 90,3% do total, seguida do Nordeste, com 5,7% - sendo 4,6% apenas na Região Metropolitana do Recife -, do Sul (2,3%) e do Centro-Oeste (1,7%).

Em dias úteis, 8,5 milhões de pessoas deslocam-se nos sistemas metroferroviários brasileiros, sendo que o da Região Metropolitana de São Paulo transporta 5,9 milhões, representando 70,4% do total.

BRASIL TEM 667 KM DE LINHAS DE TRENS DE PASSAGEIROS E 309,5 KM DE LINHAS DE METRÔS

Em todo o território brasileiro, são 1.062 km de linhas metroferroviárias em 2016. A maior extensão (667 km) é de malha de trem metropolitano, seguido de metrô (309,5 km) e de VLT (85,7 km). As regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro concentram mais de 60% da extensão total, 334,9 km e 306,1 km, respectivamente.

Não houve no Brasil um critério geral para a implantação das redes sobre trilhos. Em muitos casos, os traçados dos sistemas existentes aproveitaram antigas redes ferroviárias de cargas para o transporte de passageiros. Em outros, os sistemas foram implantados em traçados inteiramente novos. Qualquer que seja o caso, o estudo da CNT evidencia que as decisões de implantação de sistemas metroferroviários devem obedecer a critérios de demanda, que justifi quem a seleção de modais de maior capacidade.

EM 5 ANOS, DEMANDA CRESCE 37,4%

Em cinco anos, de 2011 a 2015, o número de entradas de passageiros no sistema metroferroviário brasileiro, em dias úteis, aumentou 37,4%. Houve ampliação de 76 km da extensão dos sistemas nesse período (de 931 km, em 2011, para 1.007 km, em 2015).

Entretanto, a melhoria no desempenho dos sistemas não está relacionada somente a essa ampliação, mas também ao aumento da oferta e da capacidade da malha existente. Nesse período de análise, houve redução de 28,7% no intervalo entre trens e aumento de 22,9% no número de carros.

SÓ 26,2% DOS RECURSOS AUTORIZADOS FORAM INVESTIDOS EM 2015

A dificuldade na execução de investimentos públicos representa um entrave para a expansão e para a melhoria do sistema metroferroviário brasileiro. Para se ter uma ideia, em 2015, o governo federal gastou somente 26,2% dos recursos que haviam sido autorizados nos Estados que possuem sistemas metroferroviários.

Isso signifi ca cerca de R$ 800 milhões de um montante autorizado de R$ 3,04 bilhões. O dado analisado no estudo da CNT indica falha entre o planejamento dos investimentos em infraestrutura de transporte e a execução governamental. É um problema que se repete nos diferentes modais e que precisa de solução.

FINANCIAMENTO PRIVADO PODE ACELERAR INVESTIMENTOS

Diante das difi culdades de execução dos investimentos públicos, a CNT considera necessário haver uma estratégia sólida que permita que os projetos sejam capazes de atrair o investimento privado. Tanto para as empresas estatais, quanto para concessões ou para as PPPs (Parcerias Público-Privadas), o fi nanciamento privado de projetos metroferroviários reduz a dependência de recursos públicos. Isso torna mais dinâmico o processo entre a tomada de decisão e a execução do investimento.

CRESCIMENTO ECONÔMICO PRESSIONA SISTEMAS DE TRANSPORTE

O estudo alerta que, uma vez que investimentos no transporte metroferroviário requerem planejamento de longo prazo, a atual crise econômica não pode paralisar os projetos relacionados ao modal. Isso porque a retomada da trajetória de crescimento da atividade econômica deve pressionar, ainda mais, os sistemas mais concorridos.

Para se ter uma ideia, entre 2011 e 2015, período em que o PIB expandiu 5% no Brasil, o número de pessoas formalmente contratadas aumentou 9,1%. Isso representou 3,99 milhões de pessoas a mais em deslocamentos diários nas cidades. O modal metroferroviário teve aumento de 6,5% no volume de passageiros transportados ao ano, o que signifi cou 170 milhões de usuários a mais de 2012 a 2015.

A saturação da infraestrutura metroferroviária diminui o potencial de captação de usuários, apesar da demanda com tendência crescente. Esse fator, aliado à falta de mecanismos que estimulem o uso de modos de transporte coletivo implica aumento de congestionamentos e consequente redução da velocidade média no transporte rodoviário. O resultado impacta diretamente na movimentação de passageiros e também nos custos logísticos das empresas e na qualidade de vida da população.

UM EM CADA 6 HABITANTES DE SÃO PAULO USA METRÔ EM DIAS ÚTEIS

Ao considerar somente o metrô da cidade de São Paulo, um em cada seis habitantes em média utiliza esse meio de transporte nos dias úteis. São 3,7 milhões de passageiros transportados em dias úteis, o que representa 69,9% do total dos metrôs no país. As maiores demandas por extensão de linha operacional são registradas na ViaQuatro (que é concedida à iniciativa privada) e no Metrô SP, respectivamente com mais de 70 mil e 40 mil entradas de passageiros por quilômetro de linha nos dias úteis.

METRÔ DE SÃO PAULO TEM O MENOR TEMPO DE ESPERA ENTRE TRENS

O tempo que o passageiro espera por um trem do sistema metroferroviário varia muito nas diferentes regiões do país. O Metrô SP (que inclui 5 linhas) tem menor intervalo entre trens no Brasil (1 minuto e 43 segundos) em horários de pico. Seguido da ViaQuatro, também em São Paulo (2 minutos e 2 segundos); MetrôRio (2 minutos e 35 segundos); Metrô BH (3 minutos 22 segundos); Metrô DF (3 minutos e 40 segundos) e Metrô Recife (4 minutos e 24 segundos).

Os maiores intervalos de espera no sistema metroferroviário do país ocorrem em Natal (RN), com 1 hora e 37 minutos, e em João Pessoa (PB), com 1 hora e 9 minutos, ambos em trens metropolitanos.

EMISSÕES SÃO 36 VEZES MENORES QUE AS DE AUTOMÓVEIS

Além do menor tempo de espera e das maiores velocidades comerciais, há outro fator positivo no transporte sobre trilhos. Sistemas movidos a eletricidade (como metrôs e VLTs) emitem menor quantidade de poluentes atmosféricos e permitem maior efi ciência energética.

Na prática, enquanto o metrô emite 3,5 gramas de CO2 por km por passageiro, o automóvel emite 126,8 gramas, 36 vezes mais. As motocicletas, 71,1 g (20 vezes mais), e os ônibus, 16 g (4 vezes mais).

Na perspectiva ambiental, esse é o maior benefício do transporte ferroviário urbano de passageiros: a redução das emissões de poluentes. Na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o Brasil estabeleceu a meta individual de, até 2025, reduzir as emissões em 37% em relação aos níveis de 2005. Entre as medidas necessárias, está a maior participação de fontes com baixo nível de emissões na matriz energética. Para os sistemas metroferroviários com tração a diesel, duas alternativas aliadas a essa concepção são o aumento do percentual de biodiesel no diesel utilizado e a transição para a tração elétrica.

Clima, o Brasil estabeleceu a meta individual de, até 2025, reduzir as emissões em 37% em relação aos níveis de 2005. Entre as medidas necessárias, está a maior participação de fontes com baixo nível de emissões na matriz energética. Para os sistemas metroferroviários com tração a diesel, duas alternativas aliadas a essa concepção são o aumento do percentual de biodiesel no diesel utilizado e a transição para a tração elétrica.


terça-feira, 19 de julho de 2016

Mais malha metroferroviária


14/07/2016Clipping do Dia ANPTrilhos


O ano de 2016 deve fechar com uma das maiores expansões do transporte de passageiros sobre trilhos das últimas duas décadas no Brasil, com incremento de 50,2 quilômetros aos 1.012 quilômetros de trilhos urbanos existentes. O resultado depende do início das operações de quatro novos sistemas, marcado para este ano: a Linha 4 do Metrô da cidade do Rio de Janeiro; a primeira etapa do VLT da zona portuária e central, também na cidade do Rio; a extensão do VLT da Baixada Santista (SP); e a primeira fase da Linha 2 do Metrô de Salvador (BA). Os dados são da ANPTrilhos e integram o Balanço do Setor Metroferroviário 2015/2016. Contudo, os impactos da atual crise política e econômica, que desacelerou a execução de obras e projetos em infraestrutura, devem ter reflexos negativos para o setor ao longo dos próximos anos.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Rede de transportes sobre trilhos avançou só 10,4 km no Brasil em 2015



Número três vezes menor do que a expansão de 30 km registrada em 2014. Em 2016 país deve ganhar 50,2 km de novas linhas, segundo ANPTrilhos
A rede brasileira de transporte de passageiros sobre trilhos cresceu apenas 1% em 2015, com uma ampliação de parcos 10,4 quilômetros. Segundo balanço do setor divulgado pela a ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), o número é três vezes menor do que o avanço registrado em 2014, quando foram inaugurados 30 km de novas linhas.
Em 2015, foi concluída a Linha 1 do Metrô de Salvador, com 4 km, e o primeiro trecho do VLT da Baixada Santista, com 6,4 km. As duas linhas estão em operação comercial desde janeiro de 2016. Com essas obras, a rede de metrô, trens, VLTs e monotrilho atingiu 1.012 km em trilhos urbanos. Para efeito de comparação, apenas a rede de metrô da cidade de Londres conta com mais de 400 km de extensão.
O ritmo de expansão da rede sobre trilhos no Brasil segue lento e abaixo até do crescimento da demanda. Os dados da ANPTrilhos mostram que o volume de passageiros transportados nos sistemas cresceu 1,7% em 2015, totalizando 2,92 bilhões usuários, contra 2,87 bilhões atendidos em 2014.
Obras previstas para 2016
Apesar da recessão e das dificuldades orçamentárias enfrentadas pelos Estados e União, o setor mantém a previsão de entrega da entrega de 50,2 km em novas linhas em 2016, que, se confirmada, será a maior expansão da rede dos últimos 20 anos, segundo a associação.
Para o ano estão previstas as inaugurações, no Rio de Janeiro, da Linha 4 do Metrô (16 km) e da primeira etapa do VLT (21 km), a extensão do VLT da Baixada Santista (4,7 km), em São Paulo, e a primeira fase da Linha 2 do Metrô de Salvador (8,5 km).
Segundo a superintendente da ANPTrilhos, Roberta Marchesi, as inaugurações previstas para o ano estão com as obras dentro do prazo. “O VLT já inaugurou o primeiro trecho com 18 km. A linha 4 do metrô do Rio começa a operação restrita já para a Olimpíada, em agosto. A extensão do VLT da Baixada Santista está garantida e as obras em Salvador também estão bastante adiantadas”, afirma.
Previsão de mais 277 km até 2020
A escassez de recursos e retração dos investimentos, no entanto, já afetaram o ritmo ou mesmo paralisaram algumas obras. No balanço do ano anterior, a ANPTrilhos projetava que a rede de trilhos chegaria a 1.338 km em 2020. Agora, a estimativa é que sejam concluídos nos próximos 4 anos um total de 277 km de novas linhas, elevando o tamanho da rede dos atuais 1.012 km para 1.289 km.
Em tempo de ajuste fiscal e crise orçamentária, o maior desafio é conseguir garantir a manutenção dos investimentos para os projetos já licitados e contratados. “Precisamos ter a garantia dos governos estaduais e federal que eles irão manter os cronogramas das obras”, diz a superintendente da associação da indústria metroferroviáriaas e concessionárias.
Crédito do BNDES cresce 49%
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) segue como o principal agente financeiro deste tipo de projeto de infraestrutura. Segundo o balanço, o banco estatal aumentou em 49% o volume de recursos para obras de metrô, trens, VLT s e monotrilhos. Em 2015, o BNDES liberou R$ 7,6 bilhões para projetos metroferroviários ante R$ 5,1 bilhões no ano anterior.
O montante desembolsado foi destinado aos projetos da Linha 4, VLT da zona central e portuária e SuperVia, no Rio de Janeiro; para as linhas 15-Prata, 5-Lilás, 2-Verde, 6-Laranja e para os trens da CPTM, em São Paulo; e para o Metrô de Salvador, na Bahia.
Déficit de trilhos no país
Apesar das indiscutíveis vantagens comparativas, o transporte de passageiros sobre trilhos está em operação em menos da metade dos estados do país. Segundo o balanço, o Brasil reúne atualmente 20 sistemas de transporte urbano de passageiros sobre trilhos, restritos a apenas 12 regiões metropolitanas situadas em 11 estados e no Distrito Federal.
“O Brasil possui 22 regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes – regiões altamente adensadas que já demandariam algum tipo de sistema sob trilhos”, avalia Roberta Marchesi.
Além das obras de expansão, estão em andamento no país 11 projetos de novas linhas, mas todos em regiões que já contam com algum sistema de transporte sobre trilhos. Entre eles, 6 estão sendo concebidos no regime de parceria público-privada (PPP).
“A expansão da rede tem sido muito pequena. Nos últimos 5 anos, o setor tem crescido por volta de 1%. Precisamos até 2020 contratar uma outra série de projetos para garantir o investimento e o crescimento dessa rede”, afirma Roberta Marchesi, lembrando que, após a contratação, as obras deste tipo de projeto costumam levar pelo menos 5 anos para serem entregues.
Como bom exemplo para o país, ela cita o caso do metrô de Salvador. “Tiraram do papel um projeto que estava há mais de 15 anos parado. Dentro de 1 ano conseguiram passar da assinatura para a operação, entregando 4 quilômetros em 2015. Para 2016, está prevista a primeira fase da linha 2 com mais 8,5 km e a previsão para 2017 é que o metrô de Salvador será o terceiro maior sistema metroviário do Brasil com 41 km, perdendo só para São Paulo e Rio”, comenta.
Confira a seguir a lista de projetos contratados e com potencial para contratação e início das obras até 2020 em 15 estados e no DF:
PROJETOS CONTRATADOS E EM EXECUÇÃO
METRÔ
BA Metrô de Salvador – Linha 2 – Implantação
CE Metrô de Fortaleza – Linha Leste – Implantação
PE CBTU Recife – Linhas Sul e Centro – Modernização e Ampliação
RJ Metrô do Rio de Janeiro – Linha 4 – Implantação
SP Metrô de São Paulo – Linha 2 Verde – Extensão
SP Metrô de São Paulo – Linha 4 Amarela – Extensão
SP Metrô de São Paulo – Linha 5 Lilás – Extensão
SP Metrô de São Paulo – Linha 6 Laranja – Implantação
TREM URBANO
SP CPTM – Linha 9 Esmeralda – Extensão
SP CPTM – Linha 13 Jade – Implantação
VLT
CE VLT de Fortaleza (Parangaba-Mucuripe) – Implantação
GO VLT de Goiânia – Implantação
MT VLT de Cuiabá – Implantação
RJ VLT da área central e portuária do Rio de Janeiro – Implantação
SP VLT da Baixada Santista – Extensão
MONOTRILHO
SP Monotrilho da Linha 15 Prata – Extensão
SP Monotrilho da Linha 17 Ouro – Implantação
SP Monotrilho da Linha 18 Bronze – Implantação

PROJETOS COM POTENCIAL PARA CONTRATAÇÃO OU INÍCIO ATÉ 2020
METRÔ
DF Metrô de Brasília – Linhas Ceilândia, Samambaia e Asa Norte – Expansão
MG CBTU Belo Horizonte – Linha 2 – Implantação
MG CBTU Belo Horizonte – Linha 3 – Implantação
PR Metrô de Curitiba – Linha 1 – Implantação
RJ Metrô do Rio de Janeiro – Linha 3 São Gonçalo/Niterói – Implantação
RJ Metrô do Rio de Janeiro – Linha 2 – Expansão
RS Metrô de Porto Alegre – Linha 1 – Implantação
TREM URBANO
MG Novo Eldorado/Belvederi – Implantação
PI Metrô de Teresina – Modernização
AEROMÓVEL
RS Aeromóvel de Canoas – Implantação
VLT
AL CBTU Maceió – Modernização e Expansão
AL VLT Maceió – Aeroporto/Maceió – Implantação
BA VLT de Salvador – Remodelação
DF VLT do Eixo Monumental de Brasília – Implantação
DF VLT da W3 de Brasília – Implantação
PB CBTU João Pessoa – Modernização
PE CBTU Recife – Modernização
RJ VLT da Zona Sul do Rio de Janeiro – Implantação
RN CBTU Natal – Modernização
MONOTRILHO
AM Monotrilho de Manaus – Implantação
TRENS REGIONAIS
DF | GO Trem Brasília/Goiânia – Implantação
DF | GO Trem Brasília/Luziânia – Implantação
PR Trem Londrina/Maringá – Implantação
SP Trens Intercidades – Implantação

09/06/2016 – G1, em São Paulo

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Joubert Flores faz balanço do setor metroferroviário

Joubert Fortes Flores Filho é Engenheiro Eletricista graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, com MBA em Gerência de Energia pela EBAPE/FGV. Exerce, concomitantemente, os cargos de Diretor de Engenharia do MetrôRio,  membro do Conselho Diretor da ANTP, a Presidência da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), e também a presidência a Comissão Metro-Ferroviária da ANTP.
Joubert concedeu entrevista para o portal da ANTP, em que fala sobre os principais assuntos que formam a pauta do setor metroferroviário hoje no país.

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ANTP = "Investir no transporte contribui para melhorar a eficiência produtiva da população”. Esta frase é sua, dita numa entrevista logo após a criação da ANPTrilhos, no início de 2011. Àquela época havia uma expectativa de fortes investimentos no setor metroferroviário, o que era reforçado por dois megaeventos que o Brasil iria sediar: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Que balanço você faz agora, um ano após a Copa e às vésperas das Olimpíadas? O legado é o esperado, ou você acha que muito mais poderia ser feito?
JOUBERT FORTES FLORES FILHO – Continuamos defendendo os investimentos em transporte público para melhorar a mobilidade dos cidadãos, proporcionando menor tempo de trânsito e mais qualidade de vida.
Com a realização da Copa do Mundo no Brasil, o setor metroferroviário esperava a conclusão de cinco novos projetos, que tinham recursos garantidos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) e do PAC Copa: Monotrilho de Manaus (AM), VLT de Cuiabá (MT), VLT de Brasília (DF), Monotrilho Linha 17 (SP) e VLT de Fortaleza (CE) – o que consolidaria 79,4 km em novas linhas. No entanto, nenhum destes projetos foi finalizado.
Dessa forma, a rede metroferroviária brasileira continua registrando um crescimento pouco significativo: apenas 3% em 2014. Isso já considerando as linhas que ainda não estão em operação comercial, mas que já estão em regime de operação assistida.
Em relação às Olimpíadas de 2016, o Rio de Janeiro está se preparando para receber os Jogos e executando os projetos metroferroviários para garantir a mobilidade dos cidadãos. Temos a renovação das linhas da SuperVia, modernização das linhas do metrô, a construção da Linha 4 e as seis linhas de VLT integradas ao projeto do Porto Maravilha, que visam, além da melhoria da infraestrutura de transporte, a revitalização de toda a área central da cidade. Essas obras serão um legado dos jogos para a cidade e ajudarão a melhorar a modalidade na cidade, com sistemas eficientes e que reduzirão o tempo de viagem das pessoas, proporcionando mais qualidade de vida para a população carioca.
O legado da Copa ainda não se concretizou, mas estamos otimistas de que a estrutura para as Olimpíadas será toda concluída e de que, em mais alguns anos, a população usufruirá dos projetos iniciados para a Copa.

ANTP = Um dos grandes desafios do setor metroferroviário está em compatibilizar a expansão da infraestrutura com o crescimento da demanda, que tem crescido de forma mais rápida. Quais projetos seriam urgentes para mitigar esse problema?
JOUBERT FORTES FLORES FILHO – Os investimentos nos sistemas metroferroviários brasileiros não conseguem acompanhar o mesmo ritmo de crescimento da demanda de passageiros. Atualmente, há 63 médias e grandes regiões metropolitanas e só 12 possuem algum tipo de sistema de transporte de passageiros sobre trilhos. A taxa de crescimento da população brasileira exige um melhor planejamento da mobilidade urbana, obrigando as cidades a estruturar suas redes de forma integrada.
Um sistema de transporte eficiente é fundamental para a mobilidade dos cidadãos, sem perda de tempo no trânsito e levando-os ao destino com rapidez e segurança. Além disso, proporciona mais qualidade de vida para as pessoas e qualidade ambiental para as cidades.
Temos hoje 18 projetos já contratados ou em execução para construção de mais 264 quilômetros de trilhos. Além disso, o setor metroferroviário tem mais de 50 projetos, divididos entre implantação de novos sistemas, ampliação e/ou modernização das linhas existentes, sistemas e telecomunicações, e ampliação da frota.
Apesar da grande quantidade de investimentos, eles ainda são insuficientes, pois não correspondem a todas as necessidades da população e não seguem o crescimento da demanda. Ainda há a necessidade de mais investimentos para a implantação e ampliação dos sistemas, aumento da frota e modernização. As cidades estão crescendo e se desenvolvendo rapidamente e necessitam pensar sua mobilidade em um cenário de, pelo menos, 10 anos. Inserir o transporte metroferroviário de passageiros nesse planejamento é uma das premissas para dignificar o transporte da população.

ANTP = Levantamento recente da ANPTrilhos aponta que existem 18 projetos já contratados ou em execução para construção de mais 264 quilômetros de trilhos. Diante da crise econômica atual, é possível alimentar expectativa quanto à conclusão e início das operações, ainda mais com os recentes casos de corrupção envolvendo grandes empresas do setor?
JOUBERT FORTES FLORES FILHO – O Brasil tem importantes projetos voltados para a mobilidade urbana. Apesar da histórica falta de investimentos para a ampliação da rede metroferroviária de transporte de passageiros, o país tem buscado resgatar esse déficit de investimento. São mais de 50 projetos, divididos entre implantação de novos sistemas, ampliação e/ou modernização das linhas existentes, sistemas e telecomunicações, e ampliação da frota.Temos a expectativa de que todos os projetos serão concluídos.
Apesar do atual momento econômico do Brasil, a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) acredita que os investimentos iniciados não serão paralisados e que esses 264 quilômetros estejam concluídos  nos próximos anos.

ANTP = Você acredita na criação de um fundo de investimentos para projetos de transportes sobre trilhos? Caso sim, como ele poderia ser estruturado e como os municípios poderiam ter acesso aos recursos?
JOUBERT FORTES FLORES FILHO – A criação de um fundo de investimentos voltado para a estruturação de um banco de projetos para transporte de passageiros sobre trilhos é um dos pleitos da ANPTrilhos e faz parte da Agenda de Governo 2015-2018 do Setor Metroferroviário Brasileiro.
A ideia de instituir o fundo é para que sejam desenvolvidos projetos bem estruturados, que não só identifiquem a viabilidade da infraestrutura proposta, bem como, definam todos os detalhes necessários para a correta adequação dos projetos as demandas estimadas.
Atualmente, os sistemas metroferroviários estão restritos a apenas 12 regiões metropolitanas. A malha metroferroviária conjunta das cinco principais operadoras do País não atinge 750 km, sendo que 330 km estão instalados em São Paulo.
Dado o atual estágio de evolução do País, não se pode mais pensar em transporte urbano de forma isolada. Os grandes centros estão se desenvolvendo muito rápido e a população está cada vez maior e o transporte sobre trilhos é fundamental nesse contexto para dar maior fluidez à mobilidade, transportando os passageiros de forma moderna, segura, ordenada, rápida e sustentável nas cidades.  Desse modo, propõe-se que haja um efetivo desenvolvimento de projetos de mobilidade urbana que considerem o modal metroferroviário, tornando-os uma referência e um estímulo à implantação de novos empreendimentos de transporte sobre trilhos.
O Ministério das Cidades é o responsável pela elaboração de políticas públicas voltadas para a mobilidade urbana brasileira. Nesse sentido, caberia ao Ministério das Cidades à criação e gestão desse fundo de investimentos para financiar a realização de projetos metroferroviários voltados para a mobilidade urbana de passageiros sobre trilhos.
A ANPTrilhos também defende  o fundo de investimentos para projetos de trens regionais, neste caso, com gerência do Ministério dos Transportes.

ANTP = Para a atualização da malha serão necessárias novas tecnologias para o transporte metroferroviário. Mas sabemos que isso só será possível se projetos como a expansão dos trens paulistas saírem do papel. Como você vê isso?
JOUBERT FORTES FLORES FILHO – As tecnologias avançam diariamente e precisam ser acompanhadas. Além de expandir a rede metroferroviária do País, o setor metroferroviário nacional precisa progredir na modernização dos sistemas existentes para acompanhar o desenvolvimento tecnológico já atingido por outros países, visando padrões de excelência em velocidade das composições, aumento de produtividade e ampliação da capacidade instalada.
A ANPTrilhos vem trabalhando nesse sentido, buscando parcerias internacionais para o aprimoramento do transporte de passageiros sobre trilhos. Uma ação recente foi um acordo de US$ 650 mil, cerca de R$ 2,2 milhões, com a U.S. Trade and Development Agency (USTDA) para a realização de estudos que envolvem a área de vídeomonitoramento embarcado nos trens de passageiros. Os estudos serão focados na área de comunicação operacional, enfocando a parte regulatória, técnica e tecnológica para a transmissão, em tempo real, das imagens dos trens de passageiros para os Centros de Controle Operacional (CCO), interligados com sistemas de segurança pública. A USTDA publicou nos Estados Unidos a chamada para o envio de propostas até o dia 29 de outubro.
Esse estudo vai beneficiar não só os operadores metroferroviários, mas, principalmente, os usuários dos sistemas de transportes de trens de passageiros no Brasil e os formuladores de políticas públicas, que poderão utilizar o estudo como base para a área de transporte urbano.

ANTP = Que balanço se pode fazer das concessões no setor metroferroviário?
JOUBERT FORTES FLORES FILHO – Com a chegada das concessões na área metroferroviária de passageiros, as operadoras têm os desafios do aumento do transporte e a redução dos custos operacionais.  A qualidade da operação e o atendimento aos passageiros são primordiais, assim como a realização de investimentos, públicos ou privados, para o bom desempenho dos sistemas.
O Brasil conta com níveis de excelência no transporte de passageiros sobre trilhos. Indicadores de produtividade colocam o Metrô de São Paulo entre os melhores do Mundo, assim como a Linha 4-Amarela, operada pela ViaQuatro.
A chegada das concessões contribuiu para acelerar os investimentos privados. Sem dúvida, a iniciativa privada é um importante parceiro para projetos e na área metroferroviária não seria diferente.
O aprimoramento do processo de concessão facilitou os investimentos em aquisições de equipamentos, modernização da manutenção e melhorias nos serviços ofertados.
A ANPTrilhos defende que o investimento seja realizado de forma a ter excelentes projetos, operação e atendimento aos passageiros dos sistemas sobre trilhos. E essa parceria entre o público e o privado é primordial.

ANTP = Por fim, mas não menos importante: além da questão da infraestrutura, um dos grandes desafios do setor metroferroviário está na qualificação técnica dos profissionais do setor. Como está isso? As empresas operadoras estão investindo em RH?
JOUBERT FORTES FLORES FILHO – Os operadores metroferroviários de passageiros realizam constantes processos de capacitação e aprimoramento de seus profissionais. Esses trabalhos são desenvolvimentos nas áreas administrativas, operacionais e de atendimento aos passageiros. Constantemente, os funcionários passam por treinamentos em simuladores operacionais. Além disso, são firmadas parcerias com universidades para cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, e cursos internos.
Durante a Copa do Mundo de 2014, os operadores realizaram módulos de treinamento para atender os passageiros durante os jogos, incluindo cursos de inglês para a recepção aos estrangeiros. Os avisos sonoros dentro dos trens também passaram a ser bilíngue.
Em relação a recursos humanos, em 2014, a geração de empregos subiu mais 8%, o que representa um aumento de 2.780 contratações.

Entrevista concedida a Alexandre Pelegi, ANTP 

País tem mais de 20 projetos metroferroviários para minimizar problema de mobilidade urbana

Qua, 23 de Setembro de 2015 22:21
Ampliação e modernização de frotas e linhas existentes são algumas das soluções que estão sendo colocadas em prática para sanar os gargalos de infraestrutura, segundo ANPTrilhos. Alstom investe em soluções de olho no potencial latino-americano.
Em nove das maiores regiões metropolitanas do Brasil, o tempo médio gasto no trânsito é de 82 minutos, segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O crescimento desordenado das cidades e o excesso de veículos têm sido os principais entraves para o desenvolvimento socioeconômico. A chave para solucionar os problemas de infraestrutura do País está na mão da mobilidade urbana, conceito que o Governo Federal, em parceria com instituições e empresários, vem tentando colocar em prática para superar os gargalos logísticos.
Considerada uma das protagonistas dos meios de transportes por ser uma alternativa eficiente em termos de locomoção, as ferrovias têm recebido diversos investimentos. Segundo a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), entidade apoiadora da NT Expo - 18ª Negócios nos Trilhos, principal evento do setor metroferroviário da América do Sul, existem mais de 20 projetos voltados ao setor, que estão divididos entre implantação de novos sistemas, ampliação e modernização das linhas existentes e ampliação da frota.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o Governo do Estado empenhou esforços para renovar quatro linhas do sistema de trens urbanos; ampliar e modernizar as linhas de metrô e construir as linhas 3 e 4 de metrô para atender à demanda das Olimpíadas de 2016. Além disso, serão integradas seis linhas de VLT ao projeto do Porto Maravilha, que além de contribuir para a melhoria da infraestrutura de transporte, irá ajudar na revitalização de toda a área central da cidade.
Já em São Paulo serão entregues duas novas estações da Linha 4-Amarela e as obras de modernização das linhas da CPTM devem ser concluídas. Na Baixada Santista, o VLT já está sendo testado em São Vicente. Também estão em construção os monotrilhos das linhas 15-Prata e 17-Ouro e a expansão da Linha 5-Lilás, segundo a associação. No nordeste do País, o Metrô Bahia deve entregar ainda este ano o primeiro trecho da Linha 2, que vai da estação acesso Norte à estação Rodoviária, com 2,2 km. O segundo trecho desta linha deve ser entregue em 2016, com quatro novas estações, somando mais 6,5 km de vias.
A superintendente da ANPTrilhos também informou que a CBTU está fazendo obras de melhorias em seus sistemas de João Pessoa (PB), Maceió (AL), Natal (RN) e Recife (PE), com conclusões previstas até o ano que vem. O Governo do Ceará está com obras em andamento em Fortaleza, com ampliação de linhas e a construção do VLT. Além disso, ainda estão em andamento as construções dos VLTs de Cuiabá (MT) e Goiânia (GO). Espera-se ainda a licitação para a expansão do metrô de Brasília e conclusão de três estações; o trem Brasília-Luziânia; e os trens regionais de São Paulo.

“Apesar do ajuste fiscal do Governo Federal, que reflete na restrição dos orçamentos dos Estados, acreditamos que os investimentos em mobilidade urbana serão conservados para afirmar que os projetos já iniciados sejam finalizados, garantindo a ampliação da mobilidade urbana dos principais centros, a melhoria da qualidade ambiental das cidades e da qualidade de vida dos brasileiros”, conta Roberta Marchesi.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

ANPTrilhos divulga balanço anual do setor metroferroviário 2014/2015


- Metrô e trens só aumentaram em 4,4% o transporte de passageiros em 2014. Nos anos anteriores, a elevação anual era de cerca de 10% ao ano.
- Em 2014, foram construídos apenas 30km de novas linhas em todo o país.
- Operadores metroferroviários apontam aumento de 95% na energia elétrica e defendem ajuste nas receitas.
- Projetos metroferroviários do RJ para as Olimpíadas 2016 estão em dia com os cronogramas.

Em 2014, o setor metroferroviário brasileiro chegou próximo ao limite da sobrecarga de passageiros, ao ver desabar a evolução do número de pessoas transportadas. De 2010 a 2013, o número de passageiros aumentava cerca de 10% ao ano. De 2013 para 2014, a evolução foi de apenas 4,4%, ou seja, de 2,747 bilhões para 2,868 bilhões de cidadãos, informa a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos - www.anptrilhos.org.br), que representa 99,7% dos operadores públicos e privados de trens de passageiros e de metrôs do Brasil. 

A entidade divulgou nesta segunda-feira (06/04), em Brasília, o “Balanço do Setor Metroferroviário 2014/2015”. O estudo mostra que a expansão da rede metroferroviária segue em ritmo lento, tanto que apenas 30km de novas linhas férreas para passageiros foram construídas em 2014, um crescimento de apenas 3% em quilometragem de novos trilhos. (leia mais adiante)

“A sobrecarga dos sistemas metroferroviários, que observamos, tem sido indicada por nossa Associação nos últimos anos: o Brasil precisa aperfeiçoar suas políticas voltadas tanto à expansão quanto à modernização deste transporte público – e com urgência. Afinal, os sistemas sobre trilhos transportam 9,8 milhões de passageiros diariamente”, afirma Roberta Marchesi, Superintendente da ANPTrilhos. 

Agenda de projetos e propostas
Segundo a executiva, a ANPTrilhos finaliza documento setorial com diversas propostas e análises técnicas, que tem por objetivo embasar futuras políticas públicas. “Esta agenda de projetos e propostas será entregue aos poderes Executivo e Legislativo, agora em abril, como forma de contribuição dos operadores metroferroviários às autoridades responsáveis pela formulação das políticas públicas de transporte”, diz a Superintendente.

“Embora devamos reconhecer os esforços dos governos em direcionar recursos financeiros para a expansão dos sistemas sobre trilhos, infelizmente, não é suficiente; é preciso mudar a legislação, desenvolver projetos consistentes, sustentáveis, que levem em conta na fase de planejamento a expectativa de crescimento do país décadas à frente, bem como estabeleçam a garantia do equilíbrio econômico-financeiro para que os operadores públicos e privados possam investir na melhoria contínua da qualidade da prestação dos serviços aos cidadãos”, acrescenta Marchesi.

“O balanço que divulgamos hoje demonstra que, embora o transporte de passageiros sobre trilhos seja um serviço de utilidade pública, não recebe tratamento preferencial nas políticas públicas. Nossa agenda de projetos e propostas pretende sensibilizar os governantes a mudar este quadro”, afirma. 

Olimpíadas 2016
A ANPTrilhos apresentou também avaliação sobre o andamento das obras para a expansão metroferroviária na cidade do Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas de 2016. “Os projetos estão seguindo o cronograma previsto e, a continuar no atual ritmo, serão concluídos a tempo dos Jogos”, diz Roberta Marchesi. Ela exemplificou que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Rio de Janeiro deverá entrar em testes até o final deste ano.

Aumento de custos pressiona operação metroferroviária
A executiva da ANPTrilhos também destacou os impactos da tarifa de energia elétrica e da política de desoneração da folha de pagamento no custo do transporte. “São dois impactos significantes sobre os custos da operação metroferroviária, o que desequilibra sensivelmente o balanço entre despesas e receitas. Os operadores precisam ter fôlego financeiro para investir em manutenção e modernização dos sistemas sobre trilhos, que já estão sobrecarregados, como mostra o balanço anual do setor”, afirma a Superintendente da ANPTrilhos.

Desde que o Brasil adotou a política de bandeiras tarifárias, a conta da eletricidade tem sido salgada para todos os operadores do transporte de passageiros sobre trilhos. A ANPTrilhos fez as contas e verificou que, somente com o sistema de bandeiras, o custo com energia saltou cerca de R$ 21,5 milhões.

“Os operadores metroferroviários passaram a ter que arcar com aumento real de 95% na conta de energia elétrica nos últimos cinco meses sem a correspondente compensação de receitas. É algo extremamente preocupante”, diz Marchesi. Este impacto poderá ter que ser compensado com aumento de tarifas. “É preciso equacionar esse desequilíbrio urgentemente”, acrescenta.

Se a intenção do governo em alterar a atual Política de Desoneração da Folha de Pagamentos virar realidade, o custo com mão de obra no setor metroferroviário aumentará cerca de R$ 75 milhões, apenas considerando os quatro maiores operadores desse transporte público, que operam nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Este impacto poderá afetar as contratações do setor, o que significa o fechamento de postos de trabalho. 

A Associação defendeu a adoção de políticas públicas específicas para o setor metroferroviário, que busquem lidar com esses impactos para a garantia da qualidade na prestação dos serviços e da modicidade tarifária para os usuários.

A seguir, as principais constatações do Balanço do Setor Metroferroviário:
Passageiros:

- De 2010 a  2014,  o  número  de  usuários  do  setor  de transporte  de  passageiros  sobre  trilhos  cresceu  a uma taxa média de 10% ao ano;
- Em 2014, foram 2,9 bilhões de usuários  atendidos  pelo  sistema,  representando uma evolução de 4,4% em relação a 2013;
- A previsão para 2015 é que os sistemas sobre trilhos transportem 3 bilhões de pessoas;
- Ao considerar o total de  pessoas  transportadas  diariamente, ao longo de 2014, a ANPTrilhos observa aumento de 3%, em comparação a 2013. Atualmente, a rede metroferroviária recebe, por dia, 9,8 milhões de passageiros.

Rede metroferroviária
- A rede metroferroviária brasileira continua registrando um crescimento pouco significativo: apenas 3% em 2014.
- Em 2014 apenas três outros sistemas entraram em operação não comercial – o Monotrilho linha 15/SP, o Metrô Bahia/BA e o VLT de Sobral/CE – que, juntos, somam 22,9 km em extensão e movimentaram 2,6 milhões de passageiros;
- Com os novos  sistemas,  o  setor  fechou  o ano de 2014 com 22 novas estações, sendo: duas no Monotrilho de São Paulo; cinco no Metrô Bahia; 12 no VLT de Sobral; uma na Via 4; uma no Metrô SP; e uma no Metrô Rio;
- No total, o sistema de transporte de passageiros sobre trilhos conta com 1002,5 km de extensão, divididos em 40 linhas, 521 estações e uma frota de 4.300 carros (terminologia técnica para os trens);

Sustentabilidade
- O consumo de energia elétrica das operadoras  de  transporte  público  de passageiros sobre trilhos em 2014 foi de 1.800 GWh. Isso representa cerca de 0,4% do consumo total energético do país;
- Os modernos trens contam com motores de corrente alternada. A tecnologia consome entre 25% a 30% a menos de energia do que os trens mais antigos. No entanto, o Brasil ainda tem em operação trens muito antigos, que consomem muita energia elétrica;
- Considerando os padrões dos  diversos  meios  de  transporte  no  mundo,  os  sistemas  sobre  trilhos  chegam  a emitir cerca de 60% menos gases de efeito estufa (GEE) do que os automóveis e 40% menos do que os ônibus;
- Mesmo com a significativa contribuição do transporte sobre trilhos para a qualidade ambiental e para a sustentabilidade das cidades, a participação desse tipo de sistema representa apenas 3,8% da matriz de transporte urbano;
- Além da redução do impacto ambiental, a implantação dos sistemas sobre trilhos se destaca também pela  alta  capacidade  de  transporte.  Uma única linha implantada de metrô, por exemplo, é capaz de transportar cerca de 60 mil passageiros por hora/sentido;
- Os sistemas sobre trilhos necessitam de  20  vezes  menos  espaço urbano do que outros modos de mobilidade, o que se traduz em qualidade de vida nas cidades, em especial nas de médio e grande porte;
- O sistema metroferroviário de passageiros no Brasil é responsável pela retirada das ruas de mais de 1,1 milhão de carros e mais de 16.000 ônibus, por dia, onde há sistemas sobre trilhos implantados;
- Os benefícios promovidos pelo sistema sobre trilhos, se monetizados, teriam gerado em 2014 um ganho da ordem de R$ 20 bilhões à sociedade.

Empregos
- O setor  metroferroviário  continua  ampliando  a  sua  força de trabalho e em 2014 a geração de empregos subiu mais 8%, o que representa um aumento de 2.780 contratações. Em 2012 eram 32,3 mil empregados nos sistemas metroferroviários; em 2013, 33,4 mil. E, em 2014, o número saltou 6,3%, ou seja, passou para 35,5 mil funcionários;
- Considerando as expansões e os novos sistemas que estão sendo implantados, as previsões para os próximos cinco anos são muito positivas. Estima-se que, até o final de 2019, o setor praticamente dobre o seu quadro atual, chegando a 60 mil empregados.

Olimpíadas 2016
- Cinco projetos metroferroviários no Rio de Janeiro já estão em dia com os respectivos cronogramas:
·         Renovação de 4 linhas da SuperVia;
·         Ampliação  e  modernização  da  Linha  1  do  Metrô (concluído);
·         Implantação da Linha 4;
·         Modernização da Linha 2 do Metrô (concluído);
·         Porto Maravilha - 6 linhas de VLT.

Projetos – Cenário 2020
- São 20 projetos, já contratados ou em execução, que permitirão ao Brasil dar um grande passo para ampliar sua rede metroferroviária até 2020. São 336 km em execução, que incluem metrôs, trens urbanos, VLT, monotrilho e trens regionais;
- Além dos projetos que estão contratados ou em execução no Brasil e que já são uma realidade, o país tem uma carteira com mais de 18 projetos de sistemas sobre trilhos. São mais de 1.300 km em linhas que, se efetivados, poderão duplicar a atual malha brasileira.         
Política de Desoneração da Folha de Pagamento
- Somente os quatro maiores  operadores  do  setor metroferroviário nacional calculam, só para 2015, um acréscimo de custo da ordem de R$ 75 milhões, valor que  seria  destinado  a  manter  as  contratações  feitas em 2014, aumentar os postos de trabalho e ampliar o programa de capacitação de mão de obra;
- Último a ser inserido na política de desoneração, o setor metroferroviário recebeu efetivamente o benefício apenas em 2014. Com a garantia da manutenção dessa política, os operadores mantiveram o ritmo das contratações tanto que, no ano passado, os postos de trabalho aumentaram 8%;
- Diante do aperto  fiscal, os operadores  do  setor  avaliam a sua permanência na política de desoneração ou o retorno ao antigo sistema, que prevê o recolhimento de 20% sobre a folha de salários;
- A  ANPTrilhos  se  mobiliza  para  obter  o  mesmo  enquadramento  de  outros  segmentos  do  setor  de transportes,  que  também  estão  inseridos  na  Política de Desoneração da Folha e, atualmente, contribuem com uma contrapartida de 1% sobre a receita bruta.  Nesse caso, mesmo com o reajuste na  política  de  desoneração,  o  que  faria  com  que  o  setor passasse  a  recolher  2,5%,  ao  invés  dos  atuais  2%, o  impacto  do  aumento  seria  menor,  garantindo  a permanência  de  grande  parte  dos  operadores  nessa política, mantendo seus efeitos benéficos a todo ao segmento metroferroviário de passageiros.

Custo energético
- Além dos reajustes promovidos anualmente pela Aneel, as operadoras  metroferroviárias foram  surpreendidas  por  várias  outras  medidas  que impactam de forma direta o custo da operação: os reajustes extraordinários promovidos pela Aneel, o início do sistema de bandeiras tarifárias e a cobrança individualizada das contas de energia;
- Considerando todas as altas desde outubro de  2014, existe um aumento real de 95% na conta de energia. Juntas, as despesas com energia e folha de pagamentos representam 70% das contas dessas empresas.