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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Pós-pandemia reserva o caos no transporte público brasileiro

 


ANPTrilhos comunicacao@anptrilhos.org.br por  leadlovers.info

 

sex., 18 de jun 2021. 09:04

 

Muito se fala sobre transporte ativo, transporte sob demanda, aplicativos, inovações, mas nada disso contribui para a solução do problema da mobilidade em nossas metrópoles se não estiver inserido, nesse contexto, o transporte público e de alta capacidade.

 

Esse sistema é a essência da mobilidade. É nele que a grande maioria dos deslocamentos diários acontece e é com base nele que todas as demais aplicações se conectam, formando uma verdadeira rede a serviço do cidadão.

 

Atualmente, o transporte público vivencia a maior crise de sua história. A queda abrupta no número de passageiros desde o início da pandemia aliada à necessidade de manutenção da oferta do serviço e ao aumento de despesa com novos procedimentos de higienização e sanitização fez com que grande número de empresas não conseguisse manter a prestação do serviço.

 

 Ao longo desses 15 meses, o setor soma um prejuízo de mais de R$ 25 bilhões, cifra impressionante que está sendo impossível de ser suportada pelas empresas. Vinte e cinco também é o número de empresas que fecharam as portas, seguidas por diversas outras que suspenderam suas atividades ou sofreram intervenção na operação.

 

 O número de demissões no setor já se aproxima de 80 mil trabalhadores e os movimentos grevistas deram um salto em todo o País. Até abril, 223 ações protestaram pela falta do pagamento de salários e benefícios, causados pela quebra do caixa das empresas como consequência do desequilíbrio imposto pela forte queda na demanda de passageiros e o atual modelo de remuneração ao qual o setor está exposto.

 

Metade da demanda

 

 Já parou para pensar no que acontecerá com nossas metrópoles no futuro, quando o fluxo de passageiros for naturalmente retornando?

 

 Diariamente, a mídia destaca situações de aglomeração no transporte público e, hoje, o setor opera com apenas 50% da sua demanda. O que imagina que acontecerá quando estivermos com 70% da demanda de volta às ruas e metade do sistema de transporte desmobilizado em função da quebra das empresas?

 

 O mundo todo enfrenta a mesma pandemia e o transporte público passa pelo mesmo problema. A diferença é que, desde o início, diversos países adotaram medidas específicas ao transporte público, destinando recursos emergenciais para garantir a manutenção das operações. No Brasil, estamos na contramão. Não só não adotamos qualquer medida de proteção ao transporte público como também rechaçamos as iniciativas nesse sentido, como foi o caso do veto presidencial ao Projeto de Lei do socorro emergencial ao setor. Várias ações foram realizadas, com as mais diversas esferas governamentais, mas nenhuma medida específica conseguiu ser implantada.

 

Crise que está por vir

 

 Com a infraestrutura de transporte urbano aos frangalhos, o País pagará um alto preço para conseguir se reerguer. E, quando o mundo estiver voltando dessa crise, com a empregabilidade aumentando e as economias avançando, o Brasil, em vez de ir na mesma direção, terá de parar para enfrentar o problema que agora tem negligenciado.

 

 Se não forem tomadas medidas imediatas, o forte descompasso entre o já previsível aumento na demanda de passageiros e a capacidade de reaquecimento da oferta fará com que o País encare um longo tempo de crise no transporte.

 

 E, quando isso acontecer, não será apenas com a crise no transporte que teremos que lidar, mas com a crise social que virá junto com ela, porque os movimentos pelo direito ao transporte de qualidade que vimos em 2013 serão apenas boas lembranças perto da situação em que o transporte estará no futuro próximo.

 

 Artigo publicado na coluna Estadão Mobilidade, do Jornal O Estado de S.Paulo, no dia 16 de junho de 2021.






quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Brasil tem 335 obras de mobilidade paradas, atrasadas ou que sequer foram iniciadas



18/09/2018 - G1

O Brasil tem 335 obras de mobilidade paradas, atrasadas ou que sequer foram iniciadas, segundo levantamento do Ministério das Cidades, obtidos com exclusividade pela GloboNews via Lei de Acesso à Informação. Todos os projetos foram custeados, pelo menos em parte, com dinheiro do governo federal. Segundo o Ministério das Cidades, já foram gastos pela pasta mais de R$ 7 bilhões em obras que ainda não foram concluídas e ainda faltam R$ 22 bilhões para finalizar todos esses investimentos. Os dados são referentes ao mês de agosto.

De acordo com o levantamento, são 173 obras atrasadas, 116 paradas e 46 que ainda não saíram do papel. A obra mais cara de todas é a do Monotrilho da Linha 17 Ouro, em São Paulo, que está atrasada. Foi prometida para antes da Copa do Mundo de 2014, mas até hoje não foi concluída. Ela ligaria o Aeroporto de Congonhas aos trens metropolitanos. Orçada inicialmente em R$ 1,39 bilhão, custa agora R$ 3,7 bilhões e a promessa é que seja entregue no final de 2019.

Em nota, o Metrô de São Paulo disse que a retirada da Linha 17-Ouro da Matriz de Responsabilidade da Copa do Mundo de Futebol de 2014, em função da escolha do estádio de Itaquera como sede do evento, alterou o cronograma do empreendimento.

“As obras do trecho prioritário começaram no segundo semestre de 2011 e sofreram atrasos na liberação de terrenos e na obtenção das licenças ambientais. O consórcio contratado para a construção de três estações e pátio de trens abandonou as obras em 2016. Um novo consórcio foi contratado e as obras retomadas no final do mesmo ano. Parte dos serviços também foi afetado pela paralisação feita pelo Consórcio Monotrilho Integração–CMI, responsável pela via e sistemas do monotrilho. Porém, no dia 14 de agosto, a Justiça determinou a retomada das obras por este consórcio”, diz um trecho da nota.

No Rio de Janeiro, o BRT Transbrasil deveria estar 100% pronto para a Olimpíada do Rio em 2016, mas ainda faltam concluir 40%. A obra parou por duas vezes e foi retomada no fim de julho deste ano. Foi orçada em R$ 1,4 bilhão, dos quais R$ 1,3 bilhão são recursos do Ministério das Cidades, a cargo da Caixa Econômica Federal, e o restante será bancado pela prefeitura. Mais de R$ 800 milhões já foram pagos pelo ministério. Se já estivesse pronta, essa obra poderia beneficiar cerca de 900 mil passageiros todos os dias, segundo estimativas da prefeitura.

A secretaria municipal de Infraestrutura e Habitação disse, em nota, que as obras pararam em agosto de 2016 e só foram retomadas em abril de 2017 após o pagamento de um reajuste no contrato com o consórcio construtor. Neste ano, voltaram a ficar paradas porque a prefeitura solicitou mudanças no traçado. A solicitação foi analisada pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério das Cidades, que só retomou os repasses após a aprovação da nova proposta concluída no final de julho.

Já o VLT de Cuiabá, no Mato Grosso, custou R$ 1 bilhão. Trilhos foram construídos, 42 vagões foram comprados e uma estação foi erguida, mas a população nunca foi atendida por esse meio de transporte. A promessa era de que o VLT começaria a circular na Copa do Mundo de 2014, mas desde aquele ano a obra está parada. No lugar do VLT, a prefeitura resolveu investir num projeto paisagístico para colocar plantas ornamentais sobre os trilhos por onde passariam as composições.

Em nota, a Casa Civil do Governo do estado de Mato Grosso informou: "O governo do estado construiu um novo Edital do Veículo Leve Sobre Trilhos entre Cuiabá e Várzea Grande no intuito de garantir a conclusão da obra. E havia a previsão de lançá-lo no último mês de agosto, após o julgamento pelo Tribunal de Justiça da rescisão do contrato suspenso em dezembro do ano passado. O julgamento que deveria ocorrer no dia 2 de agosto foi adiado para o próximo dia 4 de outubro, o que acarretou na reavaliação da data de lançamento do certame. A Casa Civil reitera que trabalha para que o novo edital seja lançado nos próximos dias."

Em nota, a Casa Civil do Governo do estado de Mato Grosso informou: "O governo do estado construiu um novo Edital do Veículo Leve Sobre Trilhos entre Cuiabá e Várzea Grande no intuito de garantir a conclusão da obra. E havia a previsão de lançá-lo no último mês de agosto, após o julgamento pelo Tribunal de Justiça da rescisão do contrato suspenso em dezembro do ano passado. O julgamento que deveria ocorrer no dia 2 de agosto foi adiado para o próximo dia 4 de outubro, o que acarretou na reavaliação da data de lançamento do certame. A Casa Civil reitera que trabalha para que o novo edital seja lançado nos próximos dias."

Fonte: https://g1.globo.com/globonews/noticia/2018/09/18/brasil-tem-335-obras-de-mobilidade-paradas-atrasadas-ou-nao-iniciadas.ghtml


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Grandes cidades brasileiras planejam o futuro da mobilidade


12/03/2018Notícias do Setor ANPTrilhos         
Distâncias percorridas e qualidade dos sistemas de transporte são um desafio a ser resolvido para as próximas gerações

A mobilidade é um dos temas que mais preocupa a população das grandes cidades brasileiras. As distâncias a serem percorridas diariamente e a qualidade dos sistemas de transporte são um desafio a ser enfrentado diariamente por boa parte dos seus moradores, e a falta de planejamento só piora o quadro. Diante disso, é cada vez mais urgente repensar as formas de locomoção nas metrópoles, buscando soluções para resolver os problemas do presente e possibilitando um futuro com melhor qualidade de vida a todos os cidadãos.

Segundo uma pesquisa publicada em 2017 pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e pela NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), o brasileiro vê o transporte como o quarto maior problema das cidades, perdendo apenas para a violência, a saúde e o desemprego. A mesma pesquisa indica que o cidadão médio leva 37,7 minutos para se deslocar entre casa e o trabalho – mas, em cidades com mais de 3 milhões de habitantes, o número sobe para extenuantes 46,2 minutos.

Outro dado preocupante diz respeito à frota veicular no Brasil. Embora os últimos anos tenham sido de estabilidade, ela cresceu 138,6% entre 2002 e 2012, período em que a população brasileira aumentou 12,2%, segundo dados do Observatório das Metrópoles. Nessa época, os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016) adotaram políticas de crédito à indústria automobilística, facilitando a compra de carros e motos pela população. O resultado disso é que algumas cidades, como Curitiba, chegam a ter uma proporção de quase um veículo por habitante.

Soluções em Fortaleza

Fortaleza é uma cidade que buscou soluções para evitar o colapso em termos de locomoção. Entre 2004 e 2015, sua frota de veículos aumentou 226%, tornando-se a maior entre as capitais do Nordeste. Entre 2010 e 2015, sua população cresceu 5,7%, enquanto o total de veículos subiu mais de 40%. Esse quadro estrangulou a capital cearense, que, sem contar com faixas exclusivas para ônibus, via os congestionamentos piorarem dia a dia.

A administração da cidade se viu obrigada a agir, e rápido. Uma de suas iniciativas foi a formação do Plano de Ações Imediatas em Trânsito e Transporte (PAITT). Ele funciona pela criação e implementação de projetos-piloto em mobilidade, todos com prazos de seis meses, durante o qual as medidas são avaliadas e, depois, adotadas em definitivo ou descartadas.

“Precisávamos de medidas impactantes, que mudassem rapidamente a realidade do transporte e a maneira como as pessoas pensam seus deslocamentos”, diz o secretário-executivo de Conservação e Serviços Públicos da cidade, Luiz Alberto Sabóia, que também coordena o plano.

Uma das primeiras medidas decorrentes do PAITT foi a adoção de faixas exclusivas para ônibus em algumas das principais avenidas da capital, como a Santos Dumont e a Dom Luís. Além disso, foi implementado em várias zonas o sistema binário, em que uma via tem circulação em um sentido, enquanto a outra, paralela, tem tráfego no sentido contrário.

O resultado foi o aumento imediato da fluidez do trânsito. Sabóia afirma que a melhora da circulação dos ônibus ficou entre 60% e 200% nas vias com faixa exclusiva. “Com isso, o usuário de transporte coletivo em Fortaleza economizou em média sete dias por ano de tempo gasto no trânsito”, estima o secretário. No total, a cidade já ganhou 100 km de faixas exclusivas para ônibus, além de um corredor do sistema de ônibus rápido BRT (Bus Rapid Transit).

Outra iniciativa em Fortaleza foi a criação de diferentes programas de compartilhamento de bicicletas, todos integrados com o serviço de ônibus e voltados ao uso como meio de transporte, e não somente de lazer. Com isso, 75% dos usos de bicicletas compartilhadas na capital cearense são feitos por usuários do Bilhete Único da cidade, que têm gratuidade na integração com os sistemas de transporte público.

Estruturando as cidades de amanhã

Além do PAITT, a prefeitura criou um programa chamado Fortaleza 2040, que busca diretrizes para tornar a cidade mais amigável e racional no longo prazo, não só planejando melhor o compartilhamento do solo entre transportes individuais e coletivos, mas também buscando policentralidades, ou seja, levando escolas, empresas e outros empreendimentos para mais perto de onde moram as pessoas, reduzindo os percursos.

Muitos especialistas veem as policentralidades como sendo o futuro da mobilidade urbana. “A solução do transporte passa por repensar como as cidades são estruturadas”, diz Luis Antonio Lindau, diretor da WRI Brasil Cidades Sustentáveis. Ele cita como um exemplo a Zona Leste de São Paulo, onde mora a maior parte da população da capital paulista, mas que é distante dos principais centros econômicos da cidade. “É preciso reestruturar as cidades para se criar oportunidades mais perto das residências, reduzir os percursos”, afirma.

Tanto o PAITT quanto o plano Fortaleza 2040 estão em conformidade com a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), prevista pela Lei 12.587 de 2012. Essa norma estabelece o transporte público como prioritário nas iniciativas de mobilidade das cidades, além de dar preferência aos meios não-motorizados, para buscar a maior sustentabilidade dos sistemas e a divisão harmoniosa do espaço público entre os vários tipos de locomoção.

Futuro sobre trilhos

Em São Paulo, a expansão do metrô é uma iniciativa importante dentro dessa mudança de lógica na mobilidade urbana brasileira para o futuro.

A linha 5-Lilás, que já conta com dez estações em plena operação, deve ganhar mais sete ainda este ano. Quando pronta, ela irá do Capão Redondo até a Chácara Klabin, um percurso de mais de 20 km que, hoje, pode levar quase 2 horas para ser realizado. A linha vai se interligar com outras duas linhas de metrô e mais duas de trens metropolitanos, conectando a populosa zona sul da cidade a diversos bairros, como Morumbi, Brooklin e Moema, transportando cerca de 850 mil pessoas por dia.

Já o monotrilho da linha 17-Ouro fará a integração entre o aeroporto de Congonhas, uma das principais portas de entrada da capital paulista, à rede metro-ferroviária da cidade e sua região metropolitana. Ela terá oito estações elevadas, com interligação com uma linha do metrô e uma linha de trem metropolitano. Sua inauguração está prevista para 2019, com a expectativa de atender 185 mil passageiros por dia.

As duas linhas serão administradas pelo Consórcio Via Mobilidade, que, em janeiro, venceu licitação internacional para concessão dos ramais. O consórcio, liderado pela CCR, será responsável pela operação e manutenção das linhas por 20 anos.

Para o presidente da divisão de Mobilidade da CCR, Leonardo Vianna, o transporte sobre trilhos é peça fundamental como alternativa ao carro. “Além da redução do impacto ambiental, uma única linha implantada de metrô, por exemplo, é capaz de transportar cerca de 60 mil passageiros por hora em cada sentido, com qualidade e de forma ágil e segura”, diz.

“Não há uma fórmula mágica para resolver o desequilíbrio da mobilidade nas grandes cidades brasileiras, mas o investimento em alternativas para substituir o transporte motorizado individual é um caminho promissor”, afirma.

08/03/2018 16h57 – G1 / CCR

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

As 50 cidades com a melhor mobilidade do país


O ranking Connected Smart Cities avaliou mais de 500 municípios brasileiros e listou os 50 melhores no quesito mobilidade e acessibilidade
Apesar das mudanças no projeto de ampliação de ciclovias imposto pela gestão João Doria, São Paulo foi eleita novamente como a melhor cidade brasileira em mobilidade urbana e acessibilidade.
A ressalva foi feita pela própria Urban Systems, que montou o ranking Connected Smart Cities. A presença de São Paulo no topo do ranking é justificado pela boa integração entre meios de transporte, mais de 400 km de extensão de ciclovias (que privilegiam o transporte não-poluente), ampla rede de metrô e trem, maior cobertura dos serviços de transporte compartilhado (aplicativos como Uber, 99 e Cabify, por exemplo), além das três rodoviárias e dois aeroportos.
A pontuação leva em consideração oito critérios: proporção entre ônibus e automóveis; idade média da frota dos meios de transporte públicos; quantidade de ônibus por habitante; variedade dos meios de transporte; extensão de ciclovias; rampas para cadeirantes (acessibilidade); número de voos semanais (conectividade com outras cidades); e transporte rodoviário.
Todos os quatro primeiros lugares do ranking repetiram as posições do ano passado: São Paulo (SP), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR).
Um destaque foi a cidade de Curvelo, em Minas Gerais, que não entrou nem no ranking das 50 melhores no ano passado mas já apareceu em 10º lugar em 2017.
Segundo a Urban Systems, a proporção de ônibus por automóvel na cidade é grande (98 ônibus para cada carro particular), bem como a de ônibus por habitante (21 para cada mil pessoas).
Curvelo ainda não tem aeroporto, mas o governo estadual já anunciou um projeto de integração, que prevê a construção de um terminal na cidade (e em outros 11 municípios), o que vai melhorar a conectividade.
Veja o ranking completo das 50 cidades mais acessíveis do Brasil:

2017
2016
Município
Pontuação
1
São Paulo (SP)
3,381
Brasília (DF)
3,32
Rio de Janeiro (RJ)
3,195
Curitiba (PR)
2,285
Belo Horizonte (MG)
2,243
10º
Fortaleza (CE)
2,007
27º
Salvador (BA)
1,94
Porto Alegre (RS)
1,915
22º
Recife (PE)
1,758
10º
Curvelo (MG)
1,723
11º
11º
Teresina (PI)
1,7
12º
16º
São Caetano do Sul (SP)
1,659
13º
Guarulhos (SP)
1,647
14º
Moju (PA)
1,628
15º
37º
Nilópolis (RJ)
1,61
16º
18º
Valinhos (SP)
1,568
17º
Campinas (SP)
1,561
18º
Lauro de Freitas (BA)
1,533
19º
23º
Osasco (SP)
1,527
20º
Goiânia (GO)
1,527
21º
Parauapebas (PA)
1,517
22º
João Pessoa (PB)
1,516
23º
Maceió (AL)
1,484
24º
Barcarena (PA)
1,465
25º
Barueri (SP)
1,45
26º
12º
Balneário Camboriú (SC)
1,44
27º
43º
Mauá (SP)
1,43
28º
Caieiras (SP)
1,421
29º
Natal (RN)
1,415
30º
21º
Vitória (ES)
1,404
31º
Parnamirim (RN)
1,4
32º
Contagem (MG)
1,398
33º
Várzea Paulista (SP)
1,397
34º
26º
Jundiaí (SP)
1,396
35º
Tobias Barreto (SE)
1,364
36º
40º
Palmas (TO)
1,36
37º
Juazeiro do Norte (CE)
1,359
38º
Altamira (PA)
1,352
39º
São João de Meriti (RJ)
1,349
40º
Ribeirão Pires (SP)
1,339
41º
Manicoré (AM)
1,323
42º
Poá (SP)
1,31
43º
Simões Filho (BA)
1,303
44º
Rio Largo (AL)
1,29
45º
Surubim (PE)
1,286
46º
Suzano (SP)
1,28
47º
Esteio (RS)
1,279
48º
Crato (CE)
1,271
49º
39º
Aracaju (SE)
1,267
50º
Acará (PA)
1,261
02/07/2017 – Revista Exame


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Lei que trata da Política Nacional de Mobilidade Urbana completa cinco anos

 
27/01/2017Notícias do Setor ANPTrilhos         

Em janeiro, completaram-se cinco anos desde que a lei que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana (12.587/2012) foi sancionada. Produto de cerca de duas décadas de debates, ela é considerada um avanço por prever, entre outras coisas, responsabilidades dos diferentes entes da Federação e como os municípios podem criar sistemas de transporte acessíveis e que proporcionem mais qualidade de vida nos espaços urbanos. Em linhas gerais, a legislação incentiva a participação social nas decisões sobre o tema, com foco, ainda, na integração entre diferentes modais, sustentabilidade e universalidade no acesso à cidade.

Conforme a diretora-executiva do ITDP Brasil (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, na sigla em inglês), Clarisse Cunha Linke, a lei 12.587/12 “é referência no que diz respeito à integração do planejamento de transportes com o planejamento urbano”, mas, acima de tudo, “à priorização do pedestre, do ciclista e do usuário de transporte público acima do usuário do veículo motorizado”.

Contudo, nesses cinco anos, o Brasil deu poucos e vagarosos passos rumo à efetivação dos instrumentos previstos nessa política, que deveria, nos primeiros anos de sua vigência, pautar o planejamento da mobilidade nas cidades para os próximos anos.

Planos de mobilidade

Um dos pontos fundamentais da lei é a obrigatoriedade de municípios com mais de 20 mil habitantes elaborarem os próprios planos de mobilidade urbana – instrumento de efetivação da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Esses planos devem ser debatidos com a sociedade, que dirá o que espera, em termos de mobilidade, para o local em que vive, e estar alinhados com os planos diretores.

“Isso é importante porque obriga os municípios a trabalharem com planejamento e discutirem com a sociedade civil organizada o que querem de mobilidade para si e quanto isso vai custar. Isso é uma alternativa importante que também dá mais transparência nessa discussão”, ressalta o presidente da NTU (Associação Nacional de Transportes Urbanos), Otávio Cunha.

Além disso, o planejamento tem de estar alinhado com uma característica importante das cidades: a acelerada expansão de seus territórios e de suas populações. “A atividade das pessoas nas cidades é muito dinâmica, a cidade cresce rapidamente: aparece um núcleo habitacional, uma área comercial que se desenvolve mais, e acaba virando um centro de atração de viagens. A rede de transporte precisa ser revista permanentemente por isso”, reforça Otávio.

Inicialmente, o prazo para os municípios elaborarem os planos terminava em abril de 2015, sob pena de as prefeituras perderem acesso a recursos federais para investimentos em mobilidade urbana.
Mas não deu certo.

A diretora executiva do ITDP conta, a partir de dados obtidos junto ao Ministério das Cidades, que somente 171 prefeituras informaram ao órgão ter concluído seus planos até o fim de 2016. Isso corresponde a 5% das mais de três mil que precisam cumprir a exigência.

Segundo Clarisse Linke, havia recursos disponíveis para execução de obras, como as disponibilizadas pelo PAC e pelo Pacto pela Mobilidade – anunciado no calor das manifestações de junho de 2013 -, mas não havia verba destinada especificamente para o planejamento. E elaborar os planos de mobilidade sai caro: exige, por exemplo, pesquisas de origem e destino, realização de audiências públicas, profissionais multidisciplinares e capacitados.

Então, no fim do ano passado, um novo prazo foi estabelecido: abril de 2018.

Na nova contagem regressiva, a CNM (Confederação Nacional de Municípios) defende que o governo federal precisará apoiar os municípios, principalmente com recursos e capacitação técnica, para que haja condições de adequar sua estrutura e gestão de planejamento a política nacional de mobilidade urbana.

Ocorre que, em razão da crise econômica, a existência dos recursos federais – tanto para planejar quanto para executar obras – se tornou fator incerto. Por isso, na avaliação de Clarisse Linke, será importante a pressão da sociedade civil organizada sobre os gestores municipais.

Tem de mudar… e parece estar mudando

Ainda que a passos lentos, o Brasil está avançando.

Essa é a avaliação da diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento. “A lei, essa reflexão do planejamento e o envolvimento da sociedade civil contribuíram para que a gente consiga avançar numa mudança de paradigma. A gente viu uma mudança de entendimento desses vários atores, então sente que tem um avanço. Devagar, mas tem”, diz ela.

A opinião é compartilhada pelo presidente da NTU. Ele cita, como exemplo, os investimentos realizados na cidade do Rio de Janeiro, que passou a contar com novas alternativas de transporte coletivo, melhorando e agilizando o acesso a diferentes partes da cidade. Na capital fluminense, lembra ele, a decisão foi política e impulsionada pela realização dos Jogos Olímpicos de 2016.

A mesma análise é feita pelo diretor de Planejamento da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), Conrado Grava de Souza. Por atender grandes corredores, realizar viagens rápidas e com segurança, o modal metroferroviário é considerado essencial para uma mobilidade mais eficiente e redução dos congestionamentos nas grandes cidades. “No caso do transporte sobre trilhos, os reflexos da lei ainda não podem ser bem sentidos porque os projetos são normalmente de média e de longa duração. Entretanto percebe-se uma tendência para os tomadores de decisão das cidades este pensamento da integração de todos os modos, de modo que cada um deles atenda a demandas dessas cidades”, analisa. Ainda, para Conrado, a efetiva implementação da lei representará uma melhoria significativa da qualidade de vida nos centros urbanos.

E, embora a crise econômica represente um empecilho para acelerar os resultados concretos do que está, por hora, no papel, o diretor da ANPTrilhos é otimista: “Achamos que vamos encontrar soluções para retomar o crescimento e para que o transporte sobre trilhos esteja mais presente nas grandes cidades nos próximos 20 anos. Isso fará parte do dia a dia dos cidadãos”.

Na esteira do que também pode ser chamado de uma transformação cultural – necessária para se alcançar cidades menos preocupadas com o transporte individual, Clarisse Linke é cada vez mais importante pensar nos investimentos que são realizados (ainda que aquém do que é necessário) de forma integrada e multidisciplinar. Assim, pensar as obras nas cidades de modo que beneficiem quem anda a pé, de bicicleta, no transporte coletivo e, por fim, no carro, como estabelece a 12.587/12.


27/01/2017 – Agência CNT de Notícias