Mostrando postagens com marcador Estudos e Pesquisas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estudos e Pesquisas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Mulheres andam mais a pé e de transporte público que os homens

Pesquisa sobre deslocamento das mulheres em São Paulo mostra diferenças que indicam um padrão de mobilidade próprio, determinado por gênero
FonteNexo  |  Autor: Juliana Domingos de Lima  |  Postado em: 12 de dezembro de 2016


Estudo da Prefeitura baseou-se na pequisa Origem-Destino
créditos: Daniel P. Sobreira/ Clickmobilidade

Os deslocamentos que uma pessoa faz em uma cidade também têm relação com o gênero. Mulheres fazem um número diferente de viagens cotidianas em relação aos homens, usam mais determinados tipos de transporte e mesmo suas motivações para se deslocarem são muitas vezes específicas.

Essa peculiaridade na mobilidade é alvo de um novo estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano de São Paulo realizado a partir de dados da pesquisa Origem e Destino de 2012 do Metrô de São Paulo.

O que diz o estudo
- Mulheres usam mais (74,6%) o transporte coletivo e andam mais a pé que os homens (62,5%). Somadas, as porcentagens desses meios de transporte resultam 74,6% para elas e 62,5% para eles;

- Em uma família com ganhos mensais menores que R$ 1.244, 50% das viagens das mulheres são feitas caminhando e 28% de ônibus; 

- Nos deslocamentos feitos por carro, as mulheres são passageiras na maioria das vezes: 13,7% de suas viagens são feitas por elas mesmas ao volante, enquanto para os homens, essa porcentagem quase dobra (26,4%);

- As principais motivações das mulheres para se deslocarem são as mesmas se comparado aos homens: trabalho e estudo. No entanto, as viagens delas têm razões mais diversificadas, o que indica que tarefas como fazer compras e levar familiares ao médico ainda recaem principalmente sobre as mulheres, depreende a pesquisa.

Segundo o relatório, o fato de mulheres utilizarem mais o transporte público e andarem mais a pé as torna “atores centrais para o planejamento urbano”, já que por conta disso “vivenciam de maneira mais próxima e orgânica essa dimensão do espaço público e seus equipamentos”.

Renda e locomoção
Além de diferenciar a mobilidade de homens e mulheres, o estudo da prefeitura também mostra como mulheres de faixas de renda diferentes se deslocam de maneiras distintas pela cidade de São Paulo.

Segundo o estudo, as características socioeconômicas da população “contribuem para que o acesso físico à cidade não seja homogêneo”. Essa diferenças influenciam, além da locomoção ao local de trabalho e estudo, o acesso à cultura e aos cuidados com a saúde.

O levantamento mostra que mulheres situadas nas faixas de renda familiar mais baixas fazem menos viagens com motivo final “trabalho”. O dado sugere situações em que mulheres abandonam seus empregos para dar conta da casa e dos filhos e também o exercício do trabalho informal.

No caso de mulheres de renda familiar mais alta, a divisão de trabalho com os homens pode ser menos desigual. Elas contam, geralmente, com profissionais e instituições que acompanhem seus filhos e isso impacta seu padrão de mobilidade. Além disso, sua inserção e permanência no mercado de trabalho formal é maior.

A mobilidade das mulheres
O estudo mostra que as viagens feitas pelas mulheres em São Paulo  extrapolam o eixo “moradia-trabalho”, mais comum para os homens. Elas incluem idas e vindas a supermercados, lojas, farmácias, creches, escolas, postos de saúde e outros inúmeros destinos, que acabam desenhando um tipo específico de deslocamento no espaço.

“Apesar de a crescente inserção das mulheres no mercado de trabalho nas últimas décadas, a elas ainda cabe muitas vezes a ‘função lar’, quer dizer, viagens de manutenção da casa", afirma a engenheira Haydée Svab, autora de outro estudo sobre a mobilidade das mulheres em São Paulo, em entrevista ao Nexo. 

A realização dessas atividades em uma cidade segregada socialmente, cujas condições de acessibilidade não são adequadas, diminuem o raio de ação territorial dessas mulheres. A limitação explica o maior número de deslocamentos a pé feitos por elas, assim como a duração menor de suas viagens.

A diversificação maior das razões pelas quais as mulheres se deslocam está ligada ao papel social esperado delas, segundo Svab. “As pessoas esperam que um homem seja o provedor, seja o chefe da família. Espera-se que a mulher cuide da casa e da família, faça as compras. Ela exerce [esse papel], seja porque quer, seja porque foi ensinada ou porque a sociedade espera isso dela”.

Série histórica
O estudo de Haydée Svab, “Evolução dos padrões de deslocamento na Região Metropolitana de São Paulo: a necessidade de uma análise de gênero”, também teve como base a pesquisa Origem e Destino do Metrô de São Paulo, assim como o material da prefeitura.

O banco de dados da pesquisadora foi formado a partir das pesquisas dos anos de 1977, 1987, 1997 e 2007, e as conclusões foram semelhantes. Svab analisou o número de viagens realizadas por mulheres e descobriu a situação familiar declarada pelas mulheres na pesquisa do metrô como um fator relevante para a mobilidade dessas mulheres. Elas podiam optar por responder que são cônjuge, chefe de família - substituído por “pessoa responsável” em pesquisas mais recentes - filho, parente ou outro.

Ela descobriu ainda que mulheres cuja situação familiar era a de “cônjuge” se deslocavam menos e não tinham prioridade no uso do carro da família em relação aos homens, e mulheres mais instruídas se deslocavam mais.

Svab também constatou que a cidade é “menor” para as mulheres: homens percorrem distâncias maiores e fazem viagens mais longas em São Paulo, por isso para eles o acesso à cidade é, de modo geral, mais amplo.

Como reduzir as desigualdades
O estudo da prefeitura propõe medidas que beneficiam as pedestres, como manter reduzida a velocidade máxima de vias, instalação e melhoramentos em calçadas e iluminação. As políticas sugeridas para beneficiar as usuárias do transporte público incluem aumentar o número de motoristas mulheres, permitir o desembarque noturno de ônibus em locais seguros fora dos pontos regulares e reduzir tarifas de transporte. 

Políticas indiretas também podem reduzir a desigualdade no padrão de deslocamento das paulistanas.  “A instalação adequada de creches em quantidade e localização, escolas públicas com educação integral e centros públicos de atividades para a população idosa e pessoas com deficiência podem contribuir com a entrada e a permanência no emprego de mulheres”, propõe o documento da secretaria. Dessa forma, os deslocamentos para essas finalidades ficariam melhor distribuídos entre homens e mulheres.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CNT lança estudo metroferroviário inédito

12/12/2016Releases ANPTrilhos

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou nesta 2ª feira (12/12) o estudo “Transporte & Desenvolvimento: Transporte Metroferroviário de Passageiros”, uma publicação inédita sobre o transporte de passageiros sobre trilhos no Brasil. O lançamento foi realizado na sede da CNT, em Brasília, pelo diretor executivo da CNT, Bruno Batista, e contou com a participação do presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores, e da superintendente da ANPTrilhos, Roberta Marchesi. A ANPTrilhos colaborou com indicadores do estudo.
O levantamento apresenta as características dos sistemas metroferroviários brasileiros, assim como análises do contexto que eles estão inseridos, os entraves para o desenvolvimento e propostas de soluções para essas barreiras. “As cidades têm que crescer de uma forma planejada e estruturada”, explicou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, ao apresentar os dados.
RESUMO DO ESTUDO:

SISTEMAS TRANSPORTAM 2,5 BILHÕES DE PASSAGEIROS/ANO

Os sistemas metroferroviários do Brasil transportam cerca de 2,5 bilhões de passageiros por ano. A Região Metropolitana de São Paulo representa 71,1% dessas viagens, o que corresponde a 1,8 bilhão de passageiros/ano somente nessa área.

Os maiores percentuais de entrada de passageiros concentram-se na região Sudeste, com 90,3% do total, seguida do Nordeste, com 5,7% - sendo 4,6% apenas na Região Metropolitana do Recife -, do Sul (2,3%) e do Centro-Oeste (1,7%).

Em dias úteis, 8,5 milhões de pessoas deslocam-se nos sistemas metroferroviários brasileiros, sendo que o da Região Metropolitana de São Paulo transporta 5,9 milhões, representando 70,4% do total.

BRASIL TEM 667 KM DE LINHAS DE TRENS DE PASSAGEIROS E 309,5 KM DE LINHAS DE METRÔS

Em todo o território brasileiro, são 1.062 km de linhas metroferroviárias em 2016. A maior extensão (667 km) é de malha de trem metropolitano, seguido de metrô (309,5 km) e de VLT (85,7 km). As regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro concentram mais de 60% da extensão total, 334,9 km e 306,1 km, respectivamente.

Não houve no Brasil um critério geral para a implantação das redes sobre trilhos. Em muitos casos, os traçados dos sistemas existentes aproveitaram antigas redes ferroviárias de cargas para o transporte de passageiros. Em outros, os sistemas foram implantados em traçados inteiramente novos. Qualquer que seja o caso, o estudo da CNT evidencia que as decisões de implantação de sistemas metroferroviários devem obedecer a critérios de demanda, que justifi quem a seleção de modais de maior capacidade.

EM 5 ANOS, DEMANDA CRESCE 37,4%

Em cinco anos, de 2011 a 2015, o número de entradas de passageiros no sistema metroferroviário brasileiro, em dias úteis, aumentou 37,4%. Houve ampliação de 76 km da extensão dos sistemas nesse período (de 931 km, em 2011, para 1.007 km, em 2015).

Entretanto, a melhoria no desempenho dos sistemas não está relacionada somente a essa ampliação, mas também ao aumento da oferta e da capacidade da malha existente. Nesse período de análise, houve redução de 28,7% no intervalo entre trens e aumento de 22,9% no número de carros.

SÓ 26,2% DOS RECURSOS AUTORIZADOS FORAM INVESTIDOS EM 2015

A dificuldade na execução de investimentos públicos representa um entrave para a expansão e para a melhoria do sistema metroferroviário brasileiro. Para se ter uma ideia, em 2015, o governo federal gastou somente 26,2% dos recursos que haviam sido autorizados nos Estados que possuem sistemas metroferroviários.

Isso signifi ca cerca de R$ 800 milhões de um montante autorizado de R$ 3,04 bilhões. O dado analisado no estudo da CNT indica falha entre o planejamento dos investimentos em infraestrutura de transporte e a execução governamental. É um problema que se repete nos diferentes modais e que precisa de solução.

FINANCIAMENTO PRIVADO PODE ACELERAR INVESTIMENTOS

Diante das difi culdades de execução dos investimentos públicos, a CNT considera necessário haver uma estratégia sólida que permita que os projetos sejam capazes de atrair o investimento privado. Tanto para as empresas estatais, quanto para concessões ou para as PPPs (Parcerias Público-Privadas), o fi nanciamento privado de projetos metroferroviários reduz a dependência de recursos públicos. Isso torna mais dinâmico o processo entre a tomada de decisão e a execução do investimento.

CRESCIMENTO ECONÔMICO PRESSIONA SISTEMAS DE TRANSPORTE

O estudo alerta que, uma vez que investimentos no transporte metroferroviário requerem planejamento de longo prazo, a atual crise econômica não pode paralisar os projetos relacionados ao modal. Isso porque a retomada da trajetória de crescimento da atividade econômica deve pressionar, ainda mais, os sistemas mais concorridos.

Para se ter uma ideia, entre 2011 e 2015, período em que o PIB expandiu 5% no Brasil, o número de pessoas formalmente contratadas aumentou 9,1%. Isso representou 3,99 milhões de pessoas a mais em deslocamentos diários nas cidades. O modal metroferroviário teve aumento de 6,5% no volume de passageiros transportados ao ano, o que signifi cou 170 milhões de usuários a mais de 2012 a 2015.

A saturação da infraestrutura metroferroviária diminui o potencial de captação de usuários, apesar da demanda com tendência crescente. Esse fator, aliado à falta de mecanismos que estimulem o uso de modos de transporte coletivo implica aumento de congestionamentos e consequente redução da velocidade média no transporte rodoviário. O resultado impacta diretamente na movimentação de passageiros e também nos custos logísticos das empresas e na qualidade de vida da população.

UM EM CADA 6 HABITANTES DE SÃO PAULO USA METRÔ EM DIAS ÚTEIS

Ao considerar somente o metrô da cidade de São Paulo, um em cada seis habitantes em média utiliza esse meio de transporte nos dias úteis. São 3,7 milhões de passageiros transportados em dias úteis, o que representa 69,9% do total dos metrôs no país. As maiores demandas por extensão de linha operacional são registradas na ViaQuatro (que é concedida à iniciativa privada) e no Metrô SP, respectivamente com mais de 70 mil e 40 mil entradas de passageiros por quilômetro de linha nos dias úteis.

METRÔ DE SÃO PAULO TEM O MENOR TEMPO DE ESPERA ENTRE TRENS

O tempo que o passageiro espera por um trem do sistema metroferroviário varia muito nas diferentes regiões do país. O Metrô SP (que inclui 5 linhas) tem menor intervalo entre trens no Brasil (1 minuto e 43 segundos) em horários de pico. Seguido da ViaQuatro, também em São Paulo (2 minutos e 2 segundos); MetrôRio (2 minutos e 35 segundos); Metrô BH (3 minutos 22 segundos); Metrô DF (3 minutos e 40 segundos) e Metrô Recife (4 minutos e 24 segundos).

Os maiores intervalos de espera no sistema metroferroviário do país ocorrem em Natal (RN), com 1 hora e 37 minutos, e em João Pessoa (PB), com 1 hora e 9 minutos, ambos em trens metropolitanos.

EMISSÕES SÃO 36 VEZES MENORES QUE AS DE AUTOMÓVEIS

Além do menor tempo de espera e das maiores velocidades comerciais, há outro fator positivo no transporte sobre trilhos. Sistemas movidos a eletricidade (como metrôs e VLTs) emitem menor quantidade de poluentes atmosféricos e permitem maior efi ciência energética.

Na prática, enquanto o metrô emite 3,5 gramas de CO2 por km por passageiro, o automóvel emite 126,8 gramas, 36 vezes mais. As motocicletas, 71,1 g (20 vezes mais), e os ônibus, 16 g (4 vezes mais).

Na perspectiva ambiental, esse é o maior benefício do transporte ferroviário urbano de passageiros: a redução das emissões de poluentes. Na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o Brasil estabeleceu a meta individual de, até 2025, reduzir as emissões em 37% em relação aos níveis de 2005. Entre as medidas necessárias, está a maior participação de fontes com baixo nível de emissões na matriz energética. Para os sistemas metroferroviários com tração a diesel, duas alternativas aliadas a essa concepção são o aumento do percentual de biodiesel no diesel utilizado e a transição para a tração elétrica.

Clima, o Brasil estabeleceu a meta individual de, até 2025, reduzir as emissões em 37% em relação aos níveis de 2005. Entre as medidas necessárias, está a maior participação de fontes com baixo nível de emissões na matriz energética. Para os sistemas metroferroviários com tração a diesel, duas alternativas aliadas a essa concepção são o aumento do percentual de biodiesel no diesel utilizado e a transição para a tração elétrica.


sábado, 26 de novembro de 2016

Pesquisa da Alelo mostra que brasileiros percorrem 16 km para ir ao trabalho

http://www.abrhbrasil.org.br/cms/materias/noticias/pesquisa-inedita-da-alelo-mostra-que-brasileiros-percorrem-16-km-para-ir-ao-trabalho/#respond
25 de novembro de 2016



Em média, 63% dos trabalhadores das principais capitais brasileiras demoram cerca de 40 minutos para se deslocar de casa até o trabalho. Se forem considerados 22 dias úteis do mês, são mais de 13 horas em trânsito. Por ano, são seis dias e meio para chegar ao destino. Já a distância percorrida para 65% das pessoas não ultrapassa os 20 quilômetros. Por dias úteis são 440 km, e por ano, representa 5.280 km rodados. O que significa dois dias de viagem entre Florianópolis e Boa Vista.

Os dados fazem parte da primeira edição Pesquisa Mobilidade realizada pela Alelo, empresa do segmento de benefícios e cartões pré-pagos, em parceria com o Ibope/Conectaí. O objetivo do levantamento é entender os hábitos de utilização de transporte dos trabalhadores brasileiros para ir e voltar do trabalho, entender o perfil dos usuários de transporte público e privado, quanto gastam e o que fazem nesse trajeto.

Em Porto Alegre, por exemplo, cidade na qual os trabalhadores perdem menos tempo no trânsito: a distância percorrida é de até 13,6 quilômetros e o tempo fica em torno de 29 minutos para chegar ao trabalho. Em Goiânia, são percorridos até 13,7 quilômetros e o tempo médio de deslocamento é de 31 minutos. Já em Curitiba, a média de quilômetros é de 13,7 e a distância fica em torno de 33 minutos.

O custo com transporte público ou privado é outra informação relevante do estudo e que está atrelado à distância e tempo. O gasto médio diário com transporte público para ir e vir do trabalho é de R$ 9,50, considerando os 22 dias úteis, a média mensal será de R$ 209. Os trabalhadores cariocas são os que desembolsam o maior valor para trabalhar, cerca de R$ 10,9 por dia e R$ 240 por mês, enquanto que os de Recife têm o menor gasto sendo R$ 7,90 por dia e R$ 174 por mês.

Já o gasto médio mensal para quem trabalha de carro é de R$ 199, desconsiderando manutenção, desgaste, seguro e estacionamento. Para quem usa moto, são R$ 107 e fretado R$ 116. Quem opta por trabalhar de táxi, o valor fica em torno de R$ 182.

A pesquisa ouviu 2.450 pessoas, sendo 48% homens e 52% mulheres, todas economicamente ativas, com uma idade média de 36 anos (intervalo observado: de 18 a 60 anos) e residentes em nove capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Salvador, Brasília e Goiânia. Desse grupo, 65% trabalham em regime CLT e 35% são autônomos ou possuem outra forma de remuneração; 67%  têm renda individual na faixa de R$ 881,00 a R$ 4.400,00 e 49% recebem vale-transporte.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Estudo calcula a distância ideal dos moradores até estações de transporte de média e alta capacidade

Qual distância você percorre até chegar a uma estação de transporte público? Mundialmente, o tempo máximo considerado adequado, em termos de mobilidade urbana, varia de 10 a 15 minutos, o equivalente a cerca de 1km de caminhada. Com base nestes números, a ONG ITDP, referência no setor, criou um indicador que mede o desempenho das cidades na hora de atender aos anseios dos seus moradores por locomoção.
Batizado de PNT (em inglês “People Near Transit” ou “Pessoas Próximas ao Trânsito”, em tradução literal), o índice se norteia por uma conta simples: o percentual da população de determinado local que mora a uma distância máxima de 1km das estações de transporte de média e alta capacidade. Isso quer dizer que um ponto de ônibus convencional, por exemplo, não é considerado na análise.
— Nossa intenção é oferecer um parâmetro que possa ser utilizado para monitoramento e direcionamento de políticas públicas, além de contribuir para o planejamento urbano da cidade — explica o engenheiro Iuri Moura, gerente de projetos do ITDP.
A primeira cidade analisada com o PNT foi o Rio de Janeiro. Em 2010, de acordo com o ITDP, o índice era de 36%. Ano passado, já com dois corredores BRT, subiu para 47%. A projeção do instituto é de que esse número chegue a 56% nos próximos cinco anos, quando estarão operando mais dois BRTs, o VLT e a Linha 4 do metrô.
Positivo na comparação com outras capitais do país, como São Paulo (25%) e Belo Horizonte (26%), o resultado ainda fica abaixo do de cidades consideradas referências em mobilidade, como Barcelona (99%) e Paris (100%). Além disso, o cenário é mais negativo na análise de toda a Região Metropolitana do Rio, que alcançou apenas 28% no PNT.
Para melhorar esse desempenho, o governo do estado vem promovendo estudos e modelagens para definir os corredores de BRT intermunicipais a serem implantados nos próximos anos. Na Baixada Fluminense, por exemplo, uma faixa expressa para ônibus deve ser instalada na Via Light.
— Com a melhoria da mobilidade urbana, que permite a redução do tempo de deslocamento, melhora, primordialmente, a qualidade de vida da população. As pessoas vão para casa mais cedo, dedicam mais tempo à família e isso tem reflexo direto na saúde, na educação e na segurança — reconhece Rodrigo Vieira, recém-empossado como secretário estadual de Transportes.
Secretaria: outro método
Segundo a Secretaria municipal de Transportes do Rio, 63% dos moradores da cidade serão atendidos por sistemas de transporte de alta capacidade a partir da inauguração do VLT, dos dois novos BRTs e da Linha 4 do metrô. A pasta, entretanto, usa uma metologia diferente da do ITDP.
Em vez de tomar como base as estações de embarque e desembarque, como faz o instituto, a secretaria informou por nota que emprega “a distância de 1km (para os dois lados) do traçado dos meios de transporte disponíveis”.
Entrevista com Iuri Moura, engenheiro e gerente de projetos do ITDP
Qual a importância do PNT?
Além de auxiliar no planejamento urbano, é fundamental poder comparar objetivamente o nosso patamar com o de outras cidades. O Rio ainda está distante do que é considerado referência.
Mas o índice fornece um quadro amplo sobre o setor?
É essencial deixar claro que o PNT não aborda todos os aspectos relevantes na questão do transporte público. Fatores como a qualidade do serviço e a integração, por exemplo, não são analisados.

28/02/2016 – Extra