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terça-feira, 23 de novembro de 2021

Crise hídrica preocupa o setor metroferroviário de passageiros

Crise hídrica preocupa o setor metroferroviário de passageiros

A redução dos níveis dos reservatórios de água se intensificou em 2021, fazendo com que o Brasil passe por sua pior crise hídrica em quase um século. O problema traz reflexos negativos para o País, não só porque afeta o abastecimento de água, mas porque impõe um duro aumento das tarifas, que pesam para a população e oneram toda a atividade econômica. E isso não seria diferente no setor de Transportes.

 

Com quase 100% do sistema eletrificado no Brasil, o setor de transporte de passageiros sobre trilhos é considerado um sistema eletrointensivo e depende da energia elétrica para a tração dos trens, metrôs, veículos leves sobre trilhos e monotrilhos.

 

Apesar de apresentar um consumo pouco expressivo quando considerado o panorama nacional (apenas 0,5% do total consumido no País), a energia é o segundo maior item de custo do setor metroferroviário e qualquer alteração nessa área impacta de forma direta sobre o custeio do serviço, gerando pressão sobre o valor da tarifa de transporte cobrada do passageiro.

 

A Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) mostra preocupação com a situação, uma vez que a crise hídrica pega um momento em que o transporte público também vive sua maior crise, em função da drástica redução de demanda gerada pela Covid-19. Passados 20 meses desde o início da pandemia, já são contabilizados mais de R$ 14 bilhões em déficit somente em receita tarifária, situação que piora a cada dia.

 

Desde 2015, o setor vem sendo impactado de forma dura por várias medidas na área de energia: os reajustes extraordinários promovidos pela ANEEL; o início do sistema de bandeiras tarifárias e a alteração da forma de cobrança integralizada das contas das operadoras. Considerando todas as altas, os operadores que estão no mercado cativo de energia contabilizaram um aumento real de 95% na conta e os operadores que atuam no mercado livre, através da atualização da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), foram impactados com um aumento de 83%. É importante destacar que esse impacto não contabiliza os aumentos da tarifa de energia em si, mas apenas aqueles impostos ao setor como decorrência de novas políticas setoriais criadas para proteger o setor elétrico.

 

Sem qualquer política para resguardar o transporte público desses impactos, a ANPTrilhos teme que a crise hídrica imponha novos aumentos de tarifa elétrica e regulações que coloque o setor em uma posição difícil de ser revertida.

 

É fundamental que o Governo Federal seja sensível à crise pela qual as cidades estão passando e reflita essa urgência em requisitos que possam minimizar os eventuais impactos da crise hídrica sobre o transporte público, serviço essencial que atende a todo o cidadão brasileiro. Caso contrário, a situação, que já é extremamente crítica, ficará insustentável.

 

 

Artigo publicado na Revista CNT Transporte Atual, da Confederação Nacional do Transporte, edição de outubro de 2021.

 

Texto alternativo

 

 

Roberta Marchesi é Diretora-Executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos); Mestre em Economia; Pós-Graduada nas áreas de Planejamento, Orçamento, Gestão e Logística e certificada internacionalmente em Gestão de Sistemas Ferroviários e Metroferroviários.

 


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Trens e metrôs não estão na crise e continuarão recebendo investimentos, mostram concessionárias do setor

Da Redação – 03.11.2016 –http://infraroi.com.br/trens-e-metros-nao-estao-na-crise-e-continuarao-recebendo-investimentos-mostram-concessionarias-setor/
                  

Apesar da recessão econômica experimentada pelo país, o setor de transporte de passageiros sobre trilhos tem conseguido manter seu programa de investimentos, aliás, de acordo com três das mais importantes operadoras de metrôs e trens de passageiros do Brasil, o número de aportes permanecerá em alta nos próximos anos.
A injeção de recursos é proporcional ao aumento da demanda pela modalidade de transporte coletivo. Segundo a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros Sobre Trilhos (ANPTrilhos), o número de usuários do transporte coletivo por trilhos em 2015 foi 1,7% maior que em 2014, totalizando 2,92 bilhões de usuários atendidos contra 2,87 bilhões do ano anterior. Desse total, a média de passageiros transportados por dia chegou a 9,9 milhões.
Essa crescente está balizando investimentos na área, como três das maiores operadoras de trens e metrôs anunciaram recentemente. A SuperVia, por exemplo, responsável pelas linhas de trens urbanos da região metropolitana do Rio de Janeiro desde 2011, totalizará R$ 3,3 bilhões de aportes ao fim do contrato da concessão, em 2021. Somente em 2017 serão cerca de R$ 70 milhões aplicados e os investimentos do ano que vem até o fim do contrato devem ser de R$ 400 milhões, segundo José Carlos Prober, presidente da companhia.
Já o MetrôRio realizou aportes de mais de R$ 1 bilhão em decorrência, principalmente, da inauguração da Linha 4 do metrô carioca neste ano, durante os Jogos Olímpicos de 2016.

Em São Paulo, a ViaQuatro, linha privada do metrô paulista, conforme previsto no contrato da PPP (Parceria Público-Privada) assinado em 2006, já aplicou US$ 500 milhões na Linha 4 – Amarela do metrô. “Ao longo dos 30 anos de concessão, esse valor deve chegar a US$ 2 bilhões. Inclusive, já iniciamos a segunda fase do contrato, em que estamos recebendo os quinze novos trens previstos. Eles irão somar-se aos quatorze que já estão em operação”, diz o presidente da empresa Harald Peter Zwetkoff.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Iniciativa privada deve ter papel estratégico no crescimento do setor metroferroviário


·         “Enquanto as operadoras investem em oferecer um serviço eficiente, o poder público deve ter a coragem de atrair o usuário para o transporte público”, afirma Peter Zwetkoff, presidente da ViaQuatro
·         Paulo Menezes Figueiredo, diretor-presidente da Companhia do Metrô de São Paulo: “Somos especialistas em transportar pessoas a há os especialistas em explorar as oportunidades”

Ampliar a participação da iniciativa privada nos empreendimentos metroferroviários é o grande desafio do segmento, segundo lideranças empresariais que participam da NT Expo – 19ª Negócios nos Trilhos, principal evento do setor na América Latina que acontece até quinta (10) no Expo Center Norte, em São Paulo. “As PPPs (Parcerias Público-Privadas) já comprovaram que são viáveis”, ressalta Harald Peter Zwetkoff, presidente da ViaQuatro, concessionária que opera a Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo.
Para ele, as empresas têm condições, além da celeridade na aplicação de recursos com menos burocracia, de serem parceiras do estado na busca por soluções para questões envolvendo a mobilidade urbana. “Enquanto as operadoras investem em oferecer um serviço eficiente, o poder público deve ter a coragem de atrair o usuário para o transporte público, a exemplo do que ocorreu em Londres, que passou a cobrar mais de quem não adere ao sistema”, observa Zwetkoff.
Ir além do papel de operadora do sistema de transporte metroferroviário é outro caminho que as empresas concessionárias estão procurando seguir. A Supervia, companhia responsável pelos trens urbanos da região metropolitana do Rio de Janeiro, anunciou, durante esta NT Expo, por exemplo, que o projeto do shopping center da tradicional estação Central do Brasil será entregue em 2020. O empreendimento de R$ 300 milhões terá uma área 36 mil metros quadrados e um hotel três estrelas.

“Somos especialistas em transportar pessoas a há os especialistas em explorar as oportunidades”, frisa Paulo Menezes Figueiredo, diretor-presidente da Companhia do Metrô de São Paulo, justificando porque é importante atrair outros tipos de atividades para dentro do sistema metroferroviário. “Temos cinco shoppings instalados em nossa estrutura que colaboram para que nossa arrecadação acessória anual seja de R$ 170 milhões. Temos capacidade para fomentar novos investimentos e triplicar este volume. São 4,5 milhões de pessoas passando pelo nosso sistema diariamente”

SuperVia apresenta projeto de novo shopping center carioca

A SuperVia, companhia responsável pelos trens urbanos da região metropolitana do Rio de Janeiro, apresentou durante o painel promovido pela ANPTrilhos, o projeto de revitalização da estação Central do Brasil, localizada no centro da capital carioca. O objetivo do projeto é implantar uma infraestrutura moderna e completa no entorno da principal estação da Cidade, que terá, entre outras melhorias, um shopping center (com aproximadamente 36 mil metros quadrados) e um hotel três estrelas.
“Iniciaremos as construções em 2018 e pretendemos inaugurar em 2020. Para isso, estamos investindo R$ 300 milhões”, antecipou o presidente da SuperVia, José Carlos Prober. Com a construção do empreendimento serão gerados mais de oito mil novos postos de trabalho na região. “Desse total, 2700 serão empregos diretos, enquanto seis mil serão vagas indiretas”, ressalta o executivo.

Para o presidente do Metrô de São Paulo, Paulo Menezes Figueiredo, o investimento da iniciativa privada em importantes estações é uma alternativa que deve ser considerada. “A construção de centros comerciais nas estações de metrôs e trens urbanos é o caminho, isso traz mais atratividade às instalações, aumenta o fluxo de passageiros e, consequentemente, a renda de todos os envolvidos. Em São Paulo, temos bons exemplos que trazem ótimos resultados, como o Shopping Metrô Tatuapé”, completa.
08/11/2016 – NT EXPO / Conteúdo Empresarial

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Setor de transporte de passageiros sobre trilhos prevê aumento de empregos pelo terceiro ano consecutivo


• De acordo com a ANPTrilhos, até 2020 setor deve contar com 60 mil profissionais empregados;
• Em novembro, São Paulo sedia evento que discutirá o futuro do mercado de trabalho em toda a indústria metroferroviária

Um dos reflexos mais imediatos da recessão econômica é no mercado de trabalho, que acaba sendo um dos mais afetados. A diminuição na atividade industrial atinge na mesma proporção o ritmo de abertura de vagas de trabalho e a manutenção desses postos. No entanto, há setores que sentiram menos os efeitos da crise que assola o país, entre eles, o metroferroviário. Segundo dados da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros Sobre Trilhos (ANPTrilhos), desde 2014 o segmento registra crescimento médio de 10% no número de vagas de trabalho.
De acordo com a superintendente da entidade, Roberta Marchesi, em 2015 a expansão chegou a 6%, alcançando a marca de 41.100 profissionais empregados. “Já é o segundo ano consecutivo que vamos na contramão da crise econômica, nosso segmento vem em uma crescente muito grande no número de empregos, muito em função das inaugurações e implantações de novos sistemas”, afirma.
Roberta prevê que para 2016 a ascensão continue. “Para este ano, esperamos novas vagas de trabalho nesse mercado, especialmente por causa da abertura da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, assim como pela inauguração do VLT da cidade, da expansão da Linha 2 do Metrô de Salvador, entre outras. O segmento vai crescendo e isso gera aumento na empregabilidade”, reforça a superintendente da ANPTrilhos, que será uma das associações presentes na NT Expo 2016, o principal evento dedicado ao setor metroferroviário na América Latina, que será realizado de 8 a 10 de novembro, em São Paulo.

Estima-se que até o final de 2020 o quadro de profissionais contratados chegue ao número de 60.000.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Cinco principais projetos de mobilidade só sairão após o Mundial

Paula Cristina - Agências
DCI – 21/05/2014

SÃO PAULO - As cinco obras prioritárias de Mobilidade Urbana previstas para ter entrega antes da Copa do Mundo não ficarão prontas, segundo balanço da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos).

Para a entidade, os projetos - o monotrilho de Manaus (AM) e o de São Paulo (SP), além do VLT em Cuiabá (MT), Brasília (DF) e Fortaleza (CE) - podiam ser uma forma de ampliar a mobilidade para o brasileiro de forma mais ágil. "A oportunidade da Copa do Mundo poderia ter sido melhor aproveitada, mas a sociedade vai herdar alguma estrutura desses jogos", argumentou o presidente do Conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores. 

Na opinião do executivo, o tempo gasto para aprovação de projetos e viabilização das obras juntos ao pode público é grande no País. "Para cumprir todas as exigências (para concluir uma obra), você precisa de um tempo muito grande no Brasil", afirmou. "Pode até ter faltado gestão em algum projeto, mas seria leviano fazer essa afirmação. Você só pode tomar iniciativa quando tem recursos para fazer", reconheceu. O recurso para essas obras são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Flores argumentou, ainda, que há uma "lacuna de investimentos" em obras de infraestrutura no Brasil. 

Enquanto os projetos prioritários de transportes urbanos não saem do papel, a entidade apurou que o número de passageiros transportados no sistema metroferroviário brasileiro aumentou 8% em 2013 ante 2012. O crescimento, segundo a entidade, ficou muito acima da expansão da rede no País, o que mostra a necessidade de avanço mais rápido. 

Em 2013, foram 2,7 bilhões de passageiros transportados, ante 2,5 bilhões de pessoas em 2012. A expectativa da associação é que o número chegue a 3 bilhões ainda este ano. 

"Tivemos um crescimento de demanda muito maior que o crescimento de rede, o que mostra necessidade de expansão dessas redes", afirmou Flores. 

De 2010 até 2013, o aumento médio foi de 11% ao ano. Em 2010, foram transportadas 1,9 bilhão de pessoas no País. Por dia, o crescimento foi de 2,2% em 2013 em relação a 2012 e chegou a 9,3 milhões de passageiros diários. 

"Uma vez que o País transporta 8% a mais de passageiros em relação a 2012, com um aumento inexpressivo da rede, está demonstrado claramente que o setor transporta sobre trilhos uma quantidade de usuários no limite de sua capacidade, o que explica os altos níveis de lotação dos principais sistemas", diz. 

De acordo com números da associação, a existência de sistema metroferroviário é responsável por tirar 1,1 milhão de carros além de mais 16 mil ônibus por dia dos centros urbanos nos quais há metrôs e Trens Urbanos ajudando a diminuir a poluição e a melhorar o tráfego nas grandes cidades.

Brasil transportou 2,7 bilhões em trens e metrôs em 2013

21/05/2014 - ANPTrilhos
O transporte sobre trilhos apresentou crescimento de 8% no número de passageiros em 2013 (2,7 bilhões de pessoas). No entanto, apesar das várias obras de expansão anunciadas e em execução, a malha ferroviária de passageiros cresceu apenas 0,5% em relação a 2012, o que explica os altos níveis de lotação dos principais sistemas.

“Isso é um indicador da sobrecarga com que atuam os operadores do sistema sobre trilhos, o que implica na necessidade de maior investimento na malha existente e não apenas em obras de expansão”, afirma Joubert Flores Filho, presidente do Conselho da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos - www.anptrilhos.org.br).

“Se analisarmos um período um pouco maior vemos que de 2010 a 2013 o total de passageiros transportados por trens e metrôs aumentou 11% enquanto que a média de crescimento da malha foi menor do que 3%”, completa.

Em 2013, Joubert informa que foram transportados em trens e metrôs 9,3 milhões pessoas ao dia ou 2,7 bilhões ao longo do ano. Em 2012 foram 2,5 bilhões. Os dados constam da terceira edição do balanço anual do setor metroferroviário brasileiro divulgado hoje, em Brasília, pela ANPTrilhos, que representa praticamente 100% dos operadores metroferroviários.

Legado da Copa e Olimpíada

A ANPtrilhos considera positivo o legado de sistemas de transporte sobre trilhos que ficará para a sociedade, em razão dos novos projetos que tinham como motivação a Copa do Mundo e as Olimpíadas 2016. “Não se pode considerar ruim o fato de parte dos projetos ter sua execução postergada em razão de fatores diversos”, avalia. Nos próximos seis anos, a ANPTrilhos espera que sejam implantados mais 331 km de sistemas sobre trilhos, representados em 25 projetos. Além desses, há 20 projetos em carteira para implantação de 1,8 mil km em linhas que poderão triplicar a malha brasileira.

Balanço 2013

Sobre o desempenho dos sistemas sobre trilhos do Brasil, Joubert diz que há muito a se fazer para que o país alcance outras nações.

“Só o metrô de Shangai (China), uma cidade do porte de São Paulo, transporta 7 milhões de pessoas ao dia, quase o mesmo número de todo o Brasil. Precisamos avançar muito mais nesse tipo de transporte de massa”, acrescenta o dirigente. No Brasil são 16 sistemas sobre trilhos presentes em menos da metade dos estados (12 estados e o Distrito Federal), totalizando 972,5 quilômetros de extensão.

Segundo ele, o meio de transporte majoritário no Brasil é o automóvel (39% da população), seguido do ônibus (25%) e dos trens e metrôs (3,8%). “Com esta divisão, o brasileiro perde muito tempo em deslocamentos. Isso afeta a produtividade do cidadão e, claro, dos empregadores”, diz.

Os benefícios promovidos pelo sistema sobre trilhos, se monetizados, teriam gerado em 2013 um ganho da ordem de R$ 20 bilhões à sociedade. Isso apenas em relação à redução do tempo de deslocamento da população, do consumo de combustíveis e a consequente diminuição da emissão de gases poluentes, bem como à redução de acidentes no trânsito.

 Sustentabilidade sobre trilhos

“O sistema usa carros (trens) movidos a energia elétrica basicamente. Consome pouca energia (1,7 GwH ou apenas 0,4% do total consumido em energia no país) e é de baixíssima emissão de CO2. É mais sustentável, transporta mais pessoas de uma vez e sua modernização e expansão devem ser prioridades no Brasil”, diz.

Os automóveis emitem 100g de CO2, os ônibus 80g e trens e metrôs apenas 50g. “O metrô de São Paulo, por exemplo, emite apenas 8g de CO2”, compara.

O sistema metroferroviário de passageiros no Brasil é responsável pela retirada de cerca de 1,1 milhão de carros e mais de 16.000 ônibus por dia dos centros urbanos onde há transporte regular sobre trilhos. 

Operadores de trens e metrôs ampliam geração de empregos
O presidente da ANPTrilhos diz que o setor está aumentando a oferta de empregos.

“Em 2011 eram 28.000 empregados; em 2012, 32.300; agora em 2013 o número saltou 11,5%, ou seja, para 36.000. E isso em um ano em que a geração de empregos no Brasil foi abaixo das expectativas”, diz. Segundo ele, em cinco anos o setor empregará cerca de 60 mil pessoas.


terça-feira, 10 de junho de 2014

Plano retoma trens de passageiros

07/05/2014 - O Estado de S. Paulo

O governo analisa um plano em investimentos e custeio de operação nos próximos seis anos para retomar o transporte de passageiros em trens em todo o País. É um estudo elaborado sob coordenação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e com participação de especialistas do mercado e da academia para reaproveitar a malha já existente e criar uma alternativa de mobilidade urbana.

O relatório final propõe a criação de mais uma estatal - a administração petista criou pelo menos sete, que vão desde a produção de derivados de sangue até a exploração do pré-sal -, dessa vez para implementar uma nova política nacional para o transporte regional, metropolitano e urbano. Ela foi batizada de Empresa Brasileira dos Transportes Terrestres (EBTT).

O estudo consumiu um ano de discussão. O relatório já foi entregue ao Ministério dos Transportes. O titular da pasta, César Borges, disse que vai entregar cópias aos Ministérios das Cidades e do Planejamento. De fato, explica um técnico da área, o resultado final das discussões é muito mais uma proposta de mobilidade urbana, que não é exatamente um tema dos Transportes. Dado o calendário eleitoral, a tendência é que o estudo sirva de base para um programa do próximo governo.

Estudos em fase mais adiantada indicam que algumas linhas poderiam ser concedidas para exploração pela iniciativa privada, com rentabilidade (ou Taxa Interna de Retorno, TIR), na faixa de 10% a 15%. Essas são as taxas calculadas para seis linhas que já têm estudos de viabilidade técnica, econômica e financeira concluídos. Pelo fato de estarem em estágio mais avançado, essas linhas foram selecionadas para funcionar como piloto das demais.

Nesse grupo há, por exemplo, uma ligação ferroviária entre Londrina e Maringá, no Paraná. Também o trem entre Caxias do Sul e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, e entre São Luiz e Itapecuru, no Maranhão.
PAC 3. O grupo recomendou que essas linhas sejam incluídas na terceira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que será lançado para um eventual segundo mandato de Dilma Rousseff. Assim, haveria recursos para fazer os projetos de engenharia e iniciar as obras ainda em 2015.

A proposta, porém, não fica restrita a essas linhas. O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós -Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) identificaram 64 rotas no País que poderiam ser financeiramente sustentáveis para trens de passageiros. Dessas, 16 já deram algum passo no longo processo burocrático rumo à sua transformação em empreendimento.

Além das seis que já dispõem de estudos, há outros trechos numa etapa anterior: estão sendo analisados para determinar, com maior grau de segurança, se são ou não viáveis do ponto de vista econômico. É o caso, por exemplo, da ligação de Brasília a Luziânia (GO), uma rota que passa por diversas cidades-satélites da capital federal.

Modelo. Ainda não está definido, porém, como seriam feitas as concessões. Se, por exemplo, elas seriam tocadas pelo governo federal ou do Estado. O mais provável, dizem os técnicos, é que variará de caso a caso, dependendo da capacidade gerencial do governo local.

Também tende a ser variável o modelo de concessão. Em alguns casos, poderá ser contratado somente o serviço de passageiros. Em outros, a manutenção da linha e o transporte de pessoas.

TAV deixa de ser prioridade do governo
A presidente Dilma Rousseff deve encerrar o mandato sem tirar do papel seu projeto mais emblemático na área de infraestrutura: o Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala que ligaria Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. O assunto não saiu de pauta, mas não está sendo priorizado nesse momento, admitiu ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o ministro dos Transportes, César Borges. Particularmente, acho que é um assunto para o próximo governo.

Em agosto, termina o prazo de um ano pedido pelos empreendedores estrangeiros para estruturar uma proposta para o TAV. Assim, em tese, o governo poderia retomar a concessão da linha. Porém, na avaliação do ministro, o calendário eleitoral pode pesar no apetite das empresas. Não trabalhamos com o horizonte de fazer qualquer ação no sentido de leiloar, disse Cesar Borges, que é favorável ao projeto. Vamos esperar para ver o mercado.

Em meados do ano passado, o governo fez sua melhor tentativa de leiloar o TAV. Acolheu propostas dos interessados e chegou a divulgar cartas dos bancos manifestando interesse em financiar os projetos. Porém, suspendeu a concorrência ao ser informado que apenas os franceses apresentariam uma proposta. Nos bastidores, espanhóis e alemães pediram mais tempo, por isso foi dado mais um ano. O processo foi complicado também porque muitas das interessadas estavam envolvidas nas investigações sobre formação de cartel em trens.

Já naquela ocasião, ficou clara a tendência de deixar o projeto para um eventual segundo mandato de Dilma. Um sinal do desinteresse foi a redução dos recursos para elaboração dos estudos. Enquanto a EPL falava em R$ 1 bilhão, o valor destinado ficou em R$ 247 milhões. De acordo com fonte da área técnica ouvidos pelo Broadcast, não houve, até agora, novos interessados no empreendimento.

A taxa de retorno não compensaria o risco do projeto, que é elevado. Este ano não sai mesmo, diz a fonte. E a única forma de tirar do papel a partir do ano que vem é o governo se responsabilizar pelo projeto executivo de engenharia. Esse estudo custaria cerca de R$ 1 bilhão

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Lula: metrô é luxo desnecessário


CORREIO BRAZILIENSE 17/05/2014

Ex-presidente classifica de "babaquice" a cobrança pela expansão das linhas até os estádios que serão palco de jogos da Copa do Mundo

"Que babaquice é essa?", questionou ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de expansão da rede de metrô até os estádios de futebol que receberão jogos da Copa do Mundo. "Nós nunca tivemos problemas em andar a pé", emendou. "Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa. A gente está preocupado que tem que ter metrô, tem que ir até dentro do estádio? Nós temos é que dar garantias para essa gente assistir aos jogos, comer a nossa comida. Disso que temos que ter orgulho."

Ao defender que o metrô seria um luxo desnecessário, o petista disse ainda que a Copa é um momento em que o Brasil deve "mostrar sua cara", e que "esconder pobre está fora de cogitação". As polêmicas declarações foram feitas durante o 4º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais, em São Paulo, em que também compareceram o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o pré-candidato ao governo estadual, Alexandre Padilha, e parlamentares petistas.

Lula não parou as polêmicas na "babaquice". O ex-presidente também anunciou ter descoberto o motivo para "tanta truculência e ataques contra o governo". "Estão com medo de Dilma", resumiu. E defendeu Haddad das críticas à gestão na prefeitura paulistana. "Não conheço ninguém que no primeiro ano (de mandato) tomou a quantidade de porrada que você tomou."

O petista disse ainda que não há motivos para o partido temer comparações com o PSDB "em nenhuma área, inclusive na questão da corrupção". "Esse governo certamente tem defeitos, como o meu governo teve defeitos, mas o que nós temos que comparar somos nós com eles", disse o ex-presidente, em referência a PT e PSDB. A única forma de "não ter corrupção neste país", continuou o ex-metalúrgico, é "contratar alguém para levantar o tapete e jogar coisa para debaixo". "Criamos um partido político para ser diferente, para fazer uma política que desse orgulho nas pessoas. Não fizemos para entrar na vala da mesmice", afirmou.

Entre blogueiros, Lula se sentiu à vontade ainda para defender a regulação da mídia. "Que não venham dizer que isso é censura, que estamos tentando controlar os meios de comunicação, porque quem tem que controlar os meios de comunicação é o telespectador, é o ouvinte, é o leitor. O que todos nós exigimos é que haja neutralidade e seriedade nas informações nesse país."

Vaias
Durante visita ao Nordeste, Dilma Rousseff participou da colação de grau de alunos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) em João Pessoa (PB) e em Teresina (PI). Em ambas cidades, ela foi recebida com vaias e protestos, principalmente, de professores e servidores das universidades. Mantendo a agenda de pré-campanha, Dilma entrega hoje 982 casas do Minha Casa, Minha Vida em Parnaíba, também no Piauí.

Uma peça  "exótica"
A propaganda publicitária produzida pelo PT continua repercutindo entre opositores. Ontem, ela foi caracterizada como "uma apresentação exótica" pelo presidenciável do PSDB, Aécio Neves, e como um "desserviço" pela pré-candidata à Vice-Presidência na chapa PSB-Rede, Marina Silva. Com uma mensagem que evoca o discurso do medo e afirma que os eleitores devem evitar a volta ao passado, o vídeo começou a ser veiculado na última terça-feira. A propaganda petista faz referência aos dois maiores opositores, chamando Eduardo Campos (PSB) de "salto no escuro para o futuro" e o tucano de "passo para o passado". 

O presidente do PSDB falou sobre o assunto em São Paulo. "O programa do PT brindou os brasileiros com uma apresentação exótica. Colocou o partido do mensalão como aquele que mais combate a corrupção, apresentou um governo que realizou inúmeras obras de mobilidade, mas grande parte delas está no meio do caminho em razão da incapacidade gerencial. É um governo que tenta embutir na sociedade o medo, disfarçando que quem tem medo hoje é o PT, de perder as eleições, perder o governo", enumerou. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A São Paulo dos trilhos (Artigo)

Jurandir Fernandes

10/03/2014

Na região metropolitana de São Paulo, as classes populares têm andado mais de carro e moto, e os mais ricos, de transporte público

A população de menor renda passou a utilizar mais o carro para realizar suas viagens na Grande São Paulo. Na outra ponta, famílias com renda mais alta estão usando mais o transporte público.

Em 2007, 23,4% da população com renda de até R$ 1.244 realizava suas viagens pelo modo individual, que inclui também as motos. Em 2012, o percentual subiu para 25,2%.

Entre as famílias com renda acima de R$ 9.300, tem ocorrido o fenômeno inverso. As viagens individuais caíram de 82,2%, em 2007, para 75,9%, em 2012. E o percentual de pessoas nessa faixa de renda que passou a usar transporte público aumentou de 17,8% para 24,1%.
Ou seja, as classes populares têm andado mais de carro e moto, e os mais ricos, de transporte público.

Os dados fazem parte da última Pesquisa de Mobilidade realizada pelo Metrô de São Paulo referente ao ano de 2012, e atualizada a cada cinco anos. As entrevistas foram feitas num universo de 8.115 domicílios, entre agosto e dezembro de 2012 e março e abril de 2013.

A grande explicação para a mudança no meio de locomoção entre a população de menor renda deve-se à política de incentivos do governo federal com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a facilidade na compra financiada de automóveis e motos.

O comportamento das classes mais altas segue uma tendência mundial de cada vez mais se libertar do transporte individual para realizar as viagens de ida e de volta ao trabalho. Nos grandes centros urbanos, os carros são incompatíveis com a qualidade de vida. Além do congestionamento, as consequências diretas do uso do automóvel e de motos são a poluição ambiental e sonora, os acidentes e mortes no trânsito e a perda de tempo.

A boa notícia é que, nos últimos cinco anos, houve um aumento considerável da participação do transporte sobre trilhos entre os modos de viagem da população na região metropolitana de São Paulo. As viagens realizadas por metrô cresceram 45% e as de trem, 62%. Nos ônibus municipais de São Paulo, o aumento foi de apenas 8%.

Esses dados são resultados dos investimentos do governo Alckmin na rede metroferroviária paulista, que hoje conta com 335 quilômetros que atendem a 22 municípios com uma tarifa única integrada de R$ 3.

Em 2013, o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) bateram recorde de passageiros transportados: 2,09 bilhões. As duas companhias são responsáveis por oferecer a maior oferta de transporte público em São Paulo. Diariamente, 7,4 milhões de passageiros usam trem e metrô. Nos ônibus municipais da capital, são 6,8 milhões de passageiros por dia.

Só a linha 3 do metrô, que liga as regiões leste e oeste da cidade de São Paulo, transporta em um dia 1,5 milhão de usuários, o equivalente à população da capital do Uruguai.

Moradores de São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul foram beneficiados com a extensão da linha 2 do metrô até Vila Prudente e a nova integração da linha 10 da CPTM. De 2007 a 2012, houve aumento de 71% nas viagens de metrô e de 85% nas de trem nessa região.

Nos últimos anos, o governo de São Paulo aumentou os investimentos na rede metroferroviária, com quatro obras de metrô e três de trem sendo realizadas simultaneamente. São 78 quilômetros em construção. Também estão sendo implantados 66 quilômetros de novos corredores de ônibus intermunicipais.

A integração do sistema sobre trilhos com o Bilhete Único e o Bilhete Metropolitano (BOM), a inauguração de novas estações, a integração gratuita entre a CPTM e o Metrô são alguns dos fatores que explicam a entrada de passageiros nos transportes metropolitanos.

Além da revisão das regras de uso e ocupação do solo, os investimentos em uma rede de transporte público de qualidade são a solução para a mobilidade em grandes cidades como São Paulo.

JURANDIR FERNANDES, 65, é secretário estadual dos Transportes Metropolitanos de São Paulo

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Petrópolis conclui projeto para retorno de trem

09/09/2013 - G1 Região Serrana

A Fundação de Cultura e Turismo anunciou, por meio da coordenadoria de comunicação, que o projeto da Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará já está pronto e que a prefeitura prevê que terá condições de solicitar os recursos necessários para a obra através do PAC - Plano de Aceleração do Crescimento - ao Ministério das Cidades ainda este ano.

O projeto, segundo a fundação, tem orçamento total estimado de R$ 217 milhões e inclui os recursos para a remoção de casas no trecho da Serra Velha e bairro Alto da Serra, embora ainda não haja um número definido de imóveis. Também não há previsão de data para o início das obras que, segundo o projeto, teria duração estimada de três anos.

As obras da linha férrea, segundo o projeto do município, serão realizadas a partir da Vila Inhomirim, em Magé, e se estenderão até o bairro Alto da Serra, em Petrópolis,  onde está prevista a construção de uma estação de troca para a utilização de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), mais leve e moderno, até o centro da cidade.

A Estrada de Ferro Grão-Pará -  inaugurada em 1883, no império de Dom Pedro II -  está desativada desde 1964, depois de 80 anos de uso. Sua malha ferroviária contava com cerca de 6 km de extensão, utilizava a técnica de cremalheira e atingia uma cota acima dos 800 metros no Alto da Serra.

O projeto que será apresentado no Ministério das Cidades consiste em aproveitar os três quilômetros do leito da Estrada de Ferro Leopoldina e os seis quilômetros do plano inclinado da Serra da Estrela (Grão-Pará) para restabelecer a ligação ferroviária entre o Centro Histórico de Petrópolis, o bairro Alto da Serra e o município de Magé.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Opinião: A insistência no erro chamado TAV

14/08/2013 - O Globo
A insistência do governo federal no complicado projeto do trem-bala Rio-São Paulo/Campinas chegou à fronteira da obsessão. Adiado pela terceira vez, devido à falta de interessados, o leilão foi remarcado para daqui a um ano. Incompreensível, se formos considerar apenas os fatos objetivos da questão.

Se o Brasil estivesse com sua infraestrutura em geral adequada às necessidades de movimentação de carga e deslocamento de pessoas, poderia fazer sentido debater um projeto de trem de alta velocidade. Mesmo assim, se as contas públicos também demonstrassem condições de suportar os subsídios, implícitos e explícitos, que este meio de transporte costuma exigir.

Mas nenhuma dessas condições existe, muito pelo contrário. As estradas estão cada vez mais precárias e lotadas, a malha ferroviária ainda acanhada e as capitais, engarrafadas. Vive-se a chamada “imobilidade urbana”, causada por baixos investimentos em sistemas de transporte de massa, em que se destaca o sobre trilhos, metrô e trens suburbanos.

Mesmo assim, continua na agenda do Planalto um projeto ilusório cujo custo apenas sobe: começou com uma estimativa de R$ 12 bilhões, passou para R$ 20 bilhões, agora está em R$ 33 bilhões e há estimativas que apostam em R$ 50 bilhões — a cifra que Dilma Rousseff mencionou, acossada pelo ressurgimento das manifestações de rua, como resposta às demandas por melhorias no transporte público. Não estava errada: o que poderá vir a ser gasto neste delirante projeto pode ampliar os metrôs do Rio e São Paulo, construir alguns outros e melhorar a malha de trens suburbanos.

Não se sabe sequer se as cifras são para valer. Quase certo que não sejam, dada a tradição de projetos oriundos do poder público sempre estarem com os custos subestimados. Até porque não há ainda projeto detalhado do trem-bala para uma estimativa de investimento consistente.

Como é do estilo do lulopetismo inaugurado pelas urnas em 2003, há uma estatal na área, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Aí pode estar um empecilho ao sensato engavetamento do projeto desse trem. Porém, há muito o que fazer em planejamento de transporte no país, e a própria EPL está tratando de projetos de rodovias e ferrovias.

Se empresas ligadas ao caso do cartel montado para o fornecimento de trens para os metrôs de São Paulo e Brasília (Alstom e outras) estão interessadas no trem de alta velocidade, não importa. O projeto é dispensável por si mesmo, diante das outras prioridades óbvias que o país tem em transporte.

A opção não pode ser trem-bala ou nada. Melhorias na Dutra, nos aeroportos, sempre com a iniciativa privada, são mais aconselháveis. Assim como a destinação de boa parte do dinheiro público reservado ao projeto megalomaníaco para metrô e trens nas capitais. O pior erro é insistir nele.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Após 40 anos de abandono, País pode ganhar 21 linhas de trens de passageiro

De olho na melhoria da mobilidade, governos estaduais e federal estudam construir 3,3 mil km de trilhos em 14 Estados até 2020
13 de outubro de 2012 | 3h 02
BRUNO RIBEIRO, RODRIGO BURGARELLI - O Estado de S.Paulo

Depois de quatro décadas de abandono, os trens regionais voltaram à pauta dos governos estaduais e federal. Atualmente, está em estudo pelo poder público a construção de 21 ramais ferroviários para passageiros. Caso todos os projetos planejados no Brasil saiam do papel no prazo previsto, o País pode ganhar 3.334 km de trilhos para transporte em 14 Estados até 2020.
O número é mais que o dobro do que está em operação. Apenas duas linhas de passageiros funcionam hoje no País: uma liga Belo Horizonte (MG) a Vitória (ES) e outra, São Luís (MA) a Carajás (PA) - ambas são operadas pela Vale.
O atual cenário contrasta com o que era esse mercado há meio século: na década de 1960, cerca de 100 milhões de passageiros eram transportados em trens interurbanos anualmente. Hoje, esse número é de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano.
Para Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), o ressurgimento de projetos de trilhos pelo País é reflexo do recente aumento da preocupação com a mobilidade. "O transporte ferroviário de passageiros é normalmente rápido, seguro, confortável e não poluente. Trens de velocidade média, entre 100 e 150 km/h, são uma alternativa para a mobilidade entre as cidades, que hoje está um desastre."
Entre os projetos mais avançados estão a ligação entre Brasília e Goiânia, passando por Anápolis (GO), e cerca de 500 km de trilhos em Minas Gerais que fariam a conexão entre Belo Horizonte e cidades como Sete Lagoas, Ouro Preto e Brumadinho. O primeiro, orçado em R$ 800 milhões, está prometido para 2017 e deve vencer todo o trajeto em cerca de uma hora. Já o segundo está divido em três trechos e deve ser feito por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) que já tem 18 interessados em preparar estudos de viabilidade. A expectativa é de que as obras comecem em 2014.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Trilhos transportaram 2,3 bilhões de pessoas em 2011

31/08/2012

O transporte nacional de passageiros sobre trilhos apresentou um aumento de 20%, de 2010 para 2011, sendo responsável pelo transporte de 2,3 bilhões de pessoas. Os números fazem parte do 1º balanço do setor metroferroviário brasileiro, realizado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) e foram divulgados na quinta-feira (30/08). Segundo a associação, a previsão para 2012 é de que esse número chegue a 2,5 bilhões de passageiros, representando um acréscimo de mais 10%.

Em contra partida, a malha metroferroviária não acompanhou o aumento da demanda e cresceu apenas 3%, no mesmo período. “Isso demonstra claramente que o setor transporta uma quantidade de usuários no limite de sua capacidade o que, por consequência, explica os altos níveis de lotação dos principais sistemas”, afirmou o presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores.

A tendência, para os próximos anos, é que a malha metroferroviária brasileira sofra uma remodelação, com o acréscimo de novos sistemas de passageiros, que estão sendo estudados pelos Estados. Mais de R$ 100 bilhões serão investidos nos próximos anos, considerando os recursos provenientes do Governo Federal, Governos Estaduais e iniciativa privada. Ao todo estão sendo estudados e desenvolvidos mais de 60 projetos na área de transporte metroferroviário. Cinco deles estão sendo tocados com recursos garantidos através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) do Governo Federal: expansão do Trem Urbano de São Leopoldo a Novo Hamburgo (RS); implantação do aeromóvel de Porto Alegre (RS); implantação da Linha Sul do Metrô de Fortaleza (CE); aquisição de trens para o Metrô de Recife (PE); e ampliação do Metrô de Recife.
  Através do PAC da Mobilidade Grandes e Médias Cidades serão investidos recursos para viabilizar a infraestrutura de transporte público de cidades acima de 250 mil habitantes. Para as grandes cidades, na área metroferroviária, 22 projetos já foram selecionados, dentre os quais: implantação do sistema de metro nas cidades de Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS); ampliação e implantação de novas linhas em Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE); e a implantação de VLT em Natal (RN), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Goiânia (GO), Brasília (DF) e São Paulo (SP).

O Brasil possui 15 sistemas urbanos de transporte de passageiros sobre trilhos, implantados em 11 Estados. Esses sistemas cobrem menos do que 45% dos estados brasileiros. Atualmente o sistema de transporte de passageiros sobre trilhos possui 1.030 km de extensão, divididos em 39 linhas, 493 estações e 716 composições.