terça-feira, 26 de agosto de 2014

Conta de energia será salgada para os metrôs em 2015

26/08/2014
CPTM prevê aumento de sua despesa de R$ 105 milhões para R$ 150 milhões

Os últimos reajustes nas tarifas de eletricidade autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), superiores à inflação, combinados ao alto preço da energia no mercado livre pressionarão fortemente, em 2015, os custos das empresas metroferroviárias, consumidores eletrointensivos. Segundo o diretor-presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Mário Bandeira, a conta de luz deve saltar dos atuais R$ 105 milhões para cerca de R$ 150 milhões, porque o contrato que a empresa tem com a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) vence em abril.

"Tentamos renovar, mas a Cesp já nos informou que não tem como fornecer o volume de energia que precisamos e as outras distribuidoras também não têm como nos fornecer. Teremos que fazer um pregão no mercado livre e, como os preços estão muito altos, estamos preparados para ter um aumento de custo de 40% a 50% com a conta de luz", afirmou.

Segundo o executivo, a empresa trabalha com uma curva declinante nos preços da energia no longo-prazo, mas, para os próximos dois anos, o cenário não é promissor. "A CPTM sofrerá com o período caótico de energia e de custos elevados. Já no vermelho, teremos um prejuízo ainda maior", disse Bandeira, após participar de painel sobre o tema no VI Brasil nos Trilhos, na semana passada.

O presidente da ViaQuatro, Luís Valença, também ressaltou que a operadora sofrerá um "enorme impacto no custo da energia elétrica" em 2015. A empresa fez projeções dos gastos com o insumo, de acordo com as chamadas bandeiras tarifárias que serão aplicadas pela Aneel em 2015, e o resultado não foi tranquilizador.

O órgão regulador irá aferir as tarifas pela bandeira verde  sem acréscimo  quando as condições forem favoráveis à geração de energia. Em condições menos favoráveis, a bandeira amarela será acionada e a tarifa sofrerá acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilo-watt-hora (kWh) consumidos. E, se piorarem as condições ainda mais, a tarifa sofrerá acréscimo de R$ 3 para cada 100 kWh consumidos. "No caso da bandeira amarela, o custo da energia elétrica será 27% maior para a ViaQuatro em 2015", explicou Valença.

Mesmo com a ViaQuatro considerada a empresa mais moderna do setor, o executivo destacou que as medidas de economia adotadas como a utilização de luz natural, motores com melhor aproveitamento e geração de energia pelo sistema de frenagem não serão suficientes para evitar a pressão do reajuste sobre os custos da companhia.

"Se acontecer a bandeira vermelha, essa despesa vai saltar de 17% para 22% do nosso custo operacional", exemplificou.

Setor defende novo modelo de medição
O setor metroferroviário voltou a intensificar pedidos junto à Aneel para que seja revista a Resolução n° 414/2010, que obriga a medição individualizada por subestação utilizada. Como a operação dos trens necessita da energia distribuída por várias subestações, as empresas defendem a contratação integralizada, cuja tarifa é calculada com base na média da carga utilizada.

"Somos um consumidor que produz em movimento. Logo, não se pode aplicar ao nosso setor a mesma forma de cobrança que se aplica a uma indústria que produz no mesmo lugar", defendeu o presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Joubert Flores

Primeira composição de VLT é embarcada para Natal

No Minuto - Natal/RN - HOME - 04/08/2014 - 18:23:11Assessoria/CBTU
Foram adquiridas 12 composições de VLT e 2 locomotivas. As locomotivas já estão no pátio da CBTU.
A Superintendência de Trens Urbanos de Natal receberá nos próximos dias a primeira composição de Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), adquirida pela CBTU, com investimentos de R$154 milhões de reais, disponibilizados pelo Governo Federal, por meio do PAC Equipamentos, para a modernização do material rodante que opera no sistema de trens urbanos do Estado.

Através desses investimentos, foram adquiridas 12 composições de VLT e 2 locomotivas. As locomotivas já estão no pátio da CBTU, em fase de testes, e a primeira composição de VLT, fabricada pela empresa Bom Sinal, situada em Barbalha-CE, foi embarcada com destino a Natal nesta segunda-feira (4) e deve chegar à capital potiguar ainda esta semana.

João Maria Cavalcanti, superintendente regional da CBTU, destaca que “com a implantação do sistema de transporte ferroviário na Região Metropolitana de Natal, destacando o VLT como indutor da mobilidade urbana, as pessoas vão se deslocar de maneira muito mais confortável, rápida e econômica, pois não há previsão de aumento da tarifa. O valor do transporte continuará R$ 0,50, sendo um incentivo para que as pessoas deixem seus carros em casa e passem a andar de VLT”.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Frota cresce mais rápido que estrutura viária


ANDRÉ MONTEIRO
Construir mais vias não vai resolver congestionamentos, diz ANTP, que defende melhoria do transporte coletivo

Associação Nacional de Transportes Públicos fez pesquisa em 438 cidades que têm mais de 60 mil habitantes

A frota de veículos nas maiores cidades do país cresceu bem mais que a estrutura viária nos últimos anos.

De 2003 para 2012, enquanto a frota aumentou 92%, a extensão de ruas subiu 16%.
A informação é de pesquisa inédita da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), que comparou dados de 438 municípios com mais de 60 mil habitantes.

A entidade usou dados oficiais para estimar a frota que efetivamente está em circulação e a quilometragem do sistema viário. O cálculo é baseado no tamanho e no crescimento das cidades e não inclui novas obras como de viadutos, por exemplo.

Segundo o engenheiro e sociólogo Eduardo Vasconcellos, coordenador do trabalho, a malha viária já está estabelecida e cresce conforme o aumento da população.

Com isso, a explosão da frota, principalmente de carros (70%) e motos (209%), explica os congestionamentos cada vez maiores nos grandes centros e que já chegam também ao interior do país.

Um aumento de 5% da frota causa um impacto muito maior no trânsito, pois a relação entre fluxo e tempo de percurso não é linear. Em cinco ou seis anos a cidade entope , diz Vasconcellos.

Ele avalia que a experiência nos países mostra que a saída não passa por gastar milhões para abrir mais ruas e avenidas, que inevitavelmente vão lotar. Cita como exemplo a cidade de Los Angeles, nos EUA, que tem grande quantidade de vias expressas mas sempre figura entre as campeãs de lentidão.

O caminho, diz, é fomentar o transporte coletivo e, principalmente, acabar com o estímulo oficial concedido ao transporte individual --como a redução de impostos para a compra de novos veículos e subsídio à gasolina.

A pesquisa aponta que a gasolina subiu 38% em dez anos, menos que a inflação de 160% do INPC/IBGE.

Descontando o gasto com a compra e manutenção, o custo de usar o carro em um mesmo deslocamento é equivalente à tarifa do transporte público nas nossas cidades. Na Europa, essa relação é de cinco vezes , diz.

Para Vasconcellos, a melhoria do transporte coletivo é urgente, mas enquanto o custo de usar o carro for igual ao ônibus, a maioria das pessoas vai ficar no carro .

Ceará marca leilão para conclusão de VLT

23/07/2014
O governo do Ceará, por meio da Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra), receberá no dia 11 de agosto as propostas para a conclusão das obras civis do ramal Parangaba-Mucuripe, em Fortaleza. O sistema já atinge 50% de execução e será operado por Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

A licitação será do tipo menor preço e a contratação será feita mediante o uso do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que permite contratações públicas mais rápidas para obras beneficiadas com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O leilão presencial será realizado às 15h, na Comissão Central de Concorrência, situada na Procuradoria Geral do Estado – PGE.

Para basear seus preços, as empresas interessadas podem solicitar na Seinfra as planilhas de quantitativos, cronograma físico-financeiro, projetos da obra e especificações técnicas. O material, segundo a secretaria, deve ser disponibilizado também no site www.seinfra.ce.gov.br ainda hoje (23/07).

Segundo a Seinfra, uma vez escolhida a empresa, passam a ser analisados os documentos de habilitação. Se inabilitada, será vista a proposta subsequente. Os serviços de conclusão de todo o trecho do VLT devem estar prontos num prazo de 18 meses a partir da assinatura da Ordem de Serviços.

O ramal Parangaba-Mucuripe é visto como uma importante contribuição para melhorar a mobilidade urbana em Fortaleza. Quando pronto, terá 12,7 km de extensão, sendo 11,3 km em superfície e 1,4 km em elevado. O VLT cruzará 22 bairros e beneficiará cerca de 100 mil pessoas por dia.

O sistema estava previsto para ser concluído antes da Copa do Mundo, mas, com obras atrasadas, teve o contrato com as construtoras suspenso no começo de junho. A obra está orçada em R$ 276,9 milhões.

Canoas: Propostas para os trechos 2 e 3 do aeromóvel aprovadas pela União

Fonte: Prefeitura de Canoas
A Portaria 389, do Ministério das Cidades, publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (21), mostra que a proposta encaminhada pela Prefeitura, a respeito da construção dos trechos 2 e 3 do aeromóvel, foi contemplada na seleção feita pelo órgão federal. A aprovação significa a liberação de recursos federais na ordem de R$ 9 milhões, para a elaboração de estudos e projetos do esquipamento de transporte de passageirso com energia limpa.

O prefeito Jairo Jorge avalia a liberação do recurso como mais um passo para concretizar as três linhas do aeromóvel em Canoas. “Somente com o estudo completo poderemos viabilizar as três etapas da obra de uma só vez. Temos previsão de contratação da empresa executora até o final do ano, por isso é fundamental termos os projetos”, diz o prefeito.

Primeiro trecho
O primeiro trecho do aeromóvel a ser construído em Canoas já tem R$ 272 milhões garantidos do Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-Mobilidade Médias Cidades). A diferença de R$ 45 milhões no valor apresentado, no final do estudo do projeto, está sendo negociada com a União. O próximo passo será o encaminhamento da licitação para as obras.

De acordo com o anteprojeto, nessa etapa serão construídos 5,9 quilômetros do percurso do aeromóvel, ligando a Estação Mathias Velho da Trensurb à Avenida 17 de Abril, no Bairro Guajuviras. Nessa extensão, estão previstas nove estações.

Trecho dois e três
O trecho 2 do aeromóvel em Canoas, de três quilômetros, ligará a Estação Mathias Velho da Trensurb ao final da Avenida Rio Grande do Sul, no mesmo bairro. O trecho 3 partirá do entroncamento das avenidas Farroupilha e Boqueirão, passando por Inconfidência e Sete Povos, até a Praça do Avião, em um total de cinco quilômetros. Esses dois trechos são os que tiveram a seleção divulgada no Diário Oficial nesta segunda-feira.

Transporte sustentável
O aeromóvel é um meio de transporte sustentável e automatizado. O veículo é movimentado por ventiladores industriais de alta potência, através de uma “haleta” ou “vela”, localizada dentro da via elevada, e não prejudica o trânsito de outros veículos.

O percurso do primeiro trecho do aeromóvel será feito em torno de 12 minutos, entre as estações dos bairros Mathias Velho e Guajuviras, em uma velocidade média de 25,74 quilômetros por hora. Em cada trajeto, serão transportados 5,6 mil usuários sentados por hora. De ônibus, esse mesmo percurso demora cerca de 30 minutos.

Crédito da notícia: Jornalista Luiz Roese – MTE 11631

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Museu do Trem sobrevive no anonimato, no RJ



25/07/2014 - O Globo
Ofuscado pela imensidão do interditado Estádio Engenhão, o barulho do vai e vem de carros na Rua Arquias Cordeiro e, ironia do destino, o ranger dos trilhos da Supervia, o Museu do Trem sobrevive no Engenho de Dentro quase no anonimato. Fundado em 1984, fechado duas décadas depois para a construção do estádio (erguido no terreno do museu) e reaberto no ano passado, o espaço recebe poucos visitantes e tem uma rotina tranquila, como a das máquinas que repousam em seu acervo — mas que outrora já transportaram reis, imperadores e diversas autoridades.

— Temos uma média de 30 a 40 visitantes. O Museu do Trem sempre esteve aqui, mas o que nos falta é divulgação. Precisamos ser incluídos nos principais roteiros turísticos organizados pela prefeitura e Estado. Além de precisarmos de uma reforma, para dar um aspecto melhor ao prédio, pois as pessoas passam por aqui e acham que o museu está abandonado. Outros acham que o museu nem está aberto — afirma Bartolomeu Homem d’El-Rei Pinto, historiador e diretor do museu.

Por exemplo, o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista — mesmo maior em tamanho e peso histórico —, recebe uma média de 300 visitantes por dia.

Além de Bartolomeu o local só possui outro funcionário, Flávio Duarte Macedo, que ajuda na manutenção. O diretor é o responsável pelas visitas guiadas. A entrada é gratuita e o horário de funcionamento vai das 10h às 16h, de segunda a sexta (exceto feriado).

Hoje com o nome oficial de Casa do Patrimônio Ferroviário do Rio de Janeiro, o Museu do Trem passou a ser administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional, o Iphan, após a extinção da Rede Ferroviária Federal S.A., em 2007.

— Nasci em Ilhéus, litoral sul da Bahia, e em frente à minha casa sempre passava uma “Maria-Fumaça”, pela qual eu era apaixonado. Trabalho no Iphan há 30 anos. Assim que o museu passou a ser administrado pelo orgão comecei a lutar para reabri-lo — conta Bartolomeu.

ACERVO INCLUI CARROS E OBJETOS
Um exemplo da importância do acervo do Museu do Trem é o fato de a primeira locomotiva que circulou no Brasil, em abril de 1854, estar no galpão do Engenho de Dentro. Trata-se da Baroneza (grafada com “z”, de acordo com a época). O nome foi dado em homenagem à Maria Joaquina Machado de Souza, esposa do Barão de Mauá, o responsável pela construção da primeira estrada de ferro do Brasil. Outra relíquia do século 19 é o carro imperial.

— Ele era utilizado pelo imperador Dom Pedro II para ir à residência de verão em Petrópolis. Foi fabricado na Bélgica, em 1886, já no fim do governo do monarca (destituído do poder três anos depois com a proclamação da república). No nosso acervo, também há um carro usado pelo Rei Alberto, da Bélgica, em sua visita ao Brasil, na década de 1920, quando ele foi a Minas Gerais inspecionar extração de ouro — explica Bartolomeu d’El-Rei.

O vagão utilizado pelo presidente Getúlio Vargas é outro destaque do museu, que não fica apenas nos trens, mas apresenta vários objetos ligados à história ferroviária.

— Todo o nosso acervo é original. Exibimos faróis de locomotivas, relógios de estações, equipamentos mecânicos para trens e para a construção das ferrovias — diz o diretor.

Novo lote de trens comprados da China chega ao RJ

O terceiro lote de trens chineses adquiridos pelo governo carioca chegou nesse domingo ao Porto do Rio de Janeiro para atender os ramais de trens da SuperVia. São quatro novas composições, com quatro vagões e capacidade para transportar cerca de 1,2 mil passageiros cada uma.

Antes de começar a operar, o novo lote passará pela primeira inspeção no porto e, em seguida, seguirá para Deodoro, onde será submetido a simulações e testes estáticos e dinâmicos. A previsão é que os novos trens comecem a circular na semana que vem. Durante uma semana, eles circularão das 10h às 15h no ramal de Deodoro até que sejam inseridos à grade regular do sistema ferroviário.

Os novos modelos contam com ar-condicionado, sistema automático de detecção de descarrilamento e telas de LCD nos vagões, além de circuitos interno e externo de TV, que permitem ao condutor a visualização das plataformas e o interior dos trens. O sistema de segurança inclui um mecanismo que não permite a abertura das portas durante as viagens.

A Supervia, concessionária que administra o serviço ferroviário, atende a cerca de 640 mil passageiros por dia. De acordo com a secretária estadual de Transportes, Tatiana Carius, a SuperVia vai aumentar significativamente o número de lugares com a aquisição das novas composições. “Os novos trens chineses superaram as nossas expectativas. Com os 70 trens, vamos gerar 840 mil novos lugares por dia na Supervia”, explica. 

A recuperação do sistema ferroviário teve início em 2009 com a aquisição de 30 trens, todos em operação. Até o fim de 2013, mais 70 novas composições foram compradas pelo estado. Segundo o governo do estado, três comboios estão em fase final de testes e, até dezembro, um lote de quatro trens vai desembarcar no Rio a cada mês.