quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Lucélio diz que BRT deve ser licitado em 15 dias e primeiro VLT já chega em agosto

  • Paraíba - João Pessoa/PB - BRASIL - 25/07/2014 - 23:35:07
O ex-superintendente da CBTU, Lucélio Cartaxo (PT) afirmou em entrevista ao Sistema Arapuan que o prefeito Luciano Cartaxo (PT) deve licitar o BRT em 15 dias. De acordo com ele, no próximo mês a Paraíba estará recebendo o primeiro Veículo Leve sobre Trilho (VLT).

Nós temos aqui em João Pessoa um problema serio na questão de mobilidade urbana e temos hoje um projeto e tive informações com o prefeito Luciano Cartaxo, que na próxima semana, possivelmente nós próximos 15 dias estará licitando o BRT, avisou.

De acordo com ele, o investimento é deve chegar a mais de 200 milhões incluindo o quinto corredor que é o da Avenida Tancredo Neves. Ele ainda afirmou que o primeiro VLT deve chegar ao Estado no próximo mês.

Segundo informações que teve com o atual superintendente da CBTU, Vlado Macedo, houve um pequeno atraso, mas no próximo mês estaremos recebendo o primeiro VLT e uma série de outros que esta vindo a Paraíba, avisou.

Wagner Mariano

CBTU Natal receberá o primeiro VLT

05/08/2014
A CBTU de Natal receberá nos próximos dias a primeira composição de Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O veículo, fabricado pela empresa Bom Sinal, deixou de carreta a cidade de Barbalha (CE), a cerca de 600 quilômetros de Natal, nesta segunda-feira (04/08).  Este é o primeiro dos doze VLTs adquiridos para o sistema potiguar.

O investimento é de R$ 154 milhões, disponibilizados pelo governo federal, por meio do PAC Equipamentos, para a modernização do sistema de trens urbanos do Rio Grande do Norte.
Foram adquiridas 12 composições de VLT e 2 locomotivas. As locomotivas, fabricadas pela Progress Rail/MGE, já estão no pátio da CBTU, em fase de testes.

Transporte Fretado: vilão ou solução? (Ponto de vista)

Maria Ligia Nakamura Guillen Vianna
ANTP 09/07/2014
Ensaio crítico apresentado no curso de Gestão de Mobilidade Urbana da ANTP

O transporte fretado já foi um assunto em alta, mas atualmente não tem sido discutido com tanta frequência, dando lugar a outros aspectos relacionados à Mobilidade Urbana, como a priorização do transporte público e dos modos não-motorizados. Todavia, é um assunto bastante pertinente, especialmente para cidades de médio porte. Em regiões metropolitanas o transporte fretado foi tratado como vilão. Isso porque, graças a ele muitas pessoas de outros municípios ou de outras regiões metropolitanas conseguem acessar diariamente os grandes centros urbanos, modificando a escala das relações de deslocamento entre moradia e trabalho. Nesse sentido, o município de São Paulo tornou-se caso emblemático ao proibir a entrada dos ônibus fretados. Na época isso causou grandes transtornos ao sistema de transporte público ? ônibus, metrô e trens - dado que houve uma sobredemanda de usuários que antes era atendida pelo transporte fretado e que foi obrigada a utilizar a rede pública existente. No caso específico de São Paulo, a proibição dos fretados foi ao mesmo tempo benéfica e maléfica: benefíca para o sistema viário, que deixou de ser ocupado por esses ônibus; maléfica aos usuários do transporte público coletivo já saturado, que ficou ainda mais sobrecarregado.

Isso nos leva à seguinte reflexão: proibir os ônibus fretados é a solução a ser adotada? Como os municípios devem encarar esse assunto?

Embora tenha seus pontos positivos e negativos, não se pode ignorar a função do transporte fretado nas cidades de médio porte, onde a lógica de funcionamento é diferente e interfere na rede de transporte de forma distinta dos grandes centros urbanos e capitais. Peguemos como exemplo o município de São José dos Campos (SP), que conta com população de 629.921 segundo o Censo de 2010 (IBGE) e que é uma cidade bastante industrial, com empresas como Embraer, GM, Petrobrás, Johnson&Johnson, Panasonic, Rhodia, entre outras. Todas elas são pólos geradores de tráfego e, no geral, localizam-se ou nas proximidades da Rodovia Presidente Dutra, ou em locais mais afastados que ao longo do tempo receberam urbanização nas áreas intermediárias.

Além disso, várias empresas dependem de um único acesso, sem alternativas, o que dificulta o uso de transporte público, tanto pela escassez de linhas, quanto pela alta demanda nos horários de pico. Por isso, todas essas empresas operam linhas de ônibus fretados, que servem tanto os funcionários residentes no município, quanto os residentes em outros municípios do Vale do Paraíba, incluindo ainda municípios da Região Metropolitana de São Paulo. Ao que se sabe, essas empresas cobram dos funcionários que utilizam esse modo um valor simbólico, atraindo tanto usuários potenciais do transporte coletivo quanto do transporte indivídual motorizado.

Se por um lado os fretados utilizam o sistema viário, compartilhando espaço com o transporte público coletivo e com os automóveis, por outro lado deixam de sobrecarregá-lo na medida em que são competitivos com o automóvel, especialmente nos municípios de médio porte, onde a facilidade, o preço e a precariedade do transporte público tornam o modo individual mais atrativo. Ou seja, a oferta de ônibus fretados nessas condições possibilita a migração de usuários do modo individual motorizado para o coletivo, otimizando o uso do sistema viário.

Do ponto de vista urbanístico, a opção por ônibus fretados que fazem trajetos diários casa-trabalho entre diferentes municípios é uma facilidade às pessoas que querem morar em locais mais afastados, seja por questões financeiras, seja por questões pessoais, modificando a forma como as cidades são urbanizadas em função da regionalização do mercado de trabalho . No caso da região do Vale do Paraíba isso é um problema grave, pois a Dutra se tornou a grande artéria de ligação entre as cidades, comprometendo a capacidade da via às pessoas que estão ali só de passagem, de São Paulo ao Rio de Janeiro, por exemplo. Portanto, é necessário reconhecer três níveis de atendimento do transporte fretado: intraurbano; metropolitano e regional ou macrometropolitano .

No nível intraurbano , empresas, indústrias e pólos geradores de tráfego oferecem o serviço aos seus funcionários, buscando atender o deslocamento de grandes quantidades de trabalhadores em horários específicos, que é o caso mais comum em São José dos Campos.

No nível metropolitano , empresas oferecem o serviço de transporte fretado do tipo executivo para deslocamentos dentro de áreas metropolitanas, como existe, por exemplo, da USP para municípios do ABC, que estão dentro da RMSP.

No nível regional ou macrometropolitano , diversas cidades pólo de metrópoles ou aglomerações urbanas são conectadas por ônibus fretados, abarcando cidades além da própria região metropolitana. Tomando por base a existência dessas três escalas de atendimento, observa-se que para o nível intraurbano o fretamento é extremamente importante e necessário por atender demandas específicas de empresas, não sendo encarado necessariamente como solução emergencial e até favorecendo o transporte público, que poderá ter mais chances de não ficar saturado para outras pessoas que o utilizam no horário de pico. Desde que autorizado pelo orgão municipal responsável por trânsito e regulamentado, com o estabelecimento dos pontos de parada e as rotas possíveis, evitando que prejudiquem a operação do transporte público coletivo e que os ônibus circulem em vias com dimensões e uso do solo inapropriados a esse tipo de veículo, os ônibus fretados não oferecem riscos à população. A própria mobilização das empresas em resolver seus problemas sem depender do poder público é uma maneira de tomar as rédeas de parte do problema da Mobilidade Urbana, na forma de parcerias entre poder público e privado.

No nível metropolitano, a solução depende muito do perfil dos deslocamentos, ocorrendo com frequência por motivo trabalho e estudo, como no caso das empresas do Vale do Paraíba e dos fretados que atendem a USP.

Também é necessário verificar as origens e destinos e a quantidade de passageiros transportados para verificar se a escolha de deslocamentos por ônibus onera ou não o sistema viário das cidades e as rodovias que ligam as regiões. No caso do Vale do Paraíba, tudo aponta para que se adote uma solução ferroviária, que só seria adequada se complementada por ônibus que fizessem a transição da Ferrovia para os principais pontos a serem acessados, dispersos na malha urbana. Isso porque os fretados têm a vantagem de oferecer um serviço praticamente porta a porta, enquanto que o ferroviário fica limitado a certo traçado, podendo comprometer o desenvolvido das cidades ao criar cicatrizes.

Além disso, uma vez verificada a predominância de deslocamentos pendulares com horários de pico bem definidos, das cidades satélites para as cidades pólo pela manhã e o inverso no final do dia, seria muito relevante que o traçado dessa Ferrovia buscasse atender outros perfis de viagem que não só as pendulares, favorecendo o desenvolvimento das áreas onde hoje há poucos empregos.

Por fim, no nível regional, em que se observa o aumento da frequência de deslocamentos, não há dúvidas de que um trem regional seria o mais adequado, desde que haja demanda comprovada. A regionalização do mercado de trabalho é fato consumado que não pode ser ignorado. Por isso, governo do Estado e Municípios devem estar alinhados para a construção de uma política de transporte regional que considere as questões aqui abordadas e o efeito de suas decisões na formação e crescimento das cidades. Para os casos em que a demanda atendida por transporte fretado poderia ser atendida por trem regional, deve-se fazer um estudo que defina as variáveis que comporão as tarifas do transporte público, de forma a torná-lo atrativo, o que também só ocorrerá se houver integração das diversas escalas de transporte público ? municipal, metropolitano e estadual.

Conclui-se que o transporte fretado não deve ser um modo de transporte vetado de toda e qualquer forma. Ao contrário, sua função nas cidades deve ser compreendida e disciplinada para que se tomem as decisões técnicas mais adequadas a cada perfil de demanda de deslocamentos, de acordo com os efeitos positivos e negativos para o transporte público coletivo e para a qualidade de vida dos cidadãos. Ainda, não se pode ignorar a influência de tal modo no planejamento e no futuro das cidades devido às condições de mobilidade que oferece, possibilitando novas formas de morar e novos modelos de urbanização.

Maria Ligia Nakamura Guillen Vianna - Arquiteta e Urbanista formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) com pós-graduação em Gerente de Cidade pela FAAP ( maliarquiteta@gmail.com ).

Dilma visita ferrovia já inaugurada, mas parada

Folha de São Paulo – 13/08/2014
Trecho entre Anápolis (GO) e Palmas ainda não recebeu nenhum trem
Diretor do Porto Seco de Anápolis diz que a Vale já pediu para operar o novo trecho, mas pleito ainda está sob análise

A presidente Dilma Rousseff visitou ontem a Ferrovia Norte-Sul em Anápolis (GO), obra que ela e Lula já inauguraram, mas que até agora não entrou em operação.

O trecho em que a presidente visitou teve sua construção iniciada em 2008. Em 2010, o ex-presidente Lula foi duas vezes entregar obras concluídas e neste ano a presidente Dilma já fez o mesmo.

No entanto, nenhum trem com carga jamais circulou pelo trecho que liga Anápolis a Palmas (TO). Isso porque, depois de pronto, não foi escolhida uma empresa para cuidar da segurança e da manutenção dos trilhos e oferecer trens para o transporte.

Sem manutenção e segurança, os trilhos já começam a ser roubados. O mesmo ocorreu em 2011, quando a Ferrovia também foi abandonada e sofreu deterioração.

Dilma minimizou os atrasos que a obra tem enfrentado. De acordo com ela, essa será uma das grandes realizações de projetos de infraestrutura, porque funcionará como uma espinha de peixe , ligando os principais pontos de produção do país.

Ela será uma das grandes realizações porque funciona como uma espinha de peixe. Irá integrar todo os sistema de transporte brasileiro , afirmou Dilma em uma coletiva.

Como não há cargueiros funcionando, Dilma embarcou em uma locomotiva com seis comboios, utilizados no transporte de material para a construção da Ferrovia. Ela percorreu cerca de 4 km.

Segundo Edson Tavares, diretor do Porto Seco de Anápolis, já há várias empresas interessadas em fazer transporte de carga pela estrada.

Segundo ele, a Vale, que opera o trecho entre Palmas (TO) e Itaqui (MA), já pediu para operar o trecho até Anápolis, e o pleito está em análise pelo governo. Segundo ele, esta solução seria a mais rápida para que a linha efetivamente pudesse funcionar.

Alguns cargas teriam um custo de transporte reduzido em 30% , afirmou Tavares.

Mesmo realizando a vistoria na condição de presidente, ela aproveitou a oportunidade para gravar imagens para o programa eleitoral. Ela destacou a decisão de investir mais em ferrovias para ampliar o sistema de transportes no país: Saímos do modal somente de rodovias para os diversos modais: Ferrovia, hidrovia e todo esse sistema de porto , disse.

Mas o plano do governo está atrasado: o programa de concessão à iniciativa privada de 12 mil km de novas estradas de ferro, lançado em 2012, empacou e nenhum trecho foi concedido até hoje.

(MARIANA HAUBERT E DIMMI AMORA)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Publicada seleção do Trem Pé-Vermelho como obra do PAC

24/06/2014 - Folha de Londrina
Foi publicada ontem no Diário Oficial a portaria 338, do Ministério das Cidades, tornando pública a proposta do Trem Pé-Vermelho, a "ser apoiada com recursos do Orçamento da União". O trem de passageiros vai ligar as cidades de Londrina e Maringá. A portaria diz que o projeto foi aprovado pelo Comitê Gestor do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 27 de fevereiro.

O documento publicado no Diário Oficial não estabelece prazos, nem dá detalhes do projeto. Mas, segundo Alexandre Faria, da Agência de Desenvolvimento Terra Roxa, trata-se de uma autorização para o governo contratar o projeto executivo da obra, estimado em R$ 10 milhões. A obra propriamente dita deve custar R$ 700 milhões.

"É uma formalidade que a gente estava aguardando. É uma um passo para a concretização do projeto", afirma o executivo. O solicitante da obra é o governo do Estado. "As próximas etapas serão definidas entre os governos do Estado e o federal", conta. A execução depende de convênio entre os dois entes federativos e de licitação.

O estudo de viabilidade do Trem Pé Vemelho foi feito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e seria submetido a uma audiência pública marcada para Apucarana, em junho do ano passado. Mas, o evento foi suspenso pelo Ministério dos Transportes e ainda não foi remarcado.

Inicialmente, o traçado do Ferrovia ia de Maringá a Londrina, mas, durante o estudo, foram incluídas no extremo oeste a cidade de Paiçandu e, no lado contrário, Ibiporã. São 152,6 km de trilhos, servindo a 13 cidades que concentram juntas 1,8 milhão de pessoas.

O trem faz parte do Programa de Resgate do Transporte Ferroviário de Passageiros, do governo federal. Foram estudados 68 trechos no País e 14 selecionados como viáveis. A proposta é que a composição saia de Paiçandu, passe por Maringá, Sarandi, Marialva, Mandaguari, Jandaia do Sul, Cambira, Apucarana, Arapongas, Rolândia, Cambé, Londrina e Ibiporã.

Contrariando estimativa inicial, o estudo de viabilidade concluiu que não será possível aproveitar os trilhos hoje existentes no trecho. Segundo apurou a FOLHA junto à UFSC em junho do ano passado, o programa prevê o tráfego mútuo de cargas e passageiros, desde que um não prejudique o outro. E o estudo concluiu que a Ferrovia hoje existente já está com sua capacidade esgotada. Ou seja, será necessário construir uma outra ao lada da atual.
Os técnicos da universidade fizeram uma viagem entre Londrina e Apucarana e só este trecho demorou nove horas. Entre os 14 projetos selecionados no País, o trem Pé-Vermelho é o segundo com processo mais adiantado.

A reportagem tentou contato ontem à tarde com os ministérios do Transporte e das Cidades, mas não conseguiu entrevistas devido ao jogo do Brasil na Copa do Mundo. Também não foi possível localizar o prefeito Alexandre Kireeff para repercutir a divulgação da portaria.

João Pessoa ganha primeira locomotiva climatizada, mas chegada do VLT é adiada


PORTAL CORREIO - São Paulo/SP - HOME - 04/08/2014 - 11:47:00
Nova Locomotiva Climatizada da CBTU
Começou a trafegar, em fase de teste operacional, a locomotiva 6014, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, equipamento que passou por um processo de modernização. Os serviços foram concluídos em meados deste mês e agora está recebendo os ajustes finais. A modernização foi feita na cidade de Hortolândia, em São Paulo, e representa um investimento da ordem de R$ 1,9 milhão da CBTU em João Pessoa.
A locomotiva é um veículo ferroviário que fornece a energia necessária para a colocação de um comboio ou trem em movimento. O equipamento recebeu uma série de itens jamais acrescentados no material rodante da CBTU em João Pessoa.
De acordo com informações da área operacional, a cabine da locomotiva foi climatizada, o sistema de farol funciona com iluminação econômica e o novo sistema de proteção dos motores de tração evita a queima do mesmo.
Esse dispositivo ao detectar falha de funcionamento em um dos quatro motores de tração o desligará automaticamente evitando a perda do equipamento. Atualmente, quando um motor apresenta defeito, ele continua funcionando e muitas vezes chega a queimar, causando prejuízos. Além dessas alterações, a locomotiva 6014 recebeu baterias, geradores de ar e carcaça de turbina totalmente novas.
Entrega VLT fica para novembro
Ainda neste ano, a CBTU disse que vai colocar em funcionamento os Veículos Leves Sobre Trilhos (VLT). Segundo a assessoria de imprensa, o prazo de entrega dos novos trens previsto para maio precisou ser adiado devido a um atraso na montagem do conjunto de rodas dos equipamentos. A montagem dos VLTs de João Pessoa e Natal (RN), é feita no Ceará e a nova previsão de início da operação é para o mês de novembro.
Novo projeto para sistema de trens
Ainda segundo à assessoria de comunicação, a CBTU está contratando, através de licitação lançada no dia 30 de julho, uma empresa que fará a elaboração total do sistema de trens de João Pessoa e área metropolitana.
No projeto deverão ser incluídas novas estações, ponto de oficina e garagem para os VLTs e novos pontos de cruzamento que darão mais flexibilidade e redução do tempo de espera, que vai passar de 50 para 15 minutos.

Rio: especialistas criticam trânsito e cobram investimentos em mobilidade

Pesquisa estimou que prejuízos, em 2014, devem chegar a R$ 25 bilhões
Jornal do Brasil Louise Rodrigues*

Especialistas comentaram pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), divulgada segunda-feira (28), que estima o custo dos congestionamentos na Região Metropolitana do Rio em R$ 29 bilhões em 2013, o que equivale a 8,2% do PIB metropolitano. Entre outros aspectos, economistas e engenheiros destacaram que a quantidade de obras no Rio contribui para essa perda, e que o problema de mobilidade reduz a produtividade, já que o trabalhador chega cansado no trabalho.

De acordo com a pesquisa da Firjan, em 2014 o prejuízo deve cair para R$ 25 bilhões e esse valor deve ser mantido em 2015, mesmo com a previsão de um aumento estimado em 0,9% dos engarrafamentos. Contudo, ainda segundo a pesquisa, caso não haja novos investimentos na ampliação do transporte de massa e no uso da Baía de Guanabara, pode haver um aumento do prejuízo em 2016 e, em 2022, alcançar R$ 40 bilhões. A Firjan considerou o tempo em que as pessoas economicamente ativas ficam paradas no trânsito e o gasto extra com combustível.

Para Adriano Pires, economista e especialista em infraestrutura da Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), “o estudo da Firjan mostra um obstáculo a um maior crescimento e eficiência do Rio de Janeiro”. Ele explica que “esse dinheiro que está sendo perdido, poderia ser investido em outras necessidades. Além disso, há o gasto de gasolina e as pessoas perdem horas de trabalho”. Para Adriano, “a quantidade de obras no Rio de Janeiro contribui para essa perda e a saída é investir em transporte coletivo e em diversos modais”.

João Sicsu, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que “o problema de mobilidade no Rio é grave porque reduz a produtividade. O trabalhador chega cansado no trabalho, depois horas no engarrafamento, e, quando vai voltar para casa, demora novamente e tem menos tempo de descanso”. Ele acrescenta que “além da perda de combustível, os congestionamentos trazem a poluição do ar e a poluição sonora”. Para Sicsu, a alternativa seria “investir em transporte de massa sobre trilhos, ampliando o metrô e modernizando os trens da SuperVia”. Perguntado sobre os impactos desse prejuízo para o bolso do carioca, o economista respondeu: “quando falamos em perdas, existem custos. Então, os preços tendem a subir”.


Fechamento da Avenida Rodrigues Alves gera longos congestionamentos na Zona Portuária
De acordo com engenheiro de transporte Alexandre Rojas, é difícil mensurar valores para a perda em produtividade que uma pessoa tem ao ficar parada no engarrafamento.

Contudo, ele confirma que “os números pela perda de mobilidade são bastante grandes”. Rojas acredita que “as políticas de transporte vão atender razoavelmente às Olimpíadas”. Ele explica: “Regiões que têm uma demanda significativa, como São Gonçalo e Niterói, estão sendo jogadas para segundo plano. O projeto da Linha 3 do metrô, que ia melhorar a mobilidade São Gonçalo – Rio de Janeiro, parou. Estamos falando de 600 mil viagens por dia. Isso iria desafogar o trânsito em vias como a Ponte Rio – Niterói e a Avenida Brasil.

Fora isso, a Baia de Guanabara é poluída. Se uma barca colide com algum objeto maior, como um móvel, ela quebra a proa e pode naufragar. Para investir em barcas Rio - São Gonçalo é preciso despoluir a Baía de Guanabara. Além disso, as barcas estão saturadas e sem investimentos e quem é responsável por isso é o Estado e não a iniciativa privada”.
Sobre Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU), Rojas esclarece que ele “aponta pontos críticos e, se o Estado atender as diretrizes desse plano, vai melhorar a mobilidade do Rio”, mas acrescenta: “O discurso está impecável. Só que apenas nos discursos, os planos são insuficientes”. O engenheiro também reforçou a necessidade de investimento nas linhas férreas do metrô. “Existem vários planos para o metrô e muitos deles, se implantados, serão bons. É preciso finalizar a Linha 4, por exemplo. Mas uma lacuna é a Linha 3, que é extremamente necessária”, apontou.

A pesquisa da Firjan estimou também que o Arco Metropolitano, os BRTs e a Transbaixada serão importantes para reduzir os congestionamentos, mas ressalta que novas obras precisam ser feitas a fim de atender a demanda de infra estrutura de transporte. Para a engenheira de transporte da COPPE/UFRJ, Eva Vider, não se pode descartar uma visão pessimista para o futuro. “É preciso terminar as linhas de metrô e investir pesado em infra estrutura. Como o próprio estudo aponta, vai sair mais caro se isso não for feito. A Linha 4 de metrô precisa ser concluída, o projeto da Linha 3 precisa ser retomado. É preciso investir também na Baía de Guanabara e em novas ligações aquaviárias”. Eva também acredita que “as obras vão atender a população, mas chegaram por causa das Olimpíadas. O PDTU já indicava há décadas o que devia ser feito em termos de mobilidade urbana no Rio, mas os investimentos só chegaram agora, por causa da Copa e das Olimpíadas”. 

* Do Programa de Estágio do JB