terça-feira, 20 de agosto de 2019

Entregue a última estação da Linha 5 do Metrô de São Paulo



 09/04/2019
 Estadão
Com goteiras e poças d'água e sem portas automáticas nas plataformas, a Estação Campo Belo foi inaugurada nesta segunda-feira, 8, após uma série de atrasos, completando a Linha 5-Lilás, que passou a ter todas as 17 estações em funcionamento. Nos 20 quilômetros de extensão, a linha atende a zona sul de São Paulo, ligando o Capão Redondo à Chácara Klabin, e transporta diariamente 550 mil passageiros em média.
Usuários elogiam rapidez, limpeza e imponência das estações, mas se queixam de goteiras, ausência de portas automáticas e até falta de elevador nas estações do ramal. As portas automáticas nas plataformas já começaram a ser instaladas em algumas estações, como a Santa Cruz. Na AACD-Servidor, somente a plataforma no sentido Capão Redondo tem portas automáticas; a estrutura do lado oposto, sentido Chácara Klabin, está em fase de implementação.
A previsão inicial era de que a Linha 5-Lilás fosse entregue em 2016. Em julho do ano passado, a Companhia do Metropolitano, que administra a rede, informou que haveria novos atrasos no cronograma das estações que seriam inauguradas no primeiro semestre de 2018. Na época, foi informado que a Estação Campo Belo seria entregue em dezembro.
A primeira estação da linha, Adolfo Pinheiro, foi aberta em 2014. As Estações Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin foram concluídas em 2017. Já as Estações Eucaliptos, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin foram inauguradas em 2018. Durante a primeira semana de funcionamento, a Estação Campo Belo terá operação reduzida, das 10 às 15 horas, mas com cobrança de tarifa.
Para o estudante Gustavo Batista, de 17 anos, a Linha 5-Lilás é a melhor de toda a rede metroviária. "Não sei se é porque é a mais nova, mas é a que menos demora, tanto o tempo de espera do trem quanto a viagem em si. E é também a mais limpa", afirma. Sobre a ausência de portas automáticas, o pai de Gustavo, o vendedor Pedro Batista, de 59 anos, diz que "para dar mais segurança é sempre bom ter portas automáticas".
Críticas
Mas também há reclamações sobre o ramal. Entre as Estações Moema e Campo Belo, por exemplo, faltam ainda máquinas para recarga do bilhete único - somente guichês com funcionários. Usuários relataram ter visto goteiras na Santa Cruz no último fim de semana, após a tempestade que atingiu a capital paulista.
É o caso também da plataforma da AACD-Servidor, que leva usuários do transporte público - incluindo cadeirantes - até a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Lá, um balde foi colocado para coletar as gotas que caem do teto, ao lado de uma placa amarela de alerta. "Dá para ver que foi entregue do jeito que deu. Como a gente necessita, ainda é melhor assim, funcionando, mesmo com goteira", diz a professora Nilda Rosa, de 53 anos. Nesta segunda, ela levava o pai, cadeirante, para a AACD.
A Companhia do Metropolitano disse que as obras estão dentro da garantia e as empreiteiras foram acionadas para reparos nos locais onde foram observadas goteiras. Sobre o problema com as portas, o Metrô disse ter multado a empresa contratada em mais de R$ 50 milhões pelo atraso no cumprimento do cronograma estabelecido. Sobre as máquinas de recarga, a ViaMobilidade, concessionária da linha, disse que, na Estação Campo Belo, elas devem ser instaladas ainda em abril. Para as demais, há um processo de negociação em andamento.
Expansão
O número de usuários da Linha 5-Lilás deve aumentar após a integração com a Linha 17-Ouro (monotrilho), cujo contrato foi rescindido em função da lentidão nas obras.
Na inauguração desta segunda, o governador João Doria (PSDB) disse que foram retomados os estudos do Metrô para levar o modal até o Jardim Ângela, na zona sul. O tucano anunciou ainda a retomada das obras paradas do metrô e sinalizou a adoção do modelo de Parceria Público-Privada (PPP) para a conclusão do restante das estações.
"A boa notícia é que iniciamos os estudos, formalmente, para levar o metrô até o Jardim Ângela. A perspectiva é de, ainda este ano, atender até 850 mil usuários por dia (na Linha 5-Lilás). A outra boa informação é que, todas as obras paradas do Metrô serão retomadas em regime de concessão privada."


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Corcovado recebe nova geração de trens, que agora contam com teto panorâmico e mais espaço


  
13/06/2019
person O Globo
O Trem do Corcovado apresentou nesta quarta-feira o novo modelo de veículo, previsto para ser inaugurado no dia 9 de outubro. Das três composições adquiridas, uma delas aportou nesta quarta-feira na cidade, e as outras duas chegam em agosto. A velocidade máxima de subida e descida dos novos transportes são de 25 Km/h e 18 Km/h, respectivamente. Custeado em R$ 200 milhões, o projeto foi executado pela construtora de trens suíça Stadler Rail. Esta será a quarta geração de trens da ferrovia. 
Com capacidade para transportar 134 viajantes, estima-se que haverá um acréscimo de 30% no número de passageiros ao ano, podendo levar um milhão de pessoas ao Cristo Redentor em 2020. Os vagões possuem teto panorâmico, espaço para bicicletas e cadeiras de rodas.
Apesar das melhorias com a nova composição, a modernização do trem contrasta com o estado da estação, que faz 135 anos este ano. O presidente da Trem Corcovado, Sávio Neves, admitiu que a estação ficou ultrapassada e não corresponde às expectativas dos visitantes, que chegam e dão de cara com uma estrutura improvisada.
- A melhoria pretende dobrar de tamanho, contando com escada rolante e um segundo andar. O objetivo é oferecer mais conforto e segurança na hora de receber o turista, porque, atualmente, a estação é a mesma da época de Dom Pedro II. Ela ficou totalmente obsoleta e ultrapassada.
Na tentativa de revitalizar o local, a Trem Corcovado iniciou as obras de modernização da estação Cosme Velho no início de maio passado.  No entanto, elas foram barradas por uma liminar emitida pela 16ª Vara de Fazenda Pública no último dia 20, depois que moradores deram entrada na Justiça para impedir a continuidade das obras. Na decisão, a juíza Natascha Maculan Adum Dazzi afirma que a Esfeco, empresa que administra o sistema há 38 anos, não apresentou um projeto arquitetônico com o impacto da obra.
- Os moradores dizem que a gente está fazendo uma obra sem comunicar a vizinhança e que a intervenção pode trazer um impacto. Se a gente conseguir a autorização, nós começamos imediatamente. Seria o ideal a gente inaugurar os novos trens em operação junto com a nova estação. As obras devem custar por volta de R$ 20 milhões, com dinheiro exclusivamente privado. Não tem um centavo do dinheiro público e mesmo assim a gente tem toda essa burocracia.
Outro fator que dificulta o andamento das obras na estação é a necessidade de uma autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) por ser tratar de um bem tombado.
Composições ao longo dos anos
Inaugurada em 9 de outubro de 1884 pelo Imperador D. Pedro II, a Estrada de Ferro do Corcovado é o passeio turístico mais antigo do país. À época o trem era movido a vapor e tinha capacidade de percorrer 3.824 metros em terreno íngreme. Mais antigo que o Cristo Redentor, a ferrovia transportou ao topo da montanha as pedras que foram utilizadas na construção do ponto turístico, inaugurado em 12 de outubro de 1931.
Em 1910, os trens a vapor foram substituídos por trens elétricos. Esta mudança e melhoramentos na ferrovia foram um marco na engenharia e na história dos transportes do Brasil, pois a Estrada de Ferro do Corcovado foi a primeira ferrovia elétrica do país.
A terceira composição chegou à cidade da Suíça em 1978. A mudança começou a transportar a quantidade atual de passageiros de 800 mil pessoas por ano. O trajeto no trem é também um passeio ecológico, atravessando a segunda maior floresta urbana do mundo, o Parque Nacional da Tijuca. Além disso, por ser elétrico, o trem não polui e parte do preço do ingresso é destinado ao Parque Nacional da Tijuca.


Poços de Caldas assina parceria com empresa alemã para estudar viabilidade do monotrilho



  04/07/2019
A Prefeitura de Poços de Caldas (MG) assinou nesta quarta-feira (3) uma parceria com uma empresa alemã para estudar a viabilidade do monotrilho, que está desativado desde 2003. A tentativa é colocar o sistema em funcionamento em 2020.
Segundo a administração, o interesse da empresa europeia surgiu após a prefeitura retomar a posse do sistema em janeiro deste ano.
A empresa dona da concessão do monotrilho abriu mão do contrato depois de uma disputa judicial com o município. Depois da análise de viabilidade, o projeto poderá contar com o investimento do governo alemão.
"Esse monotrilho até então estava sendo visto como um problema, para nós soou como uma oportunidade. Portanto a gente tem uma solução, vemos muito potencial, já conhecia a cidade, desta vez que eu vim conheci ainda mais, vi o potencial turístico que a gente tem aqui, então acreditamos muito que a gente encontre uma viabilidade para isso, por isso que a gente está investindo neste projeto", disse o diretor da empresa, Phellipe Barcelos.
Segundo a Prefeitura, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) fará o laudo de segurança da estrutura. A expectativa é que o estudo de viabilidade seja entregue até o final do ano e que no início de 2020 a estrutura do monotrilho tenha um destino definido.
"O nosso sonho é que ele possa funcionar, mas acima de tudo que possa funcionar com segurança, num sistema que participe do nosso transporte coletivo, da nossa mobilidade urbana. Acho que nós estamos bem acompanhados nesse grande problema que virou o monotrilho para Poços, mas de problema que sabe ele possa virar uma grande solução", disse o prefeito Sérgio Azevedo (PSDB).
O monotrilho
O contrato de concessão do monotrilho foi assinado em 1981 e permitia que a empresa escolhida explorasse os serviços por cinco décadas após a inauguração. A ideia inicial era que o sistema atendesse o transporte público com cerca de 30 quilômetros de extensão, mas só cinco foram erguidos.
O primeiro trecho começou a funcionar em 2000, mas três anos depois parte da estrutura desabou e o monotrilho nunca mais funcionou. Agora, a proposta é avaliar a estrutura e as tecnologias.
Veja a linha do tempo do monotrilho:
agosto de 1981: câmara aprova a construção e a abertura de licitação para o monotrilho.
outubro de 1981: prefeitura assina o contrato com a empresa J. Ferreira Ltda. A ideia era que ela bancasse toda a obra e, depois de 50 anos de funcionamento, devolvesse o monotrilho para a prefeitura. A construção começa no mesmo ano.
janeiro de 1989: as obras ficaram paradas e a prefeitura faz estudos nos contratos com a concessionária para determinar quais medidas tomar para o reinício do serviço.
junho de 1990: testes experimentais são realizados, mas após uma falha grave, são suspensos.
25 de setembro de 2000: após a inauguração oficial, o trem descarrila em uma curva e 19 pessoas têm que ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. O monotrilho funciona poucas vezes até 2003, quando é suspenso definitivamente.
14 de novembro de 2003: duas pilastras, que ficam ao longo da Avenida João Pinheiro, caem e derrubam cerca de 50 metros da estrutura.
9 de março de 2005: um laudo aponta que a culpa foi de obras realizadas pela prefeitura para desassoreamento do Ribeirão Poços de Caldas, que corta a cidade.
30 de setembro de 2014: Ministério Público trabalha para que o monotrilho volte a funcionar, mas um impasse entre a prefeitura e a empresa mantém o serviço suspenso.
17 de dezembro de 2014: concessionária e prefeitura não entram em um acordo referente ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do monotrilho proposto pelo MP. O trem segue sem funcionar.
22 de julho de 2015: a EPTV Sul de Minas, afiliada da Rede Globo, mostra que moradores de rua usam o monotrilho como abrigo e se recusam a ir para centros de recolhimento da cidade.
22 de março de 2016: uma liminar da 3ª Vara Cível de Poços de Caldas determina que a prefeitura faça reparos no monotrilho para evitar que parte da estrutura desabe.
26 de março de 2016: prefeitura questiona a liminar e pede que a empresa que tem a licitação seja intimada.
20 de março de 2017: um abaixo-assinado pede a demolição da estrutura do monotrilho. O grupo alega que o empreendimento deixou um legado de agressão à natureza, além do risco à segurança dos moradores e visitantes da cidade.
5 de dezembro de 2018: parte da estrutura do monotrilho é isolada para manutenção. A medida é tomada pela empresa responsável pela construção inicial do trem.
29 de janeiro de 2019: a empresa J. Ferreira Ltda desiste de contrato de concessão do monotrilho e entrega a obra à Prefeitura de Poços de Caldas.


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Linha Sul do metrô de Fortaleza só transporta 9,7% do total projetado de passageiros



  05/08/2019
person G1
Há sete anos a Linha Sul do Metrô de Fortaleza (Metrofor) entrou em funcionamento. Isto, após quase 13 anos de obras. Hoje, a linha que liga a capital a Maracanaú, na Região Metropolitana, é a maior via de transporte de passageiros sobre trilhos em operação no Ceará, tanto em extensão como em quantidade de usuários. Entre 2015 e 2018, o aumento dos embarques foi de 84%, passando de 4,6 milhões para 8,6 milhões. A situação da linha reflete justamente os dilemas do transporte metroferroviário em Fortaleza, que, apesar de bem avaliado por quem usa, ainda padece com o ritmo lento de expansão e oferta integral dos serviços.
Apesar da expansão de 84% no número de usuários, a linha transporta por mês 34 mil passageiros, o equivalente a 9,7% do projetado em 2012, quando o metrô entrou em operação. A estimativa era de que 350 mil passageiros fossem transportados por mês caso o sistema metroferroviário estivesse operando totalmente, com a Linha Oeste e o VLT, e integrado a outros modais, como ônibus.
O presidente do Metrofor, Eduardo Hotz, considera essa quantidade "um avanço significativo" e reitera que o número estimado de transporte de 350 mil pessoas por dia seria possível se, além da Linha Sul completamente estruturada, as linhas Oeste, Leste e o VLT já estivessem em funcionamento pleno.
"Eu não avalio como um problema, embora a primeira vista seja 10% do que havia sido citado, porque na realidade o nosso sistema está operando com marcha à vista, isto é, sem sistemas automatizados, porque eles não acabaram de ser implantados. A nossa previsão era conseguir fazer essa implantação até o fim do ano e ainda continuamos com essa pauta. Se isso acontecer nós estaremos em condição de dobrar a frota e reduzir pela metade o intervalo entre os trens, portanto estarei oferecendo um serviço de muito melhor qualidade", afirma.
Eduardo também garante que não "há decepção com esse processo", porque ele depende da liberação de recursos. "Nós sabemos que o metrô de Fortaleza tem sofrido com a liberação de recursos sendo feita de maneira não sistemática e abaixo do que estava previsto nos contratos originais por conta da dificuldades financeiras que passou o governo federal, e os próprios cuidados que eram necessários o governo estadual ter pra fazer as suas despesas".
Ele avalia que, embora a operação tenha déficits, ainda é bastante consistente em relação aos outros projetos. "A nossa demanda hoje é de 34 mil. Quando começamos esse processo, não tínhamos 5 mil ou 6 mil passageiros por dia. Isso é positivo porque traz não apenas uma receita adicional como também oferece às pessoas uma confiança de que o metrô está andando".
Intervalo entre as viagens gera queixas
Entre os usuários as queixas referem-se, sobretudo, ao intervalo de tempo entre as composições. Os 20 minutos de espera na Estação da Parangaba poderiam ser reduzidos, projeta a técnica de enfermagem Amanda da Silva, mas ela reconhece que de forma gradual o intervalo entre um metrô e outro tem diminuído. Há mais de dis anos, a Linha Sul é prioridade em seu deslocamento entre Maracanaú e Fortaleza.
O faturista Michel Platini, morador da Região Metropolitana, compartilha da percepção. Dos sete anos de abertura da Linha Sul, há seis ele usufrui do modal para chegar ao trabalho no Bairro Parangaba, em Fortaleza. Sai de casa às 6h e retorna às 17h. Trajeto rápido, que caso fosse de ônibus levaria cerca de duas horas. "É um transporte muito bom, mas se tivesse menos intervalo seria melhor. Tem vezes que está tão lotado que não tem nem como a gente subir", desabafa.
O presidente do Metrofor ressalta que a perspectiva é garantir recursos para que até março de 2020 o metrô esteja automatizado. O que poderá reduzir o intervalo das viagens e aumentar a frota uma vez que haverá mais segurança da sinalização. "Isto é, eu posso reduzir o intervalo para a metade. Com isso, posso dobrar a minha frota, porque terei mais segurança para colocar mais trens operando. Hoje opero com cinco trens e passarei a operar com dez quando tiver o sistema de sinalização. A oferta de lugares será não apenas maior do ponto de vista de quantidade como muito maior do ponto de vista da qualidade. Hoje tenho de 16 a 17 minutos, terei algo em torno de sete minutos e meio a oito minutos, que facilita muito a vida das pessoas".
Integração necessária
Uma das premissas para otimizar a expansão do transporte sobre trilhos é não vê-lo como "concorrente de algum outro sistema, sobretudo transporte público por ônibus", alerta o professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Bruno Vieira Bertoncini. De acordo com ele, a não integração da rede metroferroviária com os ônibus e bicicletas é um elemento que prejudica o desempenho do sistema, bem como a mobilidade urbana. Um dos exemplos é a ausência de políticas para transporte de bicicletas nos vagões ou mesmo de bicicletários nas estações.
Além disso, o traçado da linha passando por áreas pouco adensadas de população, ou de comércio, pode comprometer a atração do modal e provocar um efeito de concentração de viagens em momentos bem definidos do dia e gerar ociosidade em outros períodos. "Uma quantidade de passageiros transportada por dia muito abaixo da capacidade do sistema pode ser ruim, não apenas para o equilíbrio financeiro do mesmo, mas também para outros aspectos, como manutenção do nível de serviço do sistema. Contudo, a demanda dependerá da existência de atividades ao longo do corredor, bem como da possibilidade de integração com os demais componentes da oferta de transportes".
Tarifas não pagam operação
Na Linha Sul, as tarifas são R$ 3,60 a inteira e R$ 1,80 a meia. Mas os valores pagos pelos usuários não custeiam nem as operações e nem a manutenção da linha. Essa situação, explica o conselheiro da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Conrado Grava de Souza, é comum nas operações do transporte público sobre trilhos. Conforme o professor Bruno Bertoncini, "seria inviável repassar tais custos para o valor da tarifa, pois ficaria muito cara".
O representante da ANPTrilhos também destaca que poucos sistemas pesados de metrô público do mundo são autossuficientes. Um exemplo é o sistema de São Paulo, que paga o próprio custo operacional. "Se você tiver um bom planejamento e diminuir a ineficiência do sistema, consegue manter. Mas sequer tem condições de ampliar", pondera Souza.
O G1 solicitou ao Metrofor os custos mensais de cada linha em operação, mas até a publicação desta matéria não teve resposta. Uma das alternativas avaliadas pelo Metrofor, segundo o presidente do órgão, Eduardo Hotz, é a exploração de receitas não tarifárias, como o aluguel de boxes nas estações. Isto pode acrescer entre 15% e 20% da cobertura de custeio das linhas.

Metrofor fecha 2018 com prejuízo de R$ 180,9 milhões


  

22/04/2019
person O Povo
O prejuízo da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor) somou R$ 180,90 milhões em 2018, 8,1% maior que o registrado em 2017, quando o déficit foi de R$ 167,34 milhões. De acordo com balanço financeiro divulgado pelo Governo do Estado, desde que o Sistema Metroviário do Ceará começou a operar comercialmente com a Linha Sul de Fortaleza, em outubro de 2014, a empresa acumula prejuízo de R$ 880,84 milhões. Também entram na conta o VLT (Veículos Leves sobre Trilhos) da Linha Oeste, que liga a Capital cearense à Caucaia, e os metrôs do Cariri e Sobral.
Apesar de o lucro bruto do Metrofor, obtido pelas tarifas pagas pelos passageiros, ainda estar longe de cobrir as despesas operacionais do equipamento, a companhia comemora o aumento da movimentação de pessoas que utilizam o sistema. Em 2018, por exemplo, a Linha Sul, que interliga Fortaleza às cidades de Maracanaú e Pacatuba, na Região Metropolitana, recebeu 8,64 milhões de passageiros, número 32% maior que os 6,53 milhões contabilizados no ano anterior. Considerando todos os ramais, foram mais de 13 milhões de passageiros transportados. Nesse total, também está incluída a movimentação de mais de 591 mil pessoas do VLT Parangaba-Mucuripe, em operação assistida desde julho de 2017.
Mesmo com o sistema deficitário, a receita operacional do Metrofor, que corresponde ao valor que a empresa recebe pela venda de seus produtos, cresceu 43,4% em razão da maior demanda de passageiros. Passou de R$ 18,52 milhões em 2017 para R$ 26,56 milhões em 2018. Por outro lado, ao longo desses 12 meses, a valorização do Metrofor recuou 0,5%. O total geral do ativo da companhia, que representa o conjunto de bens e direitos de uma organização, foi de R$ 1,89 bilhão para R$ 1,88 bilhão.
Em relação à Linha Sul, o Governo destaca que, no ano passado, foi implantado um sistema de telecomunicações ao longo da ramal e nos trens. Também observa o início do funcionamento de negócios não operacionais no equipamento, por meio do fornecimento de diversos serviços, como lojas, exploração de mídia e máquinas de vendas automáticas, com expansão prevista para 2019.
Além disso, aponta o projeto de envelopamento nas áreas externas dos trens com informes publicitários. "Ainda na Linha Sul, foi inaugurada em maio de 2018 uma área de lazer, com 127 metros quadrados, ao lado da Estação Juscelino Kubitschek, com diversos brinquedos e equipamentos de ginástica, na avenida João Pessoa", acrescenta.
Em março do ano passado, o Governo lançou edital da Proposta de Manifestação de Interesse (PMI) que antecede a Parceria Público-Privada (PPP) para a concessão do Sistema Metroviário do Ceará à iniciativa privada, que terá o direito de operar e explorar as linhas, além de cumprir, a longo prazo, uma agenda de manutenções e ampliações em todos os ramais. A expectativa era que o edital para a PPP fosse publicado ainda em 2018. Mas, agora, a atual gestão trabalha com prazo que pode se estender até 2020. O Governo ainda tenta destravar a obra da Linha Leste, que ligará o Centro de Fortaleza ao Papicu.