sexta-feira, 21 de julho de 2017

Inovação a favor dos usuários


19/07/2017Notícias do Setor ANPTrilhos         
Metrô de Brasília (DF) terá a primeira estação totalmente sustentável da América Latina; 100% da energia utilizada será gerada pela luz do sol

Uma estação de metrô totalmente sustentável. Essa é a aposta do metrô de Brasília (DF). O projeto, em fase final de conclusão, está sendo implantado na estação Guariroba, em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, e consiste na geração de energia elétrica solar na própria estação. Além do Distrito Federal, pelo menos outras três cidades do mundo possuem estações sustentáveis: Milão (Itália), Nova York (Estados Unidos) e Nova Déli (Índia).

Estudos realizados apontam que a estação Guariroba terá capacidade média de geração de energia de 288.484,95 Kwh durante o primeiro ano de operação. Essa taxa é capaz de suprir 100% do consumo de energia da estação de passageiros e ainda produzirá um excedente equivalente ao consumo de outras duas estações com o mesmo porte.

A energia captada servirá para abastecer a plataforma, a bilheteria e todos os outros equipamentos que necessitam de energia elétrica. As placas fotovoltaicas, que convertem a luz solar em energia, serão instaladas no telhado e irão aproveitar a energia gerada pelo sol em complementação aos sistemas tradicionais de geração, reduzindo os custos a médio prazo.

O diretor-presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, ressalta que essa é a primeira etapa de um projeto maior. “Nosso objetivo é transformar a área do centro de operação do metrô em uma grande usina de geração de energia limpa. As próximas estações que ganharão o mesmo padrão de utilização de energia serão Samambaia Sul e Feira, no Guará”, afirma.

Coordenador do programa Metrô Sustentável do Metrô-DF, Kenzo Ferreira, destaca os ganhos para o sistema e para os usuários. “As pessoas que usam o sistema diariamente em Brasília e, de uma forma geral, toda a população do Distrito Federal, serão diretamente beneficiadas pelo projeto, pois passarão a contar com um transporte público sustentável que utiliza tecnologias e conceitos modernos em relação à sustentabilidade ambiental de sua matriz energética”.

Ele ainda salienta que o projeto é inovador não só para o metrô de Brasília, mas também para todo o sistema metroferroviário.

O projeto está em fase de ajuste final em relação à estrutura de sustentação que receberá as placas fotovoltaicas.

A previsão é que o sistema entre em operação em setembro deste ano. O Metrô-DF também iniciou os estudos de viabilidade para a construção de uma usina solar de médio a grande porte, na área do Complexo Administrativo e Operacional do sistema, em Águas Claras (DF).

Iniciativa premiada

Em abril, o projeto da estação Guariroba recebeu o prêmio Golden Chariot Internacional Transport Award, na categoria Companhia Nacional de Transporte do Ano. A homenagem foi entregue na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Genebra, na Suíça. É a segunda vez que uma empresa latino-americana recebe o prêmio, criado em 2005.

As atividades do Metrô-DF tiveram início em janeiro de 1992. Em dezembro de 1993, foi criada a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal, que teve a incumbência de operar o novo transporte.

Atualmente, o sistema conta com 29 estações, das quais 24 estão em funcionamento. Os 32 trens em operação transportam, em média, 150 mil passageiros por dia nos 42,38km de extensão da linha.

Clique aqui e leia a reportagem em PDF


Junho/2017 – Revista CNT Transporte Atual

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Frio provoca rachadura em trilho da Trensurb em Canoas


19/07/2017 - G1

O frio desta terça-feira (18) fez com que um trilho do Trensurb trincasse entre as estações Fátima e Niterói, localizadas em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

A capital gaúcha registrou 4°C na madrugada desta terça, conforme a estação meteorológica do Aeroporto Salgado Filho, que configura o dia mais frio do ano.

Por conta da situação, a velocidade é reduzida no trecho, no sentido Novo Hamburgo - Porto Alegre, mas sem mudança no tempo de viagem, conforme a Trensurb.


Perto da Estação Fátima foi colocada uma tala, e o conserto definitivo deve ser realizado durante a noite.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Linha 6 do Metrô: Governo de SP dá mais prazo para Consórcio obter financiamento para retomada das obras


03/07/2017 - Diário do Transporte

As obras da linha 6-Laranja do Metrô estão paradas desde setembro de 2016. Também chamada de Linha das Universidades, a Linha 6-laranja deve ligar a Vila Brasilândia, na região noroeste de São Paulo, ao centro da capital paulista. Considerada a linha das universidades, por atender regiões onde estão vários estabelecimentos de ensino, a linha 6-Laranja deve ter integração com a linha 1-Azul e 4-Amarela do metrô e 7-Rubi e 8-Diamante, da CPTM.

O Consórcio Move SP, responsável pelas intervenções e vencedor da licitação ocorrida em 2013, desde setembro vem postergando prazos para resolver o problema de dinheiro, motivo principal que paralisou a obra.

Conforme noticiou o Diário do Transporte, em primeira mão, no dia 08 de março de 2017, o prazo final dado pelo Governo do Estado foi 15 de junho, podendo assim, haver nova licitação. O Move São Paulo solicitou empréstimo de R$ 5,5 bilhões. Por causa da paralisação das obras, o Governo do Estado de São Paulo pediu anuência da Assembleia Legislativa e levará a solicitação ao BNDES de remanejamento de R$ 200 milhões, que estavam previstos para linha 6-Laranja, para linha 5- Lilás, prevista para se prolongar até a Chácara Klabin. A linha 5 já opera entre Capão Redondo e Adolfo Pinheiro.

Em 15 de junho deste ano, por exemplo, expirou o prazo dado pelo governo estadual para o Consórcio encontrar uma solução para conseguir financiamento do BNDES. O consórcio é formado pela Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC Engenharia, toda citadas na Operação Lava Jato.

Na data o governo do Estado publicou uma nota, ampliando o prazo para as empreiteiras se regularizarem junto ao BNDES até o dia 30 de junho, sexta-feira passada. E na mesma nota fez uma ameaça ao Consórcio: “Caso o atual concessionário não consiga obter financiamento junto ao BNDES, o Governo do Estado poderá ser impelido a iniciar o processo de decretação da caducidade do contrato e iniciar um novo processo licitatório respeitando os devidos prazos legais”.

Hoje (dia 3) a Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Governo do Estado de SP anunciou que está analisando informações fornecidas pelo consórcio Move SP para a retomada das obras da linha 6-laranja. Ou seja, um novo prazo foi concedido ao Consórcio, que informou ao governo que está buscando financiamento de longo prazo para retomar e finalizar a obra paralisada desde setembro de 2016.

A linha 6-laranja é uma dentre as seis obras de expansão do Metrô, sendo que todas estão atrasadas.

HISTÓRICO:

A ligação entre a região de Brasilândia, na zona noroeste, e a estação São Joaquim, na região central de São Paulo, deve atender a mais de 630 mil pessoas por dia. Quando assinado em dezembro de 2013, a linha 6-Laranja foi comemorada por ser a primeira PPP – Parceria Público Privada plena do país. O consórcio Move faria a obra e seria também o responsável pela operação da linha por 25 anos. O custo total do empreendimento era de R$ 9,6 bilhões, sendo que deste valor R$ 8,9 bilhões seriam divididos entre governo e consórcio.

A previsão inicial para inauguração da linha 6 era 2020. A data agora é uma incerteza.

Considerada a linha das universidades, por atender regiões onde estão vários estabelecimentos de ensino, a linha 6-Laranja deve ter integração com a linha 1-Azul e 4-Amarela do metrô e 7-Rubi e 8-Diamante, da CPTM.

Até o momento, foram gastos R$ 1,7 bilhão no empreendimento.

OBRAS PROMETIDAS E ATRASADAS:

Linha 2 (Extensão até a Rodovia Dutra) – prometida para 2020, está sem prazo de conclusão

Linha 4 (Trecho até Vila Sônia) – prometida para 2014, com prazo de conclusão previsto para o  2º semestre de 2019

Linha 5 (Extensão até Chácara Klabin + 11 estações) – prometida para 2014, com prazo de conclusão para o 2º semestre de 2018

Linha 6 (Brasilândia a São Joaquim) – prometida para 2020; obra paralisada, sem previsão de conclusão

Linha 15 (Trecho até São Mateus) – prometida para 2016, com prazo de conclusão para o 1º semestre de 2018

Linha 17 (Congonhas ao Morumbi) – prometida para 2014, com prazo de conclusão para o 2º semestre de 2019

Linha 18 (Tamanduateí ao ABC) – prometida para 2018, sem prazo


segunda-feira, 17 de julho de 2017

CBTU deve iniciar viagens de trem e VLT em Jaraguá, Maceió, até setembro


13/07/2017 - G1

As obras de construção da expansão da Estação Ferroviária Central até o bairro de Jaraguá continuam atrasadas, desta vez devido às fortes chuvas que caíram no estado, mas agora em fase final. A previsão é de que as viagens até lá comecem a acontecer em setembro, segundo informou nesta quinta-feira (13) o superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Marcelo Aguiar.

"Tivemos uma quadra chuvosa bem rigorosa e que afetou muito todo a cidade. Isso também atrasou as obras [da estação] de Jaraguá, que já era para estar em funcionamento. Mas já entramos em contato com a construtora responsável pela obra que nos garantiu que em setembro estará tudo pronto para operarmos", afirma Aguiar.

Atualmente, 12 mil pessoas por dia são beneficiadas com o Veículo Leve sob Trilhos (VLT), com a ampliação da estação, a expectativa é atender a um maior número de pessoas.

Segundo o superintendente, as obras foram iniciadas em setembro do ano passado, orçada em R$ 3,4 milhões. Meses antes, uma reportagem do G1 já denunciava o atraso no início destas obras, que naquela época eram orçadas em R$ 1,4 milhão.

Lixo no meio do trilho

Também nesta manhã a CBTU começou a implantação de lixeiras no percurso do trilho dos trens. Marcelo Aguiar conta que todos os dias a empresa precisa fazer trabalho de retirada de lixo da via férrea para que os trens possam trafegar.

"É um absurdo a quantidade de lixo que retiramos. Isso danifica os trilhos, contamina as pedras. Além de dificultar a passagem do trem. Quando o volume de lixo é muito grande, o trem precisa interromper a viagem e retornar para estação. Isso compromete toda a nossa viagem", afirma o superintendente.

Para impedir que a população jogue o lixo na via, a CBTU instalou nove lixeiras da Estação de Bebedouro até a comunidade Flexal. "Vamos fazer um trabalho educação com as crianças e a comunidade, para explicar os riscos do descarte irregular de lixo e dos problemas que eles causam aqui na linha férrea. Vamos distribuir panfletos e cartilhas", afirma Aguiar.

Depredação

Além do lixo que diariamente é jogado na linha férrea, o superintendente da CBTU explicou ainda que quatro vidros são quebrados por dia, gerando prejuízo financeiro para a empresa.

"Os trens quando estão em movimento são alvo de vândalos. Hoje fizemos uma licitação para fazer troca de vidros que quebram dessa forma. E só de vidro foi R$ 600 mil. Um valor muito alto, visto que a passagem é de apenas R$ 0,50", destaca o superintendente.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Metrô padece sem verba do VEM

Remando contra a crise, sistema vem adquirindo peças aos poucos para reequipar trens e reverter redução da frota Foto: Rafael Furtado
Recurso, que equivale a mais de 15% dos ganhos da CBTU, não tem sido repassado por empresas de ônibus e pelo Estado, que tem controle da bilhetagem
Por: Luiz Filipe Freire, da Folha de Pernambuco em 05/07/17 às 06H50, atualizado em 05/07/17 às 07H02
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Com operação reduzida em 30% devido à necessidade de reposição de peças, como a Folha de Pernambuco mostrou há duas semanas, o metrô do Recife tem uma demanda a mais para contornar: os atrasos nos repasses da verba da bilhetagem eletrônica. Trata-se de um recurso a que a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) tem direito pelos usuários do Vale Eletrônico Metropolitano (VEM) que chegam às plataformas pelas integrações com ônibus. A transferência, intermediada pelo Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT), está atrasada.

O acumulado já ultrapassa R$ 9 milhões. Pode parecer pouco, mas é um dinheiro que representa mais de 15% da receita do metrô e que faz falta num sistema que tem a tarifa congelada em R$ 1,60 há cinco anos e que é bancado quase que por completo por subsídios do Governo Federal.

A situação foi exposta num ofício que chegou ao conhecimento do Blog da Folha. No documento, a Coordenadoria Operacional de Arrecadação da CBTU diz que os valores deixaram de ser repassados à empresa a partir da segunda quinzena de fevereiro.

Também estão em aberto as parcelas de março, abril, maio e junho, uma média de R$ 2,3 milhões por mês. Além desse montante, outros R$ 52 milhões ainda não foram quitados. São referentes aos repasses do VEM dos anos de 2013, 2014 e 2015. Só os pagamentos de 2016 foram feitos de forma regular.

“Em maio do ano passado, quando assumimos, encontramos o metrô numa degradação muito grande. Temos feito uma recuperação e qualquer recurso que deixa de entrar gera um impacto negativo”, diz o superintendente regional da CBTU, Leonardo Villar Beltrão.

Ele explica que se o usuário entrar pela bilheteria do metrô, a CBTU fica com 100% da tarifa, mas se forem utilizados os validadores do VEM para fazer as integrações, a parte da verba que fica com o metrô depende do anel tarifário do ônibus.

No fim de 2015, a própria direção nacional da CBTU expôs a dívida do Estado com o sistema. Na época, disse que os atrasos, somados aos problemas financeiros da companhia, contribuíam para um cenário em que, num futuro próximo dali, não se poderia garantir o funcionamento dos trens em todos os dias da semana.

Em junho de 2016, o Ministério das Cidades anunciou um reforço de R$ 33 milhões no orçamento e deu novo fôlego ao modal. Desde lá, o desafio tem sido o setor de manutenção. Dezenas de trens não têm mais condições de operar, o que levou à redução da frota e ao aumento dos intervalos entre as viagens. “Fizemos licitações e as peças estão chegando. Já recebemos 20 motores, rodas para trens, dormentes. Estamos fazendo nossa parte”, afirma Villar.

Em nota, o GRCT informou que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) é o responsável pelo repasse tarifário dos valores do VEM para a CBTU e que a entidade se comprometeu a apresentar um cronograma de pagamento ainda nesta semana.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Hyundai negocia novo prazo para atender CPTM


27/06/2017Notícias do SetorANPTrilhos          
A fabricante de trens Hyundai-Rotem está pleiteando uma extensão no prazo de entrega de 30 unidades de oito carros para a malha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em contrato de R$ 800 milhões. O projeto está atrasado e, segundo a companhia, somente em junho de 2018 será possível finalizar a encomenda. As multas somam R$ 7,9 milhões – valor ainda não pago.

A licitação de compra dos trens está no centro de uma investigação do Ministério Público. O prazo original do contrato era julho de 2016, mas só cinco trens foram entregues até agora, segundo o grupo, e outros oito já estão prontos na fábrica do interior paulista. A empresa alega que as dificuldades não foram causadas por ela.

O fornecimento dos trens para a CPTM foi assinado em 2013. Na época, a Hyundai-Rotem era integrante de um consórcio liderado pela Iesa. Segundo o diretor comercial da companhia, Andre Han, a fabricante sul-coreana foi convidada pela brasileira a integrar o consórcio e o contrato com a sócia local previa que a Iesa assumiria as custas tributárias do projeto e o risco cambial (o contrato de sociedade era em dólar enquanto o compromisso de fornecimento foi acertado em reais).

No ano seguinte, começaram os problemas. A Iesa entrou em recuperação judicial e em agosto teria se afastado do projeto. A Hyundai-Rotem tentou então negociar com o governo de São Paulo a saída da sócia do consórcio. Para isso, antecipou a construção da fábrica, que exigiu investimentos da ordem de R$ 100 milhões.

A Hyundai-Rotem já sabia que seria um contrato deficitário, conta Han, mas decidiu continuar o projeto até como um cartão de visitas no mercado brasileiro. Ainda assim, tenta conseguir se livrar ao menos de parte das multas, que podem chegar a responder por 10% do valor total do contrato.

Ao solicitar o aumento de prazo para a Secretaria de Transportes Metropolitanos, a Hyundai-Rotem alega que o atraso se deveu à demora do contratante em autorizar a saída da Iesa do consórcio. Isso aconteceu só em 2015, mais de um ano depois de a companhia ter entrado em recuperação judicial e saído das atividades da encomenda.

Outro “prejuízo” da sul-coreana no projeto diz respeito ao adiantamento. O consórcio, quando ainda liderado pela Iesa, recebeu R$ 110 milhões. Cerca de R$ 55 milhões teriam ficado pendentes de repasse para a Hyundai-Rotem, que agora está na fila dos credores da recuperação judicial da Iesa.

Segundo a CPTM, há um pedido de extensão de prazo em análise, mas ainda aguardando documentação da Hyundai- Rotem. Em paralelo, a fabricante estuda entrar na Justiça para solicitar reparação da Iesa no momento oportuno.

Essas dificuldades acontecem em um momento em que o mercado brasileiro teve a demanda reduzida, tornando mais complicada a composição de uma carteira de pedidos rentável. Além do fornecimento de trens à CPTM, o único contrato ativo da Hyundai-Rotem no país é com a CCR, que tem como escopo material rodante para o Metrô Bahia e já está na reta final.

Ainda assim, a coreana aposta no potencial do mercado brasileiro. “Acreditamos que o Brasil possui uma economia extremamente forte, e que o mercado brasileiro, já em 2017, começa a mostrar sua capacidade de recuperação”, afirmou o presidente do grupo no Brasil, Sungha Jun. O executivo cita como exemplos os leilões de aeroportos e rodovias e as licitações em andamento para a concessão da Linha 5 e 17 do Metrô de São Paulo.

Enquanto a retomada não se traduz em contratos, a Hyundai-Rotem tenta “criar oportunidades” apostando em serviços de manutenção. Além disso, uma estratégia adotada pela empresa é de usar a fábrica em Araraquara para atender a demanda de América Latina, dentro do Mercosul.


27/06/2017 – Valor Econômico

terça-feira, 11 de julho de 2017

Novas estações de Metrô dão ‘cara nova’ para Linha 5-Lilás


 Estadão Conteúdo
06.07.17 - 08h29
Com entrega prometida para o mês que vem, o Metrô se prepara para abrir mais três estações ao público e emplacar uma nova “cara” para a Linha 5-Lilás, que opera na zona sul e, até o fim do ano, deverá chegar ao centro. As Estações Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin estão com as obras civis praticamente concluídas e passam, agora, pela instalação de sistemas elétricos. A reportagem visitou as três paradas, que apresentam características verdes e sociais.

A nova face já surge com as cúpulas de vidro nas entradas principais das estações. Chamadas de “bolhas” pelos funcionários, fazem parte da proposta de aproveitar ao máximo a luz natural, economizando eletricidade.

Essa mesma diretriz permitirá ainda que, além das três estações, a zona sul da capital ganhe novas praças – os locais construídos para abrigar as claraboias que levarão a luz até a plataforma e ficarão abertos ao público. “As plataformas ficam mais ou menos a 30 metros de profundidade”, explica o engenheiro da Linha 5 Michel Mastaler. “Abaixo delas, há porões por onde toda a rede de cabos vai passar”, afirma.

Quem usar as estações notará ainda duas diferenças na comparação com as estações mais recentes. A primeira é a falta das portas de plataforma, tidas como uma opção de maior segurança. “Estão contratadas com o sistema CBTC (o controle computadorizado dos trens) e deverão estar instaladas até a entrega do novo trecho”, informa o Metrô. Também não haverá as catracas que têm portas de acesso automáticas, instaladas nas Linhas 2-Verde e 4-Amarela. Para o Metrô, controles de acesso antigos, com roletas, “apresentam melhores resultados operacionais”. Por dia, 54,2 mil pessoas deverão usar as três estações.

Até o fim do ano, quando o restante da Linha 5 for entregue, pelas três paradas circularão 60,2 mil pessoas. Ao todo, a Linha 5 custará R$ 9 bilhões.

As novas praças ainda têm recuos para o embarque e desembarque de carros, o que é defendido pelo professor do Departamento de Transportes da Universidade de São Paulo (USP) Claudio da Cunha Barbieri, que destaca a influência da era dos transportes por aplicativo. “Uma grande parcela usa transporte individual para a primeira ou última milha da viagem.”

Espera

Moradores da região de Santo Amaro aguardam a abertura com expectativa. “Essa obra já demorou demais. Os tapumes estão aqui há anos (a obra começou em 2011). Vou muito ao médico no Ibirapuera. Acho que, quando abrir, vou de metrô em vez de ir de táxi”,diz a aposentada Lourdes Manzanares, de 62 anos, vizinha da futura Estação Brooklin.

A Linha 5 tinha entrega prometida inicialmente para 2015. Alvo de ações criminais nos Ministérios Públicos Estadual e Federal, por causa da ação de cartéis nas licitações, os serviços chegaram a ser paralisados por um mês em 2011. O MPE viu sobrepreço de R$ 320 milhões.

No mesmo local, há o corredor de ônibus intermunicipal que liga a zona sul à Diadema, no ABC. “Venho até aqui (na Avenida Roque Petroni Júnior) e tomo outro ônibus para ir até o Brooklin. Para mim, vai ajudar”, contou a recepcionista Clarice Araújo, de 23 anos, moradora de Americanópolis.

Das estações restantes, Ibirapuera, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin têm entrega prometida até o fim deste ano. A Estação Campo Belo, que um dia terá conexão com o monotrilho da Linha 17-Ouro, será inaugurada no ano que vem.

Distribuição

Para o Metrô, uma das consequências da conclusão da Linha 5 é o alívio de outros pontos da rede, especialmente o saturado corredor que liga as Linhas 4-Amarela e 2-Verde nas Estações Paulista e Consolação. Com as novas opções de conexão, “o fluxo concentrado de usuários na Estação Paulista da Linha 4 será dividido com a nova opção de transferência na Estação Chácara Klabin”, afirma o diretor de Engenharia e Construções, Sérgio Amalfi Meca.

O professor Cunha Barbieri, por outro lado, afirma que esse movimento ainda dependerá dos “testes práticos” dos passageiros. “É preciso avaliar o tempo de viagem, a lotação e o quanto o transporte é confiável”, disse, lembrando que a Linha 9-Esmeralda da CPTM, usada na viagem atual e com menos estações no trajeto, é conhecida por paralisações e lotação, além de ser mais lenta.


Novas estações da Linha 5-Lilás devem ser abertas incompletas

11/07/2017 - Metrô CPTM

Quem vê as obras de duas das três estações da Linha 5-Lilás prometidas pelo governador Geraldo Alckmin para agosto dificilmente acredita que elas estarão prontas a tempo de serem inauguradas. Faltando pouco mais de 50 dias para que a promessa vire realidade, as estações Alto da Boa Vista e Borba Gato ainda têm muito trabalho pela frente.

O blog percorreu o trecho de cerca de 3 km neste domingo (10) e viu alguns trabalhadores nos canteiros, uma prova que a obra está em ritmo frenético, porém, ainda longe de parecerem próximas de serem finalizadas.

A sensação de que elas serão entregues às pressas é reforçada por uma informação não oficial de que as PSDs, portas de plataforma que são item extra de segurança nas novas estações do Metrô, não serão instaladas a tempo. Prova disso é que as plataformas de Alto da Boa Vista e Borba Gato receberam o piso até a extremidade, ou seja, sem deixar um trecho de cerca de 40 cm para que sejam montadas as estruturas das PSDs.

Segundo relato de um funcionário da obra que repercutiu em redes sociais, as portas não estão prontas e ainda a caminho, vindas da Europa. Na estação Brooklin, a mais adiantada da obra, os operários finalizam a instalação de luminárias na praça do térreo além de outros detalhes menores, mas nem sinal das PSDs. Nesse caso, o “degrau” na plataforma foi mantido o que exige que ao menos as estruturas sejam montadas.

Acabamento simplório

Parte do lote 2 da expansão da Linha 5, as estações Alto da Boa Vista e Borba Gato foram iniciadas na mesma época de Brooklin e chegaram a estar mais adiantadas que ela. Mas atrasos e o encarecimento da obra, que chegou ao limite de aditivos, obrigaram o Metrô a relicitar a parte final do projeto. O consórcio Galvão-Serveng, que havia começado o trecho, deu lugar ao Contracta-Telar que assumiu a obra no ano passado.

A troca de bastão atrasou ainda mais os trabalhos que deveriam ter sido concluídos em junho. Um dos sintomas do aumento de custo e do atraso é o acabamento dos prédios técnicos, edificações que ficam na superfície. Ao contrário de Brooklin, com vidros fumês, e AACD-Servidor, com placas de alumínio, as duas estações receberam apenas pintura e serão finalizadas com brises metálicos na região das janelas.

Apesar disso, a esperada inauguração das três estações deve seguir o de praxe na estratégia do Metrô: elas funcionarão em horário restrito e com intervalos bem elevados, apenas para avaliar os diversos sistemas e sua infraestrutura até que haja condições de ampliar o serviço.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Governo define projetos que entram no Avançar


29/06/2017Notícias do Setor ANPTrilhos         
Tentando encontrar desesperadamente uma agenda de notícias para contrabalançar a crise política, o governo já montou sua lista praticamente definitiva da carteira de obras e ações incluídas no Projeto Avançar. As iniciativas vão resultar em um dispêndio de R$ 56,6 bilhões, com recursos do Orçamento Geral da União (OGU), até dezembro de 2018.

Uma penúltima reunião entre ministros e técnicos da área de infraestrutura ocorreu ontem, no Palácio do Planalto, para amarrar os detalhes do Avançar. O lançamento chegou a ser planejado para esta semana, mas os trabalhos não ficaram prontos a tempo. Ainda falta bater o martelo com o presidente Michel Temer.

Visto como sucessor do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado nas gestões petistas, o Avançar não tem nenhuma obra nova. O objetivo é garantir, em um cenário de restrições orçamentárias, previsibilidade a liberação de recursos para a conclusão dos empreendimentos selecionados ¬ ou pelo menos uma etapa dos projetos.

“É um esboço de retomada que o governo faz de obras paralisadas para encerrar definitivamente a cultura de desperdício, fruto de demagogia, sem que isso signifique ameaça ao esforço fiscal em andamento”, afirmou ao
Valor o ministro Moreira Franco (Secretaria¬Geral da Presidência), que coordena os preparativos.

Curiosamente, o programa será lançado em um ambiente de contração dos investimentos do governo federal, por conta das dificuldades fiscais. Ou seja, a iniciativa já nasce com uma dificuldade séria a driblar. De janeiro a abril deste ano, os investimentos tiveram queda de 60,3% ante igual período do ano passado, somando apenas R$ 8,2 bilhões.

São Paulo é, disparado, o Estado com maior volume de recursos previstos até o momento: R$ 5,01 bilhões. A Bahia aparecia em segundo lugar, com R$ 3,26 bilhões até dezembro de 2018, com Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul empatados na terceira posição: R$ 2,07 bilhões cada um.

Segundo o Valor, os projetos contemplados na área de mobilidade são:

No Rio de Janeiro, a ampliação do VLT na área central e portuária vai receber aportes de R$ 117,8 milhões até o fim do ano que vem.....

Em São Paulo, foram selecionados 613 projetos...... O mesmo acontecerá com obras de mobilidade como a extensão da Linha 9¬Esmeralda da CPTM (R$ 500 milhões) e um conjunto de corredores de ônibus (R$ 238,7 milhões): em Guarulhos, em Rio Grande da Serra, Capão Redondo¬Vila Sônia e Leste¬Itaquera.

O governo quer vender a ideia de que, com a iniciativa, serão gerados 1,2 milhão de postos de trabalho. O discurso político foca em um dos maiores problemas com o qual tem que lidar a atual gestão: o elevado nível de desemprego na economia brasileira.

Além do programa com recursos exclusivamente do OGU, o Avançar terá braços específicos em cada pasta, que podem incluir outras fontes de financiamento. É o caso do Avançar Cidades, com verbas do FGTS, ou o Avançar Energia, que englobará investimentos de estatais como a Petrobras e a Eletrobras. Mas essas vertentes estarão separadas.


O volume total de investimentos previstos até o próximo ano é de R$ 56,6 bilhões, sendo R$ 12,8 bilhões em “políticas sociais”, R$ 31,9 bilhões em infraestrutura e R$ 12 bilhões na área de defesa..........

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Metrô Bahia recebe 34º trem e completa frota da linha 1 e 2


21/06/2017 - Via Trolebus

Montadas na fábrica da Hyundai Rotem, em Araraquara (SP), as composições são formadas por quatro carros cada e têm design moderno, ar-condicionado, câmeras de vigilância, passagem livre entre carros (gangway), monitores do tipo LCD e sistema de vídeo para comunicação com o usuário, entre outras melhorias tecnológicas.

A chegada dos trens a Salvador exigiu uma logística complexa, que começa com a composição viajando vários dias em navios e termina com carretas transportando os carros ao longo de 2.500 quilômetros, passando por três estados brasileiros. Uma vez na área urbana, as carretas precisam aguardar o horário apropriado para que possam alcançar o Pátio Pirajá, onde funciona o complexo de operação e manutenção do sistema.

“A chegada do 34º trem é motivo de muito orgulho, pois são muitas as etapas desde a aquisição até o recebimento, o que inicia a fase de preparação final para circulação com passageiros. Realizar todo esse trâmite com a agilidade e eficácia que a CCR Metrô Bahia alcançou é resultado de uma equipe focada em oferecer o melhor à população de Salvador e região metropolitana”, ressaltou o diretor de Implantação de Sistemas da CCR Metrô Bahia, Claudio Andrade.

Após serem descarregados, os trens passam pelo processo de instalação de equipamentos de sinalização de controle dos trens e uma nova bateria de testes estáticos e em movimento até que estejam 100% preparados para circular garantindo conforto e segurança para os usuários do metrô.


Em função da demanda atual de passageiros no Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas, média de 125 mil/dia útil, 16 trens circulam nas linhas 1 e 2, e outros dois trens ficam de reserva. Com esse número, o intervalo entre trens no horário de pico é de quatro minutos na Linha 1 (Lapa/Pirajá) e cinco minutos na Linha 2 (Acesso Norte/Pituaçu). Nos demais horários, as duas linhas trabalham com intervalo de oito minutos. O número de trens em operação irá aumentar gradualmente com o avanço da Linha 2 e o aumento da demanda.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Polêmica sobre integração ônibus/metrô em Salvador continua dividindo Estado e Prefeitura


15/06/2017 - Diário do Transporte

Em Salvador a integração ônibus/metrô tem agradado aos usuários. Há casos de passageiros que relatam que o percurso bairro/centro da cidade caiu para mais da metade do tempo. Mas a questão tarifária continua polêmica entre o governo do estado, que opera o metrô, e a prefeitura, que cuida do sistema de ônibus na capital.

Os empresários de ônibus vêm questionando o rateio da tarifa no caso da integração com o metrô, alegando prejuízos. Eles chegaram a apresentar um estudo evidenciando que o rateio da integração deveria ser 60% para o ônibus, o que não foi aceito pelo Governo do Estado, que é responsável pelo metrô. Hoje a situação é inversa: o percentual de 60% vai para a concessionária do metrô e 40% para o Consórcio Integra, que responde pela operação dos ônibus. Da tarifa atual de R$ 3,60, isso significa que R$ 2,18 ficam com o metrô e R$ 1,42 vão para os ônibus.

Após mais de um ano do início da operação comercial do sistema metrô/ônibus, somente 50% das linhas foram integradas ao sistema metroviário. Isso significa, na prática, que o usuário paga em duplicidade quando utiliza linhas que não fazem parte da integração. A CCR, concessionária do metrô, também se queixa, alegando que o metrô trabalha com ociosidade na falta da integração de 50% das linhas de ônibus.

Ontem (14) o governador Rui Costa criticou o modelo de licitação do transporte público adotado pela prefeitura, a que chamou de “equivocado”. O governador e anunciou que fará uma licitação para implantar um sistema de transporte complementar para ligar estações do metrô a bairros adjacentes, num raio de até cinco quilômetros.

O secretário municipal de mobilidade de Salvador, Fábio Mota, respondeu ao governador. O secretário disse que as discussões sobre integração estavam avançando, fato que poderá ser atrapalhado pela declaração do governador, a que chamou de “abordagem política”.

Fábio Mota informou que na terça-feira (13), reunião no Ministério Público reuniu representantes de todas as partes envolvidas na questão da integração ônibus/metrô, incluindo o governo do estado. Fábio disse que o diálogo sobre a ampliação da integração e a remuneração do sistema teria avançado bastante.

Em declaração ao jornal A Tarde o secretário disse: “Falamos sobre a desoneração para o sistema de ônibus e ficamos de fazer um estudo para a remuneração. Mas, agora, com esta declaração, o governador atrapalhou tudo”.

METRÔ DE SALVADOR COMPLETOU TRÊS ANOS DE OPERAÇÃO:

Mais de 35 milhões de passageiros transportados, onze novas estações inauguradas e 20 quilômetros de malha metroviária em operação. Estes são alguns dos números comemorados pela CCR- Metrô, concessionária que opera o Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas desde 11 de junho de 2014.

Atualmente as duas linhas em operação transportam 125 mil passageiros por dia. As linhas  ligam as estações Lapa e Pirajá (Linha 1) e Acesso Norte e Pituaçu (Linha 2). O início da operação do trecho Rodoviária-Pituaçu aumentou em 25% o número de usuários do sistema e a tendência é de crescimento gradual, informa a CCR.


Ainda no mês de junho a CCR anunciou que completara a frota de novos trens do Sistema Metroviário, com a chegada do 34º trem da série 2000 (foto acima). As composições foram montadas na fábrica da Hyundai Rotem, em Araraquara (SP), e são formadas por quatro carros cada, com design moderno, ar-condicionado, câmeras de vigilância, passagem livre entre carros (gangway), monitores do tipo LCD e sistema de vídeo para comunicação com o usuário, entre outras melhorias tecnológicas.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Metrô de Fortaleza: TCE recomenda que 2º consórcio assuma obra


13/06/2017 - O Globo

Um parecer da área técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Ceará recomenda que o consórcio que ficou em segundo lugar na licitação da Linha Leste do metrô de Fortaleza assuma as obras para a construção do empreendimento, que estão paradas e sem previsão de quando poderão ser retomadas. Caso essa medida não resolva o problema, os técnicos do tribunal querem que o governo do estado faça uma nova licitação para concluir a construção.

O consórcio que ficou em segundo lugar é formado por Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e a construtora cearense Marquise.

Com data original de entrega programada para 2019, apenas pouco mais de 1% da obra foi concluída. Há três anos, o maior edital regido pela Lei de Licitações foi vencido por um consórcio formado pela espanhola Acciona e pela paulista Cetenco, que assumiram a construção da Linha Leste por R$ 2,3 bilhões. R$ 2 BI de cofres federais.

Em novembro do ano passado, reportagem do GLOBO mostrou que a obra está abandonada. Um dos emblemas do fracasso da empreitada é a imagem dos quatro “tatuzões” adquiridos pelo governo do Ceará. Os equipamentos serviriam para escavar túneis do metrô, mas hoje não passam de um aglomerado de toneladas de peças de metal abandonadas.

Do total do orçamento, R$ 2 bilhões sairiam dos cofres federais. Mas governos estadual e federal, que se associaram na obra do PAC Mobilidade Grandes Cidades, sequer concluíram os primeiros túneis da licitação. Com a interrupção de pagamentos para a obra em agosto de 2014, a Cetenco alegou ter recorrido administrativamente e na Justiça para receber pelos serviços feitos, até que enviou informação à sócia Acciona e à Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) do Ceará dizendo que queria deixar o consórcio.

O governo cearense alegou, na ocasião, que a interrupção dos pagamentos se deu porque a Cetenco judicializou o processo. Numa decisão polêmica, em novembro de 2015, a construtora Marquise chegou a assumir o contrato ao lado da Acciona.

Em sua decisão recente, a área técnica do TCE recomenda ainda que o tribunal anule o ato do governo do Ceará que excluiu a Cetenco do consórcio. Os técnicos consideram, no entanto, que a volta da empresa ao consórcio original é “fato de desfecho improvável”. O parecer será levado para análise do plenário do TCE-CE, mas a data para o julgamento ainda não foi definida.

Apesar da previsão de entrega para 2019, o TCE considera o prazo “inexequível”. Os técnicos do TCE-CE também levantam dúvidas “sobre a disponibilidade orçamentária do estado em acatar com estas despesas”, já que a proposta precisará passar por reajustes, segundo o texto. Aponta ainda que o acréscimo de cada um quilômetro na obra representa um adicional de quase R$ 1,5 milhão.

Procurada, a Secretaria de Infraestrutura do estado do Ceará informou que tem se dedicado ao equacionamento financeiro da obra. O órgão destacou que tem buscado, junto ao Ministério das Cidades e ao BNDES, o cumprimento dos compromissos anteriormente assumidos pelo governo federal, que fundamentaram a licitação; ou seja, R$ 1 bilhão pelo Orçamento Geral da União e R$ 1 bilhão em financiamento pelo BNDES.

O TCE não comentou o parecer e O GLOBO não conseguiu contato com a Cetenco.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Operação assistida do VLT de Fortaleza tem data definida



22/06/2017Notícias do Setor ANPTrilhos         
Segundo a Secretaria da Infraestrutura, o trecho 2 do modal será o 1º a ser concluído após obras retomadas em 2015

Com trabalhos iniciados em 2012 e após passar por inúmeras paralisações, o primeiro a ficar pronto será o trecho 2

A operação assistida do trecho 2, do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que fica entre as estações Borges de Melo e Parangaba, começará no dia 15 de julho. A última previsão era para início em meados de maio.

De acordo com informações da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), os testes com a presença de passageiros dependem da conclusão do trabalho de nivelamento e alinhamento da via, que é indispensável para a segurança operacional.

Na operação assistida do trecho 2 do VLT Parangaba-Mucuripe serão disponibilizados dois trens que farão o transporte de passageiros entre as estações Borges de Melo e Parangaba, que já está com mais de 90% concluído, nos dois sentidos, no horário de 8h às 12h, de segunda a sexta-feira. Neste momento, não haverá cobrança da tarifa das passagens.

Conforme ainda a Companhia, os trens passarão nas estações a cada 15 minutos. “Por enquanto, está acontecendo a operação experimental, que consiste na passagem do trem pela via, no horário de 10h às 11h, com objetivo de testar o funcionamento de todo o sistema, sem passageiros”, informou o órgão por meio de nota. As obras foram retomadas em outubro de 2015 e terão um custo total de R$ 48,4 milhões.

Sob responsabilidade da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), a obra do VLT como um todo está dividida em três trechos. Com trabalhos iniciados em 2012 e após passar por inúmeras paralisações, o primeiro a ficar pronto será o trecho 2. Para o órgão, esta é a etapa de implantação do modal em que a população começa a se habituar com a disponibilidade do novo serviço.

Após a esta entrega, deve ser concluído o trecho 1, que contempla a construção da passagem inferior da Avenida Borges de Melo. Com investimento de R$ 25,9 milhões, ele foi retomado em abril de 2016 e a previsão para conclusão é de 12 meses.

“Os trabalhos avançam e já alcançam 60% de execução. A previsão é de que o trecho 1 seja entregue em setembro de 2017”, reforçou a Seinfra em nota. Por fim, o trecho 3, que compreende o percurso entre as estações Iate – no bairro Mucuripe – e Borges de Melo, possui expectativa de entrega somente para o ano de 2018.

Quando finalizado, a Secretaria afirma que o VLT terá 13,4 quilômetros ligando os bairros Mucuripe e Parangaba. Desta extensão, serão 12 quilômetros em superfície e 1,4 quilômetros de trechos elevados.

O modal atravessará 22 bairros, área que concentra mais de 500 mil moradores de Fortaleza. A previsão de demanda potencial do VLT é de 90 mil passageiros diariamente.

No Cariri

Na região do Cariri, passageiros voltaram a utilizar o VLT no último dia 12. As atividades foram suspensas para viabilizar as obras da Avenida do Contorno, na cidade de Juazeiro do Norte. O modal opera de 6h às 19h, de segunda a sexta-feira, e aos sábados de 6h às 14h com tarifa a R$ 1 (inteira) e R$ 0,50 (meia).


22/06/2017 – Diário do Nordeste

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Metrô faz oferta promocional após queda de 14,5% nas viagens


28/06/2017 - O Globo

A crise econômica do estado tirou passageiros do metrô: de acordo com um balanço patrimonial da concessionária do sistema, foram realizadas 46,7 milhões de viagens no primeiro semestre deste ano, o que corresponde a uma queda de 14,5% em comparação com o mesmo período de 2016, quando o número chegou a 54,7 milhões. Em números absolutos, houve uma redução de oito milhões de embarques.

Para tentar reverter o quadro, a concessionária Metrô Rio lançou nesta terça-feira um cartão promocional que custa R$ 60 e dá direito a 42 viagens em uma semana - ou seja, cada uma sai por R$ 1,40. Considerando a tarifa atual, de R$ 4,30, a economia é de 66,8% (o total sairia por R$ 180). A oferta foi anunciada como um incentivo a cariocas e turistas no período de férias, embora tenha validade até o dia 30 de setembro.

O cartão Eu amo férias é lançado em um momento no qual projeções de fluxo não são animadoras. Segundo o professor de economia do Ibmec Gilberto Braga, tomando como parâmetro o número de passageiros do primeiro trimestre, o sistema pode encerrar o ano com 187 milhões de viagens pagas. Caso a estimativa se confirme, haverá uma redução de 16% em relação a 2016, quando foram realizadas 216,8 milhões.

- Essa projeção considera a hipótese de o metrô repetir nos próximos trimestres o volume de passageiros que a gente já conhece. Dá uma queda de 30 milhões de viagens pagas. A promoção, pelo que tudo indica, vem nessa linha, de atenuar os efeitos da crise.

Não é a primeira vez que a Metrô Rio faz uma promoção este ano para tentar atrair passageiros. Em abril, a concessionária ofereceu viagens gratuitas na Linha 4. E, no mesmo mês, a tarifa de embarque nas estações do trecho caiu para R$ 3.

O balanço de 2016 publicado pela Metrô Rio informou que, naquele ano, foram 240,9 milhões de passageiros transportados (incluindo gratuidades), o que corresponde a um aumento de 3,1% em relação a 2015 (233,6 milhões). As principais influências para o crescimento verificado, segundo a empresa, foram as alterações viárias na cidade, como as obras do VLT, a construção do BRT Transbrasil e a racionalização das linhas de ônibus. Apesar do resultado positivo, a concessionária já chamava a atenção para a situação econômica da cidade do Rio de Janeiro, com o elevado número de demissões no setor privado e o declínio da população ocupada.


O cartão especial para as férias é vendido das 9h às 19h nas estações Del Castilho, Carioca, Largo do Machado, Botafogo, Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos, Cantagalo, Nossa Senhora da Paz, Antero de Quental e Jardim Oceânico. O passageiro leva de brinde um porta-cartão e um mapa de bolso com informações sobre os transportes da cidade e indicações de pontos turísticos.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Hélio José apoia ferrovia entre Brasília e Goiânia


08/06/2017 Notícias do Setor ANPTrilhos         
O senador Hélio José (PMDB-DF) apoiou nesta quarta-feira (7) a ativação do trem de média velocidade entre Brasília e Goiânia. Ele ressaltou que a implementação da ferrovia, chamada Transpequi, faz parte da conquista do Brasil Central e do projeto de desenvolvimento nacional.

Hélio José disse que no Distrito Federal há somente 40 quilômetros de ferrovias, atualmente subutilizadas, e o funcionamento da Transpequi reduzirá os engarrafamentos. O senador espera que a parceria público-privada para o empreendimento tenha êxito, e espera que o projeto motive a implementação de outras estradas de ferro de passageiros servindo o entorno do Distrito Federal.

— A rapidez e a segurança das ferrovias poderia melhorar a vida de 2 milhões de pessoas na região — avaliou.

07/06/2017 – Agência Senado

Coreanos pretendem construir o “Transpequi”, entre Brasília e Goiânia

18/05/2017 - Metrópoles

Mesmo a mais de 16 mil quilômetros de distância, os sul-coreanos podem ser a salvação para o futuro do trem expresso que ligará Brasília a Goiânia, o Transpequi ou Expresso Pequi – apelidos dados em homenagem ao fruto típico do Centro-Oeste. Liderados pelo consórcio A’REX, da Coreia do Sul, um grupo de empresários chineses, coreanos e brasileiros demonstrou interesse em tocar o projeto.

O desejo surgiu de uma proposta idealizada pelo grupo brasileiro Sistemas de Transportes Sustentáveis, que traz diversas alterações no plano original da ferrovia. Após submeter o projeto à ANTT durante uma tomada de subsídios realizada em janeiro deste ano, os empresários apresentaram a ideia a investidores internacionais com o objetivo de integrar um consórcio capaz de tirar o plano do papel.

“Nós apresentamos como era o projeto e quais são as alternativas para tornar o trem mais atrativo para o setor privado”, explica Paulo Benites, diretor do grupo Sistemas de Transportes Sustentáveis.

Os coreanos foram os que mais se animaram com o projeto do Transpequi. O A’REX, consórcio que mostrou interesse pela proposta, é formado por 11 empresas do país asiático e opera o Airport Railroad Express, trem que liga a capital Seul a dois aeroportos.

Alterações

O novo projeto prevê preço de R$ 100 para viagens entre Brasília e Goiânia, com saídas a cada 15 minutos e velocidade máxima de 250 km/h. O grupo acredita que a venda de passagens será suficiente para a compensação do investimento.

De acordo com Paulo Benites, a principal alteração no projeto original diz respeito ao tipo de serviço prestado. A proposta inicial previa o transporte de passageiros e cargas, a curtas e longas distâncias. Já o documento apresentado à ANTT propõe prioritariamente a condução de passageiros e a longa distância.

“O nosso projeto exclui o transporte de cargas e atende passageiros de longa distância, com um serviço considerado mais elevado. Também fizemos alterações em algumas características técnicas para colocar a ferrovia em um nível internacional.”"

Paulo Benites, diretor do grupo Sistemas de Transportes Sustentáveis

O grupo prevê a formação de uma Parceria Público-Privada (PPP) para viabilizar o empreendimento, ao invés de um esquema puro de concessão. A contrapartida do governo – R$ 2,9 bilhões, do total de R$ 8,9 bilhões orçados para o Transpequi – seria paga em parcelas de R$ 130 milhões durante 15 anos e de R$ 30 milhões a partir do início das operações, de acordo com a proposta entregue à ANTT.

Nas estações do trem no Distrito Federal também estão previstas mudanças. Inicialmente, haveria um único terminal, na Rodoferroviária de Brasília. A proposta dos empresários, no entanto, estipula a construção de duas estações, uma próxima à Rodoviária Interestadual e uma em Samambaia. “Queremos criar estações de fácil acesso. A rodoviária, por exemplo, fica próxima ao Aeroporto e à Asa Sul, além de estar perto do metrô. Já em Samambaia, existe um desejo de desenvolvimento da região”, afirma Benites.

Exploração imobiliária

Por fim, o projeto prevê a exploração imobiliária das regiões próximas à linha rodoviária por parte da concessionária que operar o trem. “Os empreendimentos imobiliários são extremamente importantes para a realização da nossa proposta. É uma renda fundamental para angariar recursos e fazer a implantação da linha”, finaliza o diretor.

A proposta do Sistemas de Transportes Sustentáveis está em análise pela ANTT. A agência prepara uma licitação para a ferrovia e a previsão é de que o certame seja divulgado no fim deste ano ou no início de 2018.



terça-feira, 27 de junho de 2017

Governo do Piauí abre licitação para compra de VLTs que substituirão metrô


24/06/2017 - Cidade Verde

A Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans-PI) abriu licitação para obter Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), que deverão substituir os trens do metrô de Teresina (PI). A dotação orçamentária para a compra é de R$ 92 milhões, valor para seis VLTs, mas o Estado pretende adquirir inicialmente três. As propostas serão recebidas no dia 10 de julho.

Pela licitação os veículos deverão ser compostos por três carros, com pelo menos dois conjuntos de propulsão e frenagem dinâmica, movidos a tração diesel-hidráulica ou diesel-elétrica.

Cristina Castelo Branco, superintendente de obras da Setrans, explica o Governo dispõe de recursos tanto para adquirir novos trens como para um projeto de revitalização e modernização da linha existente.

Nesse primeiro momento nós vamos apenas comprar novos trens porque nós nos certificamos de que a linha existente pode receber novos trens, disse ao Cidadeverde.com. A expectativa é de que os veículos, mais modernos e climatizados, tragam mais conforto para a população.

Enquanto realiza a concorrência para os VLTs, a Setrans prepara a documentação para lançar licitação com vistas a revitalização das linhas, com reforma de estações, modernização de linhas e troca de dormentes e trilhos. A expectativa é de que essa concorrência seja lançada em breve.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Três anos após a Copa, obra de VLT ainda não está pronta em Cuiabá (MT)


Obra inacabada já consumiu mais de R$ 1 bilhão e precisa de mais dinheiro.
Procuradores dizem que há incoerências nos valores apresentados.
Eunice RamosCuiabá, MT

Três anos depois da Copa do Mundo de 2014, a obra do VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), de Cuiabá, que já consumiu mais de R$ 1 bilhão, ainda precisa de mais dinheiro para ficar pronta.

Seis quilômetros de trilhos foi o que sobrou da maior obra de mobilidade urbana da Copa do Mundo de 2014, em Cuiabá. A Copa passou e os trens nunca circularam para atender a população. Estão parados no pátio da concessionária ao relento. A situação vem se arrastando desde 2012, quando as obras do Veículo Leve Sobre Trilhos começaram. O projeto prevê 22 km de trilhos em duas linhas: uma liga o aeroporto, na cidade vizinha de Várzea Grande, à Zona Norte de Cuiabá. A outra liga à Zona Sul ao centro de Cuiabá.

O consórcio responsável pela obra foi contratado no governo de Silval Barbosa, do PMDB. O orçamento inicial era de R$ 1,477 bilhão, segundo a Secretaria Estadual das Cidades – R$ 1,66 bilhão já foram pagos. Quando o governador Pedro Taques, do PSDB, assumiu o governo de Mato Grosso, o consórcio pediu mais R$ 1,135 bilhão, o governo não concordou e o caso foi parar na Justiça.

Agora, o governo do estado chegou a um acordo com o consórcio para a retomada das obras do Veículo Leve Sobre Trilhos, mas como o contrato estava sendo questionado na Justiça, o acordo foi encaminhado para os Ministérios Públicos Federal e Estadual. A conclusão da obra também depende da desapropriação dos imóveis no trajeto do VLT. Os processos de 128 imóveis já foram concluídos, mas ainda faltam 220.

Enquanto a obra não termina, quem sofre é a população que paga a conta e enfrenta congestionamentos nos horários de pico.

RESPOSTAS
Em nota, o Consórcio VLT disse que se empenhou para que o acordo com o governo de Mato Grosso fosse fechado e que espera que a retomada das obras ocorra o mais brevemente possível.
Os Ministérios Públicos Federal e Estadual se manifestaram contra o acordo apresentado, que prevê o pagamento de R$ 922 milhões para conclusão da obra. Os procuradores dizem que há incoerências nos valores apresentados para terminar o projeto.
O governo Pedro Taques, do PSDB,  declarou que a obra parada gera muito custo. Segundo a Procuradoria-Geral do Estado, são R$ 16 milhões por mês entre manutenção dos trilhos e trens e pagamentos de juros e parcelas dos empréstimos contraídos. A Justiça Federal aguarda manifestação das partes no processo.
Em nota, a defesa do ex-governador Silval Barbosa, do PMDB, negou qualquer participação do cliente em eventuais irregularidades nas obras e informou que vem prestando aos órgãos competentes os esclarecimentos solicitados.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

A malha precisa crescer 80%


20/02/2017Notícias do Setor ANPTrilhos         
Estudo da CNT mostra necessidade de ampliar sistema de metrôs e trens de passageiros no Brasil; movimento aumentou 37,4% em cinco anos

O Brasil precisa ampliar em pelo menos 850 km a malha de metrôs e trens de passageiros para modernizar o transporte urbano nas grandes cidades. Isso significa um crescimento de cerca de 80% da infraestrutura atualmente disponível, que é de 1.062 km de extensão. Seriam necessários cerca de R$ 167,13 bilhões para a construção e ampliação de sistemas e ainda para a aquisição de material rodante e recuperação de infraestrutura. Os dados integram o estudo inédito Transporte & Desenvolvimento: Transporte Metroferroviário de Passageiros, realizado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), e divulgado no final do ano passado.

Foram caracterizados 14 sistemas presentes em 13 regiões metropolitanas brasileiras e na cidade de Sobral, no Ceará, com informações sobre a evolução recente da rede, indicadores operacionais – para o período de 2011 a 2015 – e aspectos econômicos e ambientais do setor. São sistemas que incluem trens metropolitanos, metrôs, monotrilho, VLTs (veículo leve sobre trilhos) e aeromóvel. O estudo também tem como objetivos identificar os principais entraves ao desempenho e propor soluções.

De acordo com o presidente da CNT, Clésio Andrade, “a ampliação da infraestrutura e o planejamento adequado do transporte sobre trilhos nas grandes cidades, sempre integrado ao sistema de ônibus, são fundamentais para atender à expansão da demanda pelo transporte de massa e para a melhoria da mobilidade urbana”.

Nas regiões onde ficam os sistemas analisados pela CNT, enquanto a população cresceu 6,2% entre 2010 e 2015, a frota dedicada ao transporte individual expandiu 24,5%. O resultado disso, conforme Clésio Andrade, foi o aumento da concorrência pelo espaço nas vias, congestionamentos e deslocamentos diários cada vez mais demorados. A malha do sistema metroferroviário, por sua vez, foi expandida apenas 6,7% nos últimos cinco anos.

De acordo com a CNT, o modal de transporte de passageiros sobre trilhos, por seu caráter estruturante do território, pela confiabilidade e pela grande capacidade de transporte que proporciona, pode contribuir para a melhoria da acessibilidade, da mobilidade e da qualidade de vida das populações dos aglomerados urbanos onde se inserem. “Com esse estudo, a CNT oferece mais uma contribuição para o desenvolvimento do setor de transporte”, afirma Clésio Andrade.

O trabalho analisou sistemas metroferroviários de Sobral, no Ceará, e das seguintes regiões metropolitanas: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Distrito
Federal (DF), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN), Maceió (AL), João Pessoa (PB), Teresina (PI, na região integrada com o Maranhão) e Cariri (CE). Nessas cidades-polo, 11,8 milhões (71,1%) de seus residentes trabalham fora de casa e retornam diariamente para seus domicílios. Desse total, 56,8% demoram, no mínimo, 30 minutos no percurso casa-trabalho.

Movimento

Em todo o Brasil, os sistemas metroferroviários transportam cerca de 2,5 bilhões de passageiros por ano. A Região Metropolitana de São Paulo representa 71,1% dessas viagens, o que corresponde a 1,8 bilhão de passageiros/ano somente nessa área.

Os maiores percentuais de entrada de passageiros concentram-se na região Sudeste, com 90,3% do total, seguida do Nordeste (5,7%) – sendo 4,6% apenas na Região Metropolitana do Recife -, do Sul (2,3%) e do Centro-Oeste (1,7%).

De acordo com o estudo da CNT, em cinco anos, de 2011 a 2015, o número de entradas de passageiros no sistema metroferroviário brasileiro, em dias úteis, aumentou 37,4%.

O presidente da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), Joubert Flores, também reforça a necessidade de o Brasil expandir os seus sistemas metroferroviários, que devem operar sempre junto à rede de ônibus das cidades e regiões metropolitanas. “Para se ter um transporte que garanta a mobilidade nas grandes cidades, tem que oferecer um sistema estruturante, de alta capacidade, como o sobre trilhos. Isso deve acontecer sempre alimentado por outros sistemas de menor capacidade”, diz Joubert Flores.

A saturação da infraestrutura metroferroviária e os investimentos além do necessário diminuem o potencial de captação de usuários, apesar da demanda com tendência crescente. “O resultado impacta diretamente a movimentação de passageiros e os custos logísticos das empresas e a qualidade de vida da população”, também destaca o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista.

O estudo da Confederação Nacional do Transporte mostrou que não houve no Brasil um critério geral para a implantação das redes sobre trilhos no país. Em muitos casos, os traçados dos sistemas existentes hoje aproveitaram antigas redes ferroviárias de cargas para o transporte de passageiros, como em Belo Horizonte. A CNT alerta que as decisões sobre implantação de sistemas metroferroviários devem sempre obedecer a critérios de demanda que justifiquem a seleção de modais de maior capacidade.


Janeiro/2017 – Revista CNT Transporte Atual

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Solução para o transporte público, VLT está abandonado em São Luís


Veículo leve sobre trilhos foi comprado às vésperas da eleição de 2012.
Obra consumiu quase R$ 8 milhões dos cofres públicos.

Um investimento que seria solução de transporte público no Maranhão acabou virando exemplo de desperdício

Dois vagões estão jogados ao relento. O veículo leve sobre trilhos era para atender 200 mil pessoas por dia, mas nunca levou ninguém a lugar nenhum, a não ser na viagem inaugural, onde percorreu 800 metros cheio de passageiros esperançosos, como mostram alguns vídeos na internet. “Isso aqui é um sonho. Eu não quero acordar desse sonho”, diz uma mulher.

Ficou só no sonho. Hoje, o veículo está se estragando com o tempo. A equipe do Jornal Nacional encontrou o VLT fora do galpão onde deveria estar guardado e já deteriorado. O veículo foi comprado em julho de 2012 pelo então prefeito João Castelo, do PSDB, dois meses antes das eleições municipais, sem análise técnica para o projeto ou previsão orçamentária.

Para o Ministério Público, uma obra eleitoreira. “Foi uma obra feita em cima da eleição, sem uma programação suficiente e sem recursos para essa obra continuar após a eleição. Tanto prova que não foi pago e a obra parou”, diz o promotor de justiça José Leonardo Pires Leal.

O projeto previa que fossem construídos 13 quilômetros de trilhos ligando a região central de São Luís ao bairro do Anjo da Guarda, que é um dos mais populosos da cidade. Mas apenas 800 metros foram colocados. A obra consumiu quase R$ 8 milhões dos cofres públicos.

Boa parte dos dormentes usados para fazer os trilhos foi roubada. Muitos trilhos foram cobertos de terra e pedras. A estação construída em um terminal de ônibus é usada como guarita para seguranças.

Depois das eleições de 2012, o prefeito eleito Edivaldo Holanda Júnior, do PDT, alugou um galpão para guardar o elefante branco. Foram gastos mais de R$ 400 mil com aluguel, até que a prefeitura conseguiu na justiça que a empresa que vendeu os vagões, a Bom Sinal Indústria e Comércio, passasse a pagar os custos do aluguel. Só que depois disso o VLT foi retirado de onde estava guardado e está debaixo de sol e chuva.

A prefeitura diz que um projeto para colocar o VLT em circulação está em análise no Ministério das Cidades. Enquanto isso, a população segue vendo o VLT só mesmo pela janela dos ônibus lotados.

A prefeitura de São Luís declarou que o projeto iniciado na gestão anterior não teve planejamento. O ex-prefeito João Castelo, do PSDB, morreu este mês. Já a empresa Bom Sinal Indústria e Comércio declarou que nunca foi notificada pela justiça sobre a responsabilidade de guardar os vagões até que eles sejam usados.