quinta-feira, 30 de março de 2017

Governo planeja trens de média velocidade em São Paulo e Brasília

22/02/2017 - Estadão
  
O governo federal planeja a construção de duas linhas de trens de média velocidade, com investimentos que podem superar R$ 40 bilhões. A primeira ligaria São Paulo à cidade de Americana, passando por Jundiaí e Campinas, num trajeto de 135 km. A outra, entre Brasília e Goiânia, teria 210 km.

Os estudos de viabilidade dos dois projetos já estão na mesa da Secretaria Executiva do Programa de Parcerias para Investimentos (PPI), que concentra os projetos federais de infraestrutura logística. O Estado apurou que, nos próximos dias, gestores do PPI se reúnem com representantes do governo paulista para tratar do assunto e tentar avançar no modelo de negócios do empreendimento.

No caso do trem que sairia da capital federal, a proposta já está em fase mais avançada, com análise pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e perspectiva de lançamento de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), para testar o interesse do mercado.

Projetos à parte, todo esforço agora está concentrado em responder uma dúvida básica: de onde vai sair o dinheiro para tirar essas obras do papel. Uma das alternativas é usar PPPs, as parcerias público-privadas.

O custo total do projeto que ligaria Brasília a Goiânia, em uma viagem de aproximadamente 1h30, está estimado em US$ 8,5 bilhões. Esse valor equivale a cerca de US$ 40 milhões – ou aproximadamente R$ 120 milhões – por quilômetro.

Por essas estimativas, os 135 km de trilhos entre São Paulo e Americana teriam custo de US$ 5,5 bilhões. Numa conta simples, portanto, os dois empreendimentos somam US$ 14 bilhões, ou cerca de R$ 43 bilhões, se considerado o câmbio atual. No papel, a proposta do governo paulista é ainda mais ambiciosa, incluindo outras interligações com o Vale do Paraíba, a Baixada Santista e Sorocaba.

Fontes do setor ferroviário confirmaram que os valores estão dentro da média verificada em outros países que investiram em trens de média velocidade, aqueles que permitem viagens com velocidade média entre 160 e 180 km/hora, podendo chegar a 200 km/hora. É preciso ponderar, no entanto, que diversos fatores podem influenciar diretamente nesses custos, como a escolha da tecnologia que será usada e as desapropriações necessárias no traçado do trem.


A última vez que o governo tentou viabilizar, por conta própria, a construção de um projeto de trem de passageiros, foi um fiasco. O Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligaria Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro em viagens a mais de 300 km por hora, uma obra de mais de R$ 30 bilhões, teve discussões infindáveis no governo Dilma e gastos milionários com o projeto, mas nunca saiu do papel.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Apesar da crise, governo do estado planeja expansão do metrô até o Recreio


28/03/2017 - O Globo

Mesmo com um déficit bilionário, o governo do estado planeja tirar da gaveta um projeto antigo: o da expansão do metrô até o Recreio. Seriam 24 estações num trecho de aproximadamente 20 quilômetros sob a Avenida das Américas. O governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Marcelo Crivella discutem buscar ainda este ano no mercado imobiliário os recursos necessários para a obra, como adiantou, nesta segunda-feira, o Blog do Moreno, do GLOBO. A operação que está sendo elaborada prevê a venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que permitirão a construção de prédios no entorno das avenidas das Américas e Ayrton Senna com gabarito acima do previsto em lei, além do acréscimo de pavimento em edifícios existentes. O aumento em discussão é de até um andar e meio.

O dinheiro arrecadado iria para um fundo destinado à expansão. A nova linha seguiria sob a Avenida das Américas, e as escavações, afirma o governador, seriam feitas com o tatuzão, hoje parado à espera da retomada as obras da Estação Gávea que não foi concluída por falta de recursos. Estado e município já formaram um grupo de trabalho para executar o projeto.

— A obra será pelo canteiro central, com pouca desapropriação — diz Pezão, explicando que a operação dos Cepacs neste caso seria semelhante à do Porto Maravilha, cujo dinheiro arrecadado foi investido em obras de infraestrutura na região.


terça-feira, 28 de março de 2017

VLT tem 5 mil pessoas multadas por não pagarem passagem


27/03/2017 - Extra

A advogada mineira Pâmella Alqualo decidiu, na semana passada, ir com o marido à Zona Portuária para visitar o AquaRio de VLT. Mas o que seria um passeio divertido virou dor de cabeça. Ao não conseguir usar um RioCard, ela pediu ajuda a uma fiscal, que, em vez de orientá-la, chamou um guarda municipal. Pâmella acabou se tornando uma das 5.085 pessoas multadas desde setembro do ano passado por viajar sem pagar passagem.

— Como tinha acabado de usar o cartão para pagar duas passagens no metrô, imaginei que poderia fazer o mesmo no VLT. Abordei a fiscal para pedir uma informação e fui tratada como desonesta, como se estivesse me recusando a pagar R$ 3,80. Achei um absurdo — reclamou Pâmella.

A verificação do pagamento da passagem é feita por fiscais da concessionária do VLT, que atuam ao lado de guardas municipais, os responsáveis por aplicar as sanções. Dados da prefeitura mostram que, desde o início da fiscalização, foram aplicadas em média 25 multas por dia. Das 1.475 guias emitidas, no valor de R$ 170 cada, 935 foram pagas, o que gerou um montante de R$ 158.950 para o Tesouro Municipal. Do total de autuados, 660 recorreram, mas, até agora, nenhum recurso foi deferido. Ao ser multado, é responsabilidade do passageiro emitir a guia de pagamento pela internet.

Um dos recursos foi apresentado pela designer baiana Ana Paula Esteves, que veio passar o carnaval no Rio. Ela viveu situação semelhante à de Pâmella. Ao não conseguir pagar duas passagens com um único cartão e pedir ajuda, foi multada.

— A guarda já veio pedindo meu CPF, pensei que fosse apenas para fazer um cadastro e me dar informação. Mas ela me entregou uma multa de R$ 170 e ignorou quando pedi que deixasse a gente descer para comprar outro cartão. Fiz o recurso porque achei um abuso, uma forma de usurpar a gente.

Já o técnico em eletrônica gaúcho Juliano Mattos fez tudo certo: comprou dois cartões, para ele e a mulher, e colocou crédito para ir e voltar do Centro ao AquaRio. Na volta, ao fazer uma baldeação obrigatória na Parada dos Navios, foi abordado por um fiscal e multado por um guarda municipal.

— Não sei se, ao passar o cartão na baldeação, fomos cobrados indevidamente. O fato é que eu tinha o comprovante da compra dos nossos bilhetes de ida e volta, com o horário que os adquirimos, e mostrei ao guarda. Ele sabia que não tínhamos feito nada de errado — criticou Juliano.

O diretor de operações do VLT, Paulo Ferreira, alegou que, em pesquisa do Ibope com 600 usuários, o VLT obteve 88% de satisfação. Segundo ele, o que pode ser julgado como uma atitude radical é, na verdade, uma regra que deve ser cumprida.

— Quando você transporta 35 mil passageiros por dia não tem como identificar quem está bem-intencionado e quem não está.


Linha 4 do Rio inaugura ligação direta entre as Zonas Norte e Oeste


22/03/2017Notícias do Setor       
MetroRio-Linha4-Credito DivulgacaoMetroRio-CAM28328-500pxNova etapa põe fim à transferência em Ipanema e reduz o tempo de viagem dos usuários em nove minutos

A partir deste sábado (25/3), a Linha 4 do metrô passa a operar em ligação direta com a linha 1, acabando com a necessidade de transferência na estação General Osório, em Ipanema. Com isso, o tempo de viagem será encurtado e o passageiro que embarcar na estação Jardim Oceânico, na Barra, chegará em 30 minutos no Centro do Rio.

Com a interligação concluída, os intervalos serão reduzidos para 4 minutos e 30 segundos nos horários de maior movimento de passageiros.

– Simultaneamente à integração das linhas e ao fim do transbordo, o intervalo entre os trens será reduzido em dois minutos, o que significa menor tempo de espera nas plataformas, acelerando os embarques e o tempo de viagem na linha 4 – afirma o secretário de Estado de Transportes, Rodrigo Vieira.

Apontada como a oitava cidade mais congestionada do mundo, o Rio de Janeiro se prepara para ter, pela primeira vez, um sistema metroviário que liga a capital de ponta a ponta. Se antes o morador da Zona Oeste demorava cerca de 120 minutos para chegar ao Centro utilizando ônibus, com o fim da transferência, o tempo do trajeto foi reduzido em 75%.

– A integração da operação da Linha 1 com a Linha 4, com o fim do transbordo em General Osório, facilitará a vida dos nossos passageiros, com impacto positivo em qualidade de vida, produtividade no trabalho e no tempo livre no fim do dia. Agora será possível ir da Barra ao Centro em 30 minutos, com comodidade, segurança e previsibilidade -, destaca Guilherme Ramalho, presidente do MetrôRio.

Aberta para a população em 19 de setembro, dia seguinte ao encerramento dos Jogos Paralímpicos, a Linha 4 do metrô iniciou sua operação com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 6h às 21h. A segunda etapa do planejamento foi iniciada em 5 de novembro, com a abertura do sistema aos sábados, nos mesmo horários. Desde 17 de dezembro 2016, o novo trecho passou a operar nos mesmos dias e horários das Linhas 1 e 2: segunda-feira a sábado, das 5h à meia-noite, e domingos e feriados, das 7h às 23h, tendo na estação General Osório o ponto de transferência. A Linha 4 transporta, em média, 110 mil passageiros por dia e possui integração com o BRT na Estação Jardim Oceânico, a mais movimentada do novo trecho.


22/03/2017 – Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro

quarta-feira, 22 de março de 2017

Produção de carros de passageiros bate recorde histórico

Novo trem do Metrô de Salvador


A produção brasileira de carros de passageiros bateu recorde histórico em 2016. Segundo o balanço divulgado pela Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), associada à ANPTrilhos, foram produzidos 473 carros de passageiros no ano passado, contra 322 unidades em 2015.

Os carros de passageiros são fornecimentos para CPTM, CCR Metrô Bahia, VLT Carioca, VLT Baixada Santista e monotrilho de São Paulo. Além desses, a produção contemplou exportações para África do Sul e Argentina.

As projeções para 2017 apontam para a produção e entrega de apenas 278 carros de passageiros. Essas encomendas são de contratos já assinados.

“Tivemos três anos de boas encomendas. Mesmo com a crise financeira no País, a indústria teve um volume satisfatório. Esse ano, infelizmente, a demanda reduz por falta de projetos”, explica o conselheiro da ANPTrilhos e presidente da ABIFER, Vicente Abate.

A ABIFER disponibiliza os dados de produção de carros de passageiros a partir de 1971. O recorde anterior é de 2008 com a fabricação de 447 unidades.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Com falhas em trilhos, CPTM reduz velocidade de trens em SP em até 77 %

Trechos da CPTM reduzem velocidade de 90 km/h para 20 km/h; registram apontam problemas como desnivelamento dos trilhos, dormentes velhos e até falhas nos parafusos dos trilhos. Presidente da companhia fala em 'risco zero'.




Por Philipe Guedes, TV Globo
16/03/2017 14h10  Atualizado há 17 minutos

Trens da CPTM fazem trajeto com velocidade máxima reduzida em até 77% na Grande São Paulo, informou o SPTV. A lentidão se deve a falhas nos trilhos, serviço de manutenção e obras. A redução mais brusca ocorre em trechos da linha 7 e da linha 10- Rubi, entre Perus e Caieiras, onde a velocidade máxima cai de 90 para 20 quilômetros por hora. O SPTV teve acesso a registros do sistema da CPTM que indicam os trechos que estão com velocidade reduzida e o motivo disso.
Ao sair de São Caetano em direção à estação Tamanduateí, pela linha 10-Turquesa, por exemplo, o maquinista é obrigado a reduzir a velocidade por cerca de 1 quilômetro. Se a linha estivesse com a manutenção em dia, o normal seria rodar a 90 km/h, mas o limite agora é 40km/h.

Na Linha 10-Turquesa da CPTM o maquinista tem de reduzir a velocidade do trem de 90 km/h para 40 km/h (Foto: TV Globo/Reprodução)

Nesse caso, o problema é o desgaste acentuado do trilho, que precisa ser trocado por um novo. O problema foi detectado em 17 de abril de 2015, mas ainda não foi resolvido. Somando todos os trechos com desgastes acentuados na Linha 10-Turquesa, são seis quilômetros de trilhos que a CPTM já deveria ter trocado e que continua usando
Outro trecho condenado fica entre Capuava e Mauá. Nele, o normal também seria a velocidade de 90 km/h, mas o trem atualmente não pode passar dos 20 km/h. “Você vê só por aqui. Ou pelo movimento do trem. Às vezes, ele está praticamente parado. E às vezes, não, Ele está rápido”, disse a auxiliar de cozinha Michele Cristina Alves.

Trem na Linha 8-Diamante a velocidade é reduzida para 20 km/h por problemas de erosão na via (Foto: Reprodução/TV Globo)

Na linha 8-Diamante, são três trechos com problemas de manutenção. Em dois deles, entre Osasco e Comandante Sampaio, os técnicos identificaram erosão na via em fevereiro de 2013. Uma obra começou e depois parou por falta de dinheiro. Quatro anos se passaram, mas o problema ainda não tem data para ser resolvido. Enquanto isso, os trens que poderiam passar a 70 km/h circulam com velocidade máxima de 20 km/h.
Na linha 9-Esmeralda são dois pontos em que a velocidade cai de 90 km/h para 40 km/h. Nesses pontos, a CPTM precisa mexer na rede de cabos que abastece os trens. Um dos pontos, entre Pinheiros e a Cidade Universitária, está com problema desde 2012 e não tem data de conserto prevista.

Campeã de lentidão

Linha 12-Safira é a campeã da lentidão na CPTM (Foto: TV Globo/Reprodução)

A linha 12-Safira é a campeã de lentidão. Ao todo, em 18 quilômetros de trilhos os trens rodam mais devagar, o que corresponde a quase 24% da linha. Entre as estações Tatuapé e USP Leste, por exemplo, a travessia do córrego Tiquatira está danificada, o que provoca o desnivelamento das vias na curva. A falha persiste desde março de 2015 e não tem data para mudar.
O que mais atrapalha a viagem de quem pega essa linha é a construção da linha 13-Jade, que vai para o Aeroporto de Guarulhos. A nova linha vai ter integração com a 12 e, por causa disso, desde julho de 2013, a Safira sofre com interferências das obras, que estão atrasadas há três anos.
Na linha 11-Coral, a CPTM identificou instabilidade no solo, nos dormentes (peças nas quais os trilhos são fixados) e nos trilhos em pelo menos três trechos. Entre as estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera, o problema foi identificado em março do ano passado, mas não há previsão de ser resolvido. Um dos motivos para a falta de conserto é o fato de a CPTM não ter dormentes de concreto para trocar.
Mais à frente, entre as estações Corinthians-Itaquera e Guaianazes, há pontos em que parafusos da via estão emperrados. A falha persiste desde agosto de 2015. A CPTM não deu uma data para consertar.

Falha desde 2001
Na linha 7-Rubi, parte do trecho entre Perus e Caieiras está com a via desnivelada desde 2001 e continua sem previsão de conserto. O desgaste dos trilhos faz os trens reduzirem a velocidade de 90 km/h para 20 km/h.
Na mesma linha, tem infiltração de água que desnivelou a pista entre a Vila Aurora e Perus, problema de 2013 ainda sem data de solução. Há velocidade reduzida também por causa da obra de construção da estação de Francisco Morato, que está atrasada, e trilho gasto que precisa ser trocado desde novembro do ano passado.
Via está desnivelada desde 2001 na Linha 7-Rubi (Foto: TV Globo/Reprodução)
Um maquinista que pediu para não ser identificado disse que, com a falta de manutenção, os maquinistas não trabalham tranquilos, mesmo em baixa velocidade, principalmente nos horários de pico. “O trem mais lotado, ele fica bem mais pesado. E ele estando mais pesado tem mais risco de acidente”, disse.
Para o professor especialista em ferrovias Helaido de Castro Wins, o medo do maquinista faz sentido. “A manutenção deve ser feita indiscutivelmente. [A redução da velocidade] minora os efeitos. Os riscos continuam. Talvez você tenha uma proporção menor de problemas no caso de acidente”, explicou.

Presidente da CPTM fala em 'risco zero'
O presidente da CPTM, Paulo de Magalhães, confirmou que manda os maquinistas desacelerarem, por cautela, porque a manutenção não foi feita. “Não corremos nenhum risco. Risco zero. Para isso que existem as precauções. [...] Nós estamos tentando fazer todos os serviços imediatamente, à medida que parecem as novas precauções. Aquelas que são mais antigas são problemas que dependem de outros fatores que a gente está tentando resolver”, explicou.
“O que acontece muitas vezes, o que aconteceu com trilho, nós tivemos duas licitações fracassadas, por problema de concorrência, entre os participantes, em que a gente tem que fazer como funciona a lei, pra poder concluir”, disse. “Uma coisa que estava desde 2012 pra comprar o trilho, e em 2015, que foi quando eu assumi a empresa, a gente fez a compra de 8 mil toneladas de trilhos. E compramos mais 2 mil agora”, completou.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Juiz cita reajuste de 1100% na Linha 4 do RJ: 'Enorme volume de dinheiro público que, em tese, teria sido desviado'

Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, decretou prisão de Heitor Lopes Junior e Luiz Carlos Velloso. Organização era liderada por Cabral, diz magistrado.


Por Gabriel Barreira, G1 Rio
14/03/2017 15h29  Atualizado há 1 hora
Suspeitos de participar de esquema de propina nas obras do metrô do RJ são presos

As obras da Linha 4 do Metrô do Rio custaram cerca de 1.100% a mais do que o previsto em 1998, quando foi orçada pela primeira vez. A disparidade entre os números causou espanto no juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, autor da decretação da prisão de Heitor Lopes de Sousa Junior, e o atual subsecretário de Turismo do estado e ex-subsecretário de Transportes, Luiz Carlos Velloso.

A dupla foi presa nesta terça-feira (14). Os dois são acusados de lavagem de dinheiro e corrupção nas obras de expansão do Metrô de Ipanema até a Barra. Na decisão judicial, em que volta a apontar o ex-governador do Rio Sérgio Cabral na liderança da organização criminosa, Bretas afirma que a diferença entre o valor orçado e o valor pago quase 10 anos depois pode dar conta dos recursos desviados.

"Chama a atenção o fato de o custo da construção do Metrô ter sido originalmente orçado em R$ 880.079.295,18 em 1998 e ter sido reajustado para R$ 9.643.697.011,65, o que por si só dá conta do enorme volume de dinheiro público que, em tese, teria sido desviado pelos agentes públicos investigados a partir da referida obra", escreve o magistrado.

O valor original, reajustado pelo IPCA, seria de R$ 2.876.584.148. Ou seja, quase R$ 7 bilhões abaixo do valor pago pelo poder público.

Bretas cita ainda a relação entre empreiteiras e o poder público que, de acordo com denúncia apresentada pelo MPF, teria evidenciado "a existência de esquema de cartelização de empreiteiras com relação a importantes obras executadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro".

Desdobramento da Lava Jato no Rio, a ação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) investiga corrupção e pagamento de propina em contratos da Linha 4 do metrô. Lopes e Velloso vão responder por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo o acordo de leniência de executivos da Carioca Engenharia, o esquema de corrupção que existia na Secretaria de Estado de Obras do RJ, com a cobrança de propina das empreiteiras envolvidas em contratos bilionários de obras civis – revelado em operações anteriores da Lava Jato –, também se repetia na Secretaria de Estado de Transporte.

As obras da Linha 4 custaram cerca de R$ 10 bilhões e a inauguração foi pouco antes da Olimpíada do Rio. O trajeto liga Ipanema, na Zona Sul, à Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Além da Carioca Engenharia, outras duas grandes contrutoras formavam o Consórcio Rio Barra, responsável por parte da obra: a Odebrecht e a Queiroz Galvão.